quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Perdoai-vos uns aos outros


Sem querer bancar o politicamente correto, até porque, eu, particularmente, não concordo com esse tipo de comportamento (comportamento onde as pessoas não falam ou agem em virtude da possibilidade de desagradarem a outrém), mas sempre ouvi uma expressão que me deixou sempre muito confuso e até certo ponto desacreditado. Geralmente, quando uma pessoa tem um ato gentil, caridoso e/ou piedoso, as pessoas costumam taxá-la de humana. Puxa, como fulano é humano! Tal pessoa é muita humana! Entre outras expressões. Pois bem, o que seria ser humano? Ter boas atitudes? Ter compaixão do próximo? Não concordo com essa expressão e não a utilizo em minhas conversas, porque o ser humano só consegue fazer isso se estiver tomado por um amor maior que o amor comum.

Porque, muitas pessoas que têm essas atitudes caridosas, pessoas inundadas de compaixão, muitas vezes não conseguem ter uma atitude compatível com essa devoção pelo outro, o ato de perdoar. Engraçado como muita gente praticamente ignora esse ato, age como se não fosse capaz de fazê-lo e até diz não ser Deus para perdoar.

O perdão é um dos atos mais sublimes do comportamento humano, porém um dos mais difíceis de serem realizados. Por que o perdão exige renúncia.

Fico imaginando quantas pessoas hoje em dia sofrem problemas por que não foram perdoadas ou não conseguiram perdoar. Isso é um problema que a psicologia e a psicoterapia têm buscado soluções para o tratamento, pois as causas psicológicas, muitas vezes, refletem um efeito físico, ou seja, muitas pessoas sofrem de doenças psicossomáticas e não sabem a razão da rigidez do tonos muscular, das constantes dores no estomago, das dores de cabeça, e vivem tomando medicamentos, mas não entendem que a razão de tudo isso pode ser o perdão.

Entretanto, temos que antes de tudo isso, entendermos o que é perdão. Perdão é desistir de qualquer reinvindicação, é renunciar a punir, é absolver. Com isso, se uma pessoa comete uma falta conosco e nós a perdoamos, significa que não podemos ter nada contra essa pessoa e que o fato de ela estar próxima não provocará nenhum receio, mas na prática, as pessoas dizem que perdoam, mas que não querem mais aproximação para que não ocorra novamente. Sinceramente, isso não é perdão. Perdão é religar o elo desfeito e agir como se aquilo não tivesse ocorrido, mesmo que a memória registre aquela dor.

Mas, como vivermos livres de tudo isso? Como não permitir que até doenças psicossomáticas tenham efeito sobre nós? Só existem duas formas para tudo isso:

A primeira de todas, é você se sentir perdoado. Não há coisa pior para uma pessoa de caráter quando ela não se sente perdoada, quando ela não sente que a sua falta não foi absolvida, quando ela não se vê em condições de regozijar do convívio da pessoa que ofendera. Dessa forma, temos que entender a falibilidade dos relacionamentos humanos e entender que nós somos partes falhas de tudo isso e que devemos pedir perdão pela mínima falta, de modo que não exista possibilidade de resignar-se ou até mesmo sedimentar mágoas. O melhor remédio contra tudo isso é vencer o orgulho e a vaidade e não ter vergonha de pedir perdão, mesmo que você saiba que a outra pessoa não fará isso, pois consigo você estará bem e com certeza, Deus aprovará sua atitude.

Confesso que a segunda, talvez seja mais difícil que a primeira. Pois exige conceder perdão. Será que somos capazes de oferecer o perdão devido pela falta do outro? Ou será que nosso orgulho e vaidade nos impedem de restaurarmos relacionamentos? Tudo isso é uma dúvida muito cruel e que só quando passamos por determinadas situações é que sabemos a proporção da exigencia de nossa atitude. Perdoar não é fácil, mas tem que ser constante. Não podemos permitir que amizades longas e duradouras, se extinguam por uma falta. Não podemos permitir que familiares se odeiem por causa da fragilidade do ser humano. Portanto, perdoe! Abra o seu coração para aquele que te feriu, ofereça o perdão mesmo que essa pessoa não tenha pedido o seu perdão e saiba que você tem muito a ganhar com isso. Não há dureza de coração que resista a uma atitude amorosa.

Muitas pessoas se cobram muito por seus erros do passado, acham que por isso nunca serão felizes, que nunca encontrarão verdadeira felicidade, pois a atitude delas foi horrivel e não conseguem se perdoar, mas eu quero dizer que nada do que passou pode voltar e que cada dia é a uma nova oportunidade que Deus nos concede de planejarmos nosso futuro. Portanto, não permita que o passado seja tão latente na sua vida e entenda que você tem 75% de chances de conquistar o que deseja, você está vivendo o presente e tem um futuro pela frente.

É tempo de mudar!

Rapidamente, me passou pela memória o relato de um orador carioa que dizia que se no Céu tivesse videotape ele queria ver o reencontro de Pedro com Cristo após a crucificação de Jesus (Pedro disse que não abandonaria Jesus, mas foi refutado de que negaria Cristo três vezes antes do galo cantar e ele acabou negando diante dos guardas romanos). Mas, quando Jesus ressurge e ele encontra Pedro, Ele pergunta: “Pedro tu me amas”, três vezes. E Pedro responde que sim, mas na última Pedro diz: “Tudo o sabes, Senhor” e Jesus responde: “Pedro, apascenta as minhas ovelhas”. Que extraordinária demonstração de perdão. Pedro havia negado a Cristo, pelo medo de morrer junto com Ele, mas como ele se arrependeu, Jesus confiou uma enorme responsabilidade a ele. Será que seríamos capazes de uma atitude como essas?

Obviamente, precisamos muito desse amor maior que o comum para sermos capazes de tudo isso. Portanto, absorva essa possibilidade de se refazer e de se recompor de erros passados. Se você errou, peça perdão; se erraram com você, perdoe. E não se esqueça dos sábios conselhos do Mestre: “Perdoai-vos uns aos outros”. E por quanto tempo? Setenta vezes sete ao dia.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Romantismo é coisa de macho!


Desde que me dispus a escrever os meus textos e postá-los no blog, sempre tive a intenção de confrontar o senso comum e a maneira, até mesmo demagógica, como as pessoas se comportam diante de diversas situações do cotidiano. Como eu mesmo divulgo, os textos são cronicas porque é através de uma situação ou acontecimento cotidiano, como pano de fundo, que existe a conectividade entre a expressão e a ideologia que se deseja difundir. Em suma, minha idéia não é restringir o pensamento simplesmente num determinado tema, mas incentivar as pessoas a buscarem razões para o que acreditam e/ou pelo menos se mobilizarem a buscar um outro ângulo para uma ratificação de suas crenças ou até mesmo de mudar o curso das suas convicções.

Há algum tempo, tenho conversado com algumas pessoas sobre romantismo. E muita coisa, a mim, particularmente, chama a atenção. Primeiro, quero deixar bem claro que não quero fazer uma síntese ou paralelo da história literária mundial e brasileira, mas confrontar o que se entende como romantismo.

De início, existem algumas inverdades sobre romantismo em que fomos, praticamente, ensinados a entender como verdade. A primeira delas (não listo numa ordem prioritária, mas aleatória) é que a mulher é romantica e o homem rude. Pois bem, vamos analisar alguns fatos do nosso contexto social. Por exemplo, os filmes que mais falam de romantismo, são do amor de um homem por uma mulher, como E se fosse verdade, Como se fosse a primeira vez, Uma linda mulher, entre outros. Os livros de romance, em sua enorme maioria, falam do amor de um homem pela mulher, como por exemplo Cinco minutos de José de Alencar, entre outros. Não quero dizer que a verdade é a antítese do que se propaga, que a mulher seja a parte rude do casal, mas dizer que existe romantismo dentro do homem, porém, muitas mulheres não vêem isso com bons olhos, porque inúmeras, não generalizando, expressam o desejo de ter um homem romantico ao seu lado, mas constantemente se cansam desse “ar meloso”.

A segunda inverdade é que romantismo é coisa dos tempos dos nossos avós e pais, mas a verdade é que o romantismo nunca saiu de moda. Qual a mulher que não se sente acalentada quando recebe um buque de flores? Qual a mulher que não se sente feliz em receber um telefonema, seja para fazer um elogio ou por simples lembrança? Qual a mulher que não vibra ou sonha quando tem a oportunidade de ter um café-da-manhã entregue em sua cama pelo seu amado? Qual a mulher que não sonha ser amada e cortejada em todos os momentos de sua vida e que ele permaneça o eterno enamorado?

A grande maioria das mulheres desejam tudo isso, sonham com tudo isso, mas infelizmente, eu acredito que pela competividade natural entre os sexos, a mulher (quando falo mulher não generalizo ou induzo a acreditar que todas são assim, mas falo da figura feminina) deixou de ter alguns critérios para suas escolhas. O homem sempre foi a razão do relacionamento e a mulher a emoção, mas de uns tempos para cá, não vale somente amar, tem que ter capacidade de arcar com os passeios de um fim-de-semana de namorados, tem que ter capacidade de presentear em todas as datas comemorativas e demonstrar ser uma pessoa capaz de executar inúmeras tarefas ao mesmo tempo, ou seja, estamos vivendo uma completa inversão de valores. Porque o homem é seduzido por aquilo que vê e a mulher pelo que ouve, e hoje em dia, o homem parece que está vivendo um complexo de fuga do sentimento de Amélia, que as mulheres combateram tanto no passado. O homem, de uma certa forma, tem se cansado em buscar algo duradouro, porque muitas mulheres também se decepcionaram nessa busca e com isso, o que vemos hoje em dia é uma completa superficialidade nos relacionamentos.

O que mais me assusta é a capacidade que a mulher tem de se fazer acreditar, muitas não admitem, mas a mulher sabe como deixar o homem em suas mãos. Porém, acabam perdendo excelentes oportunidades para alcançar felicidade. Em contrapartida, existem muitos homens que tiveram a oportunidade de encontrar a mulher de suas vidas, mas desprezaram tudo isso por um simples momento de aventura, por uma satisfação ao seu grupo social (afinal de contas o homem é também produto do seu meio) ou até mesmo por não enxergar que mulher deve ser conquistada a cada dia, de maneiras diferentes e que a maior forma de fazer isso possível é demonstrar que ele é macho. Isso mesmo! Tem que ser muito macho, no mundo de hoje, para assumir o romantismo. Afinal de contas, o que se espera de um homem é que ele conte a quantidade de mulheres que ele teve em sua cama, mas não se ensina a ele entender que o mais importante é a satisfação que ele proporciona em cada um desses momentos e que o melhor de tudo é não ter que fazer essa busca diariamente, mas ter certeza do seu refúgio.

Portanto, mulheres (digo isso porque sei da quantidade de mulheres que lêem meus textos) não se permitam aos mesmos erros dos homens, daqueles que não sabem valorizar uma companheira, que não sabem impulsionar o crescimento de sua auto-estima, mas continuem sendo mulheres, daquelas que compreendem o seu papel dentro da sociedade, que entendem que é importante hoje a mulher estar no mercado de trabalho, que entendem que um homem sempre busca um visual positivo, sendo que isso não quer dizer que ele busque uma top model, daquelas bem magérrimas, porque existe um homem do tipo de cada mulher. E que a mulher continue sendo a emoção do casal, que ela nunca perca a ternura concedida por Deus e saiba que acima de tudo ela precisa se amar, antes de ser amada.

E aos homens, que nunca sintam vergonha em mandar flores, em lembrar das datas importantes, que nunca se sintam acanhados em dar um telefonema, mesmo que seja para se desculpar ou para perguntar como foi o dia de sua amada. Que nunca se envergonhe de associar uma música, mesmo que muitos achem brega, ao sentimento que existem entre o casal, que o homem aprenda, acima de tudo, que o amor antes de ser um sentimento, ele provêm da razão e que ele saiba discernir entre uma aventura e um amor pra vida toda.

Que os poetas de nossas literatura e música não estejam errados, que eles tenham suas idéias ratificadas a cada dia, que possamos celebrar a felicidade de um verdadeiro encontro, que saibamos celebrar a certeza que o dia de sorrir chegou e que toda essa sensação não seja efêmera, mas seja profunda, de maneira que a confiança da entrega não seja traída pelo amargo da decepção.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Recordes existem para serem quebrados


Durante toda a minha infância, adolescência e juventude, como qualquer outro ser humano, sempre tive muita admiração por diversas pessoas. E era uma grande quantidade essa, que ia desde familiares bem próximos até personalidades do mundo do esporte, da cultura e até da política.

Fui fã do grande Galinho de Quintino, apesar de ter acompanhado praticamente o fim de sua carreira, fui fã incondicional de Ayrton Senna, até hoje quando vejo os vídeos de suas vitórias me emociono, sou fã de outros esportistas como Roger Federer, o maior tenista de todos os tempos e que tem um jogo bonito e não só de resultados, sou fã de grandes pensadores da atualidade, como Arnaldo Jabor e Luiz Fernando Veríssimo, sou fã de muitos professores que tive e tenho nessa minha trajetória de vida, mas tem uma personalidade atual que me espantou. O seu nome é Michael Phelps.

Os resultados da trajetória de Phelps o fazem ser um dos maiores esportistas de todos os tempos e obviamente, nos deixa excelentes lições de vida. Falar do paralelo entre esporte e superação é praticamente uma obviedade, mas entender como se nasce um campeão talvez seja um combustível para aprimorarmos nossa conduta e entender como reagir diante das circunstancias da vida.

Phelps com 15 anos de idade, já participou da equipe americana de natação nas Olimpíadas de Sidney e conseguiu um quinto lugar na final dos 200 metros borboleta, um resultado estrondoso se comparado ao resultado de outros nadadores nessa mesma idade, tanto que essa é a prova que Phelps tem o maior poderio na atualidade, ele nem de perto é ameaçado. Desde os tempos colegiais, o seu treinador, Bob Bowman, já se espantava com os resultados obtidos por ele e o fato de um jovem de 15 anos de idade ter composto a equipe de natação americana, em Olimpíadas, era uma coisa que não acontecia desde 1932. Nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, o mundo acordou para o fenômeno. Ali todos já viam que havia surgido um nadador com capacidade de igualar o recorde de outro americano, Mark Spitz, que conquistou sete medalhas de ouro nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Mas, naquela edição dos Jogos, ele “só” conseguiu seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, ou seja, superou o recorde de medalhas numa mesma edição, mas não a quantidade de ouros. Terminada a edição dos Jogos em 2004, Phelps passou a trabalhar num objetivo: superar o recorde de medalhas de ouro numa só edição. Quando Phelps disse o seu objetivo, alguns ficaram admirados por sua vontade, mas muita gente expressou um sentimento contrário, dizendo que seria impossível acreditar que ele conseguiria ganhar oito medalhas de ouro numa só Olimpíada, os demais nadadores se preparariam para superá-lo e talvez fosse contra a capacidade do corpo humano, uma vez que o esporte de alto rendimento exige muito da parte física. E um dos que disseram que Phelps não seria capaz de conquistar esse feito foi o ex-nadador australiano Ian Thorpe, bi-campeão olímpico nas Olimpíadas de Sidney, aos 17 anos de idade, no ano 2000. Só que Phelps apanhou o jornal que continha a manchete com a declaração de Thorpe e pregou no vestiário do seu local de treinamento e passou a olhá-la todos os dias, de modo a se auto-motivar a conquistar seu objetivo. Pois bem, todos nós conhecemos os feitos de Phelps em Pequim 2008. Ele conquistou oito medalhas de ouro, batendo o recorde de um atleta em uma só Olimpíada e com direito a oito quebras de recordes. Quando perguntado em uma entrevista, após os Jogos, o que o tinha motivado a isso tudo, ele, como um grande campeão, disse que recordes existem para serem quebrados e não comentou as declarações de Thorpe.

O que se pode tirar de lição em toda essa história contemporânea que vimos ser escrita diante de nossos olhos? Eu quero destacar três palavras, obviamente não quero dizer, de maneira presunçosa, que são os únicos destaques, mas algo para arrematar o que estamos discutindo.

Em primeiro lugar, o talento. Phelps é um ser dotado com uma capacidade incomum para realizar o que se dispôs. Deus concede talentos específicos para cada pessoa, e como o nome mesmo sugere, não há como se revogar presentes.

Em segundo lugar, a disciplina. Phelps é conhecedor de suas potencialidades, mas em nenhum momento deixou de trabalhar menos que os demais concorrentes, pois vemos que esse é um dos grandes erros que as pessoas cometem. As pessoas acham que por serem capazes de realizar algo, não precisam de atualização. O que seria de um professor se não lesse mais? O que seria de um vocalista se não treinasse as técnicas vocais freqüentemente? O que seria de um empresário se não se preocupasse em analisar as tendências de mercado ou ações de seus concorrentes?

Em terceiro lugar, a obstinação. Phelps concentrou-se num objetivo e tratou de lutar para atingi-lo. Phelps nos anos de 2007 e 2008, não deixou de nadar em um único dia, ele não pensou em festas, curtições e outros afins de pessoas de sua idade, lembrem-se que estamos falando de um jovem de 24 anos de idade. Lógico que se Phelps não tivesse treinado como treinou, se alimentado como se alimentou e não fosse tão bom quanto é, ele não teria alcançado seu objetivo, mas o ato de ele colocar a frase de Thorpe em seu vestiário é uma prova de que ele sabia o tamanho do seu desafio e que ele deveria ser o primeiro a acreditar (ressalto que tudo é um conjunto e que só colocar a frase no vestiário não faria diferença alguma, além de gerar um estresse essencial). A frase de Phelps, anteriormente citada: “recordes existem para serem quebrados”, na verdade, tem que ser traduzida a nós da seguinte forma: objetivos existem para serem alcançados, sonhos existem para serem realizados.

Talvez estejamos numa situação em que achamos que um bem é uma coisa muito distante, que a faculdade está muito longe do nosso orçamento doméstico, que a possibilidade de melhoras em nossas vidas esteja muito distante, afinal de contas, a nossa vida é cheia de altos e baixos, mas cabe entender que sem sonhos e sem metas, ninguém consegue ânimo para viver. A cada dia, devemos renovar o nosso sonho, lembrar da razão pela qual estamos vivos, entender que para alcançar o fim da linha, é preciso dar o primeiro passo e que Deus não fará por nós aquilo que podemos fazer por nós mesmos. Lembre-se, chame por Deus quando precisar de um milagre, enquanto você precisar só de trabalho e determinação, saiba que você tem as ferramentas necessárias para realizar. Mas nunca se esqueça de que se Deus não estiver presente em suas conquistas, elas serão vãs.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Je peux gagner (Eu posso vencer)


As Olimpíadas de Pequim no ano passado foram um espetáculo à parte. Poder conferir todas as performances de verdadeiras máquinas de superação foi inacreditável. O que dizer do fenômeno jamaicano Usain Bolt, com seus inacreditáveis dois ouros e dois recordes mundiais e olímpicos nas duas provas mais velozes do atletismo? Ele conseguiu a marca de 9s69 nos 100 metros rasos e 19s62 nos 200 metros rasos. Um ícone do esporte, sem sombras de dúvida. O que dizer de Elena Isinbayeva? A bela russa, que apesar de toda sua beleza física, ainda é uma fera no salto com vara? A musa conseguiu a incrível marca de 5m05cm, com uma distancia de pelo menos 20cm para a segunda colocada. Sem falar no ouro de Maurren Higga Maggi , Cesar Cielo e do volei feminino. Mas, sem dúvidas, o mundo se assombrou com um americano de 23 anos de idade que se tornou o maior vencedor em uma única edição de Jogos Olímpicos. Seu nome: Michael Phelps. O nadador ganhou 8 medalhas de ouro, com direito a quebra de recordes em todas, eu disse todas as provas em que ganhou.

Fica uma dúvida, é bem verdade, quem terá sido o grande nome dessa edição dos Jogos. Mas eu quero destacar um fato, como muitos jornalistas que estiveram em Pequim ao vivo, chamaram de a maior prova de todos os tempos. A prova do revezamento 4x100m estilo livre masculino. Era a prova em que Phelps tinha menos chance de ganhar o ouro, pois as equipes da África do Sul e da França tinham excelentes nadadores e o EUA contavam com um veterano em seu rol. Jason Lezak. A prova começou e Eamon Sullivan fez o melhor tempo e Phelps foi o segundo, assim se sucederam os demais. Quando o quarto nadador de cada equipe estava na piscina, o panorama era o seguinte: Alain Bernard, da França, em primeiro lugar, seguido de Jason Lezak, o veterano dos EUA. Quando ouve a virada dos 50m, a arquibancada ficou de pé e via-se que o feito do mito (os 8 ouros de Phelps) talvez não fosse possível. Alain Bernard chegara em Pequim dizendo que vinha para ganhar o ouro nessa prova, que tinha o melhor tempo e que sua equipe era a melhor preparada, num recado claro aos americanos. Nos últimos 20 metros de prova, Lezak mostrou força e inacreditavalmente, ele nadou os 100 metros mais rápidos da história da Natação (mas, ele não é computado como recorde porque numa prova de revezamento, só vale o primeiro tempo de cada equipe e Eamon Sullivan da África do Sul já tinha conseguido o recorde mundial) e Bernard frustrou-se com o segundo lugar, apesar de ter chegado apenas a 38 centésimos de segundo após os 46s06 de Lezak.

O Cubo D´água foi à loucura, todos vibraram muito, foi uma das maiores expressões de adrenalina de Phelps em suas vitórias. Porém, Bernard chorava compulsivamente a perda de um resultado tão perseguido e almejado. Os relatos jornalísticos dão conta que Phelps foi até Bernard o cumprimentar e que ele não se conteve no vestiário e chorou feito uma criança. Uma vez que a “culpa” pela derrota recaiu sobre seus ombros.
Como eu já dissera, Bernard chegou a Pequim assumindo a condição de favorito a ganhar a prova de 100m livres e o revezamento 4x100m com a França e dizendo que iria destronar Phelps. Mas, a história nos contou que a realidade foi outra.
Talvez muitos estejam pensando que ele pagou pelo que falou de forma precipitada e que ele nunca deveria ter dito aquilo, mas é justamente sobre isso que gostaria de tecer alguns comentários. Como nos prepararmos para as adversidades e gigantes em nossa frente e não nos acovardarmos. Bernard sonhou entrar para a história, vencendo ninguém menos do que o maior nadador da história e ele se preparou para tudo isso, mas o resultado foi diferente do planejado.

Algumas lições ficam muito explícitas para todos nós e a primeira que quero destacar é que não devemos subestimar o poder do nosso inimigo. Quantas pessoas acham que só porque precisam ou porque desejam uma determinada vaga de emprego a conseguirão, mas se esquecem que existe uma dezena de pessoas que de repente estejam melhor preparadas, e, portanto, cabe a elas se aprimorarem ainda mais.

A segunda lição é que poucas pessoas te elogiarão pelo teu sucesso, mas uma enxurrada de pessoas te criticarão pelo teu fracasso. Quem perdeu a prova foi a equipe da França e não Bernard. Mas, como ele era o líder da equipe, teve que assumir, mesmo que de maneira passiva, a responsabilidade pelo insucesso.

A terceira lição que devemos aprender nessa história é que enquanto nós estamos nos preparando, nos especializando, nos motivando a realizar algo, existem várias pessoas que estão tentando ser melhores do que nós. Hoje, nós vivemos a Era do Conhecimento, e quem acha que um simples domínio da Internet e Office aliados a um mero Ensino Médio fará com que exista uma possibilidade de colocação no mercado de trabalho, talvez esteja se enganando. O mundo hoje não oferece espaço para os bons, mas sim para os excelentes. Portanto, motive-se a buscar conhecimento para sua vida, motive-se a buscar sempre mais. E isso me faz lembrar de uma frase de Abílio Diniz, dono do Grupo Pão-de-Açúcar, que eu já a tinha utilizado anteriormente em outra cronica: “Existem pessoas que sonham com o sucesso todos os dias, nós acordamos cedo para alcançá-lo”. Roberto Shinyashiki escreveu que existem muitas pessoas que sonham muito em realizar, mas não se esforçam nem um pouco em colocar seus planos em ação. Portanto, planeje mais e aja mais ainda.

E a quarta e mais importante lição que aprendemos em tudo isso é que o verdadeiro gigante não é aquele que se acostuma com suas valorosas vitórias, mas aquele que sabe se reerguer diante das derrotas. Alain Bernard, no dia seguinte ao fracasso na prova do revezamento, conquistou um recorde nas Eliminatórias dos 100 metros livres masculino e no outro dia, sagrou-se campeão olímpico. Existem adversidades, lutas e gigantes que temos que vencer em nossas vidas e muitas vezes podemos estar em situação de desvantagem, mas se lamentar e ficar lamuriando o que se perdeu não produzirá nenhuma possibilidade de crescimento para nós, o importante é acreditar que mesmo em meio às lutas, podemos ser vencedores e que não será uma adversidade que fará com que sejamos derrotados. Sempre após uma tempestade, deverá vir a bonança.

Portanto, que você saiba tirar lições de suas derrotas e motive-se e cresça com elas, de maneira que elas sejam decisivas em suas vitórias de amanhã.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

I belong to Jesus


Essa semana, mesmo em meio ao distúrbio economico que o mundo inteiro sofre, fomos surpreendidos com a notícia da tentativa de compra dos direitos federativos do jogador Kaká. Uma negociação astronomica, cerca de £ 100 milhões (cem milhões de euros – algo em torno de 340 milhões de reais) por parte do Manchester City, da Inglaterra. Com essa notícia, os noticiários esportivos começaram a especular se seria justa ou injusta essa negociação; se o Kaká teria um retrocesso ou incentivo à sua carreira e a maior questão: se o dinheiro mais uma vez venceria a razão.
Pois bem, existem alguns aspectos a serem considerados diante de tudo isso. Primeiramente, o esportivo. O Kaká, hoje joga num dos maiores clubes da história do futebol mundial, time vencedor e que o projetou a disputar duas Copas do Mundo com a Seleção Brasileira. Segundo, o aspecto pessoal. No Milan, o Kaká é um ídolo de estrela maior que carrega uma legião de fãs, tem contratos publicitários rentabilíssimos (muitos desses em virtude do time em que joga) e uma família, recentemente o Kaká foi pai do seu primeiro filho. O terceiro aspecto é o financeiro e é esse o contumaz vilão. O lado financeiro seria excelente tanto para o clube detentor dos direitos federativos do jogador, como para o clube formador (acreditem que até o São Paulo saíria ganhando com essa negociação) e sem dúvida alguma para o jogador e seus colaboradores. Com um montante de trezentos e quarenta milhões de reais, com certeza, a fatia menor desse bolo, seria algo em torno de dez milhões.
O que mais me chamou a atenção em toda essa discussão, é que muitos jornalistas diziam que torciam para que o Kaká ficasse no Milan, mas que sabiam que era muito difícil ele permanecer diante das cifras apresentadas. Pois bem, confesso que eu também sempre torci para ele permanecer no Milan, na verdade mesmo, eu queria que ele fosse o camisa 10 do meu Flamengo e por conhecer a história de vida do Kaká, eu via como que uma deturpação de caráter, ele aceitar essa proposta, mesmo que milionária. Pois, quem não sabe, o Kaká é mais que um atleta de Cristo, ele é um seguidor da Palavra de Deus e tem conhecimento de que Deus deve estar a frente de nossas escolhas. Como poderia um homem que no dia em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 2002, ter usado uma camisa com a expressão “I Belong to Jesus” (Eu pertenço a Jesus, em português) e ser acusado por minoria da torcida milanesa de “I Belong to money” (Eu pertenço ao dinheiro)?. Uma vez que a própria Palavra de Deus faz uma menção do discurso de Jesus em que ele ensina que o homem não pode ter dois senhores, ou serve a Deus ou serve às riquezas.
Mas, para felicidade geral daqueles que acreditam que os homens podem ser de bem, o Kaká decidiu permanecer no seu clube e disse em uma de suas inúmeras entrevistas, que em nenhum momento pensou em se transferir. Pois bem, a lição que esse grande homem contemporaneo nos deixa é que existem valores muito maiores que o dinheiro para seguirmos. Existe uma preocupação por parte de pessoas de bom coração a mostrar que há bons exemplos para serem seguidos e mais que tudo isso, que uma pessoa que confessa Jesus pode mostrar que tem condições de seguir sua vontade.
Na verdade, essa negativa do Kaká foi uma lição muito maior do que não se corromper pelo dinheiro, mas mostrar que ética, razão, lealdade, confiança e perseverança nunca nos farão mal, mas pelo contrário, farão com que sejamos pessoas, pais, filhos, amigos, cooperadores melhores.
Se um homem que ganha algo em torno de £ 5 milhões (cinco milhões de euros) entre salário mensal do clube e mais contratos de imagem, negou a tudo isso, por que nós não seríamos capazes de fazer essa negativa? O que Deus espera que tenhamos como atitude é seguir os sábios conselhos dele: “Qual o pai que um filho pedindo pão ele lhe dará pedra?”. Ou seja, Deus sabe o que é melhor para nossas vidas e quer que confiemos n’Ele, pois Ele tem o melhor a nos oferecer e nem sempre esse melhor é o que mais reluz. As vezes essa riqueza (não falo propriamente da material, mas de tudo que nos pode ser concedido) está com uma aparencia rústica e fora duma embalagem convencional, mas é Deus quem dá o brilho.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Gosto de ver você dormir que nem criança com a boca aberta...


Trecho da música O mundo anda tão complicado, de Renato Russo.

Há algum tempo, durante uma reunião familiar, em meio àquelas reuniões em que muita conversa é jogada fora, muitos assuntos “pueris” são dialogados, surgiu um assunto, na verdade um embate: Qual a diferença entre os compositores Cazuza e Renato Russo? Uns diziam que o Cazuza era um compositor que falava mais de amor, enquanto que Renato Russo falava mais de problemas sociais e políticos. Como sempre, eu discordei do ponto de vista e disse que em minha opinião, era totalmente o contrário.

Cazuza usava suas letras para descrever a sua impressão que ele tinha de mundo, lógico que essas impressões falavam de amor também. Mas, como por exemplo na letra de O tempo não pára (dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta) ele faz uma crítica ao que o governo oferecia ao povo como subsídios para uma vida digna e até mesmo o apoio que ele não encontrou, por parte do governo, para tratamento de sua doença (uma vez que o país não dispunha de nenhuma política de tratamento e prevenção, e ele, como um burguês, já sofria as mazelas da contaminação, o que diria de uma família sem tantos recursos?). Na letra de Ideologia (meus heróis morreram de overdose, os meus inimigos estão no poder) ele fala sobre as expectativas frustradas de ter visto seus ídolos falecerem pelo consumo excessivo de drogas, como Janis Joplin, Jimi Hendrix, entre outros. Logicamente, como dito anteriormente, Cazuza falava de amor em suas letras, mas a essência de suas composições eram as críticas sociais e políticas que ele fazia ao sistema em que ele estava inserido.

Talvez possa parecer estranha essa colocação, mas Renato Russo foi um dos compositores contemporâneos que mais falou de amor em suas letras, o detalhe para que isso seja tão subjetivo, é que ele não atrelava melodias melancólicas em suas canções de amor. Na letra de Sete Cidades (já me acostumei com a tua voz, com teu rosto e teu olhar... quando não estás aqui sinto falta de mim mesmo), ele traduz o sentido do enamorar, do descobrir, do se entregar. Na letra Por Enquanto (se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba) ele fala sobre a frustração comum dos enamorados ao término de um relacionamento, ou será que ninguém passou pela experiência de ter achado que algo seria pra sempre, mas esse sempre teve um fim? Agora na letra de Daniel na cova dos leões (Faço nosso o meu segredo mais sincero, e desafio o meu instinto dissonante. A insegurança não me ataca quando erro e o teu momento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão; teu corpo é meu espelho e em ti navego e eu sei que a tua correnteza não tem direção) ele fala a respeito de paixão, da sinceridade da entrega e de lealdade a quem se ama.

Logicamente, que os estilos de vida dos dois compositores (Cazuza e Renato Russo) não devem ser seguidos, mas não há como negar o talento que os dois tinham para escrever e expressar sublimidade nos sentimentos. Isso nos remete a uma lição muito interessante. Às vezes as pessoas podem ser como ostras, ter um visual (quando digo visual, não falo somente de aparência pessoal, mas de apresentação) não tão bonito, mas revelam um conteúdo espetacular, como podem ser como sepulcros caiados, daqueles que são verdadeiras obras de arte, mas no seu interior só possuem podridão e lixo.

Dessa forma, cabe a nós aprendermos a não pré-julgar ou taxar ninguém diante de uma primeira impressão, e sim fazer com que essa pessoa possa ser conhecida, às vezes os talentos provêm de quem menos se espera e é preciso sempre um incentivo para que uma fonte de talentos não sucumba ao ostracismo. Portanto, se você conhece alguém que tenha algum talento, faça com que essa pessoa se desenvolva. Isso mesmo. Incentive-a a escrever mais poesias, romances, a desenhar, a tocar um instrumento, a fazer artesanato. Não aniquile a arte. A criatividade é uma característica incomum dos grandes pensadores.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Causa x Efeito


“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu....” esses são os versos de uma das músicas da Legião Urbana que entraram para a posteridade. A música fala sobre um jovem que foi criado na fazenda e que após as descobertas da adolescência e pré-juventude, decide buscar um novo caminho, indo pra Brasília. Lá ele começa a trabalhar como aprendiz de carpinteiro, envolve-se com o comércio de drogas, vai preso e começa a traficar. Conhece uma moça, por quem se apaixona (Maria Lúcia) e decide largar o tráfico. Porém, um homem engravatado o chama para fazer um trabalho e ele retorna a vida de outrora. Aparece um traficante de renome, Jeremias, que decide ser inimigo de João de Santo Cristo e que deseja mata-lo. João sente saudades de sua esposa e resolve voltar para casa e para sua surpresa, Jeremias havia se casado com Maria Lúcia e tido um filho com ela. João fica louco e vai para a cadeia pela segunda vez.

Pois bem, cabe agora uma inferência: Qual o motivo de João ter ido pra cadeia pela segunda vez? Já que ele assassina Jeremias e Maria Lúcia morre com João, conforme a letra de Renato Russo. É praticamente óbvio acreditar que a razão de sua segunda prisão foi ter assassinado o filho de Jeremias e Maria Lúcia. É uma história trágica, que não é a mensagem principal da música, até porque o compositor diz que tudo que ele queria era falar pro presidente ajudar toda essa gente que só faz sofrer, mas que ilustra um erro muito comum de várias pessoas: atacar o efeito e não a causa.

Vamos pensar um pouco. Se João não tivesse largado sua família para retornar a uma vida que tinha lhe trazido tanto sofrimento, isso tudo teria acontecido? A pessoa que era mais culpada era o filho de Jeremias e Maria Lúcia, ou qualquer um dos dois? Não quero fazer apologia ao crime e/ou vingança, mas chamar a atenção para como as pessoas lidam com seus problemas. É muito comum as pessoas pensarem que resolverão os seus problemas atacando os efeitos, mas o que deve ser combatido é a causa.

Freqüentemente, vemos na mídia uma chuva de notícias de madrastas e/ou padrastos que maltratam seus enteados como forma de vingança ao cônjuge anterior. Quantas e quantas pessoas acham que verificar a taxa de triglicérides e glicose mensalmente é suficiente, e não se preocupam em fazer uma dieta adequada para seus problemas de saúde; quantas pessoas se sentem vítimas do governo, por causa das subumanas condições de vida e nunca se esforçaram em buscar uma melhor colocação no mercado de trabalho, existem muitas pessoas que vivem se queixando de que talvez estejam condenadas ao sofrimento, quando não percebem que suas escolhas fizeram-nas sucumbir ao erro.

Infelizmente, estamos vivendo numa geração de pessoas frustradas e infelizes, pessoas que já perderam a expectativa de um futuro melhor, e que não sabem buscar as causas das frustrações. Melhor do que se lamentar é lutar, enfrentando os problemas de frente, acreditando que Deus ajuda aqueles que O buscam e que a nossa felicidade depende de nossas escolhas.

Por isso, acaso você esteja passando por alguma dificuldade, em qualquer área de sua vida, importe-se em procurar a causa e dissuadi-la. Lutar contra os efeitos é como enxugar gelo, é um ato vão, mas lutar contras as causas fará com que você sinta um impulso motivador para acreditar que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Portanto, quando você se deparar com algo de errado em sua vida, reflita e encontre a causa de tudo isso, aí você terá todas as ferramentas para construir um belo eldorado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O que se leva?


Num momento de reflexão introspectiva, após a saturação do inconformismo com o sofrer por um relacionamento que não perpetuou, é comum nos apegarmos a coisas concretas que exprimam o nosso abstrato. Quantas pessoas passam a utilizar mais um determinado acessório, a escutar um CD que já estava esquecido ou assistir aquele DVD daquele filme que há muito tempo não via. Mas não há como o nosso subconsciente vaguear e não fazermos associações com o nosso de redor.
Lembro-me de uma situação inusitada que vivi na minha infância, quando houve o falecimento da minha avó materna. Era o ano de 1993 e a música I will always love you da Whitney Houston (aquela da trilha sonora do filme O Guarda-Costas, estrelado pela própria Whitney Houston e Kevin Costner) tocava demasiadamente em todas as rádios cariocas. Como filho caçula, fiquei em casa com meus irmãos enquanto minha mãe viajou a Ribeirão Preto, a fim de participar do velório e sepultamento. Havia um campinho de terra batida próximo de onde moro e eu fui jogar futebol com alguns amigos e um vizinho ligou o seu aparelho de som no último volume e adivinhem o que ele ouvia: I will always love you. Num determinado momento, eu não percebia, mas aquela perda mexia com meus pensamentos e eu não conseguia ter o mesmo rendimento durante a partida. Passou-se aproximadamente um mês, e novamente, o mesmo vizinho, põe o seu aparelho de som no último volume e volta a escutar a belíssima música, I will always love you. Puxa, era como se eu sentisse a sensação do falecimento da minha avó novamente. Chorei por dentro e como o meu exterior já estava perdendo a luta da maquiagem de comportamento, corri para casa a fim de utilizar o refúgio do meu banheiro para chorar.
Curioso como situações como essas sempre nos perseguem e volta e meia nos vemos em meio a elas. Quando existe aquele relacionamento onde esperamos muito, nos entregamos de forma intensa e verdadeira, mas de repente desmorona. Será que vale a pena arquivar marcas traumáticas? Obviamente que não. Mas, muitos refutariam dizendo que ninguém manda no coração. Mas, eu lhe digo que o amor antes de tudo, é racional, não há como você amar sem se sentir amado; não há como você desejar sem se sentir desejado; não há como você amar e sofrer, pois prazer e felicidade devem caminhar juntos, a todo momento. Lembro-me de uma das composições do excelente letrista Djavan em que ele diz “que está jurado para morrer de amor”, na verdade o que ele expressa é o sentimento da intensidade pelo amor, ah! e não há como negar o prazer, alegria e entusiasmo que é amar. Recordo do que escreveu Lulu Santos na letra da música um pro outro: “nós somos feitos um pro outro, pode crer, por isso é que eu estou aqui e não há lógica que faça desandar o que o acaso decidir”.
Não há lógica nas coisas relacionadas ao coração, por isso que é tão instigante, por isso que mesmo errando, nós nunca nos cansamos de procurar o porto-seguro. A cada dia é uma nova descoberta, um novo querer, um sentimento que desperta e passa a nortear a nossa atenção.
Com tudo isso, concluo que não vale a pena lamentar o que passou; quem saiu perdendo não foi você. Mas saber que existe algo melhor para acontecer, existe algo de especial que está pronto pra desabrochar no momento certo e que esse momento as vezes não está tão longe, apesar de exigir paciência, pois como disse o compositor, não há lógica. Existem situações que nos levam a buscar aventuras por carência, mas não há nada melhor do que você saber com quem contar, por quem esperar e quem você terá.
Esse texto é uma reflexão para aquelas pessoas que em suas vidas se sentiram desiludidas com assuntos do coração e chegaram a pensar que talvez estivessem inclinadas a não obter sucesso. O texto que complementa essa crônica é um trecho de uma música de Marcus Vianna, chamada Vidas, amores e guerras que diz: “o que passou e o que virá se irmanam em cruz no coração, pois quem ardeu ao sol de uma paixão, sabe renascer das cinzas da solidão”.
Que você viva a vida com a alegria de cada descoberta, que você saiba valorizar cada momento e viva-o de maneira única.

“O amor é um jogo em que ambos jogadores podem ganhar”. (Eva Gabor)

“A Vida só é bem vivida quando está envolvida na vida de outra vida".

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma reflexão sobre o prazer


Vários autores escreveram sobre prazer; autores da tarimba de Cazuza, Noel Rosa, Renato Russo, entre outros. E fico impressionado como esse assunto mexe com o nosso imaginário, uma vez que hoje vivemos a busca incessante pelo prazer. Desde já quero deixar bem claro que o intuito é abranger o tema e não restringi-lo a questões físicas e óbvias.
Segundo o dicionário da língua portuguesa, prazer significa contentamento, alegria e jovialidade. Isso mesmo, você pode usar a expressão dar prazer pelo simples fato de beber uma coca-cola ou degustar uma iguaria, desde que haja contentamento. Com isso, cabe uma pergunta importante: O que lhe traz prazer? Se cada um tivesse a oportunidade de escrever sua resposta, muitos diriam que viajar; outros que ter um amor verdadeiro; outros que degustar uma saborosa refeição ou um delicioso doce; outros que o seu prazer seria ganhar muito dinheiro.
Pois bem, existe uma réplica a esse questionamento: por que tanta gente não sente prazer nas coisas óbvias da vida? Eu paro às vezes para procurar entender a neurose do mundo (eu tenho mania de tentar entender o incompreensível) de modo que eu compreenda como uma pessoa que passou tanto tempo juntando recursos pra viajar durante um carnaval, por exemplo, acha que o seu mundo desmoronou uma vez que ela percebe que as instalações não são tão boas, ou que a quantidade de pessoas lhe impede de gozar do conforto que sua casa lhe propicia; a compreender como uma pessoa que sempre disse que gostaria de ter um amor firme, seguro e verdadeiro, ao menor sinal de crise abandona o barco; a compreender como aqueles que amam doces ou comidas apetitosas abstêm-se de saborear o paladar das refeições porque o carnaval está chegando e o seu índice de massa corporal está em 21,5 (sendo que muitas dessas pessoas não vão à praia nem no carnaval e/ou não compreendem que o índice ideal é entre 20 e 24,9) ou até mesmo compreender como uma pessoa que batalhou tanto pra ter uma situação financeira confortável não consegue desfrutar dos seus recursos, nunca tem tempo pra um cinema, pra um happy-hour, pra um passeio ou até mesmo pra um simples lazer.
Esse é o paradoxo em que muitas pessoas estão inseridas. E por isso que muitas pessoas não conseguem obter prazer nas coisas simples da vida. Desta forma, da próxima vez que você for viajar e de repente as instalações não forem das melhores, lembre-se do quanto você batalhou pelos recursos e aproveite, pois uma semana é muito pouco para o lazer que você merece; da próxima vez que você estiver numa crise de relacionamento lembre-se do seu objetivo e se essa pessoa não fizer parte do seu objetivo lembre-se do que o excelente compositor Ricardo Feghalli escreveu: Quando a paixão não dá certo, não há porque me culpar, eu não me permito chorar, já não vai adiantar e recomeço do zero sem reclamar; da próxima vez que você tiver oportunidade de degustar uma saborosa refeição ou doce, deguste-os, pois o único motivo justo que lhe faria abdicar desses alimentos seria o de saúde e sempre tenha consciência de que se você não reservar um dia para você desfrutar o que você quer conquistar ou está conquistando não adiantará você ter um volume enorme de horas-extras na sua empresa, as suas economias ou seu bom rendimento bruto mensal.
A vida é curta, curta a vida, como já dizia o ditado popular. Se você não for a primeira pessoa a ter prazer naquilo que você faz, ninguém o fará. Mas, é óbvio que o prazer tem o seu lado físico e é nisso que muitas pessoas se perdem, acham que só vale o momento. Aprenda a valorizar a conquista, a sensualidade, a entrega, até mesmo os jantares, cinemas e afins preliminares. O importante é você saber o que lhe traz prazer e ter prazer! Nunca se esqueça: Prazer e felicidade devem caminhar juntos.

"Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade." (Charles Chaplin)