quinta-feira, 19 de março de 2009

O padrão não é o mesmo, é verdade, mas...


Um dos programas mais populares dos anos 80, sem dúvida alguma foi o do grande Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha. Ele tinha um bordão incrível que dizia que “na tevê nada se cria, tudo se copia”. Nada verdade, ele parafraseava o grande cientista francês Lavoisier quando o mesmo disse que “na natureza, nada se cria, tudo se transforma”.

Há mais de 20 anos que Chacrinha morreu, mas o que vemos hoje em dia é um lote imensurável de cópias televisivas e, o pior, de um gosto duvidoso. Lembro-me que a TV Globo, durante muitos anos, tinha um slogan que propagava o Padrão Globo de Qualidade, onde o foco de sua audiência eram as classes A e B. Isso na época do José Bonifácio de Oliveira, o Boni. Mas, quando a ex-superintendente Marluce Dias assumiu, o foco passou a ser outro e os programas populares passaram a ter mais chances.

A TV Globo chegou a ter 70 pontos no Ibope na exibição de suas novelas, porém, hoje, é muito difícil ultrapassar os 50 pontos e quando isso acontece, é uma celebração. Todos disparam: A Globo está perdendo terreno e não tem mais a mesma audiência, uma vez que passou a investir em programas de auditório e reality shows.

Porém, um recente levantamento de órgãos especializados verificou que a última edição do reality show mais famoso da empresa, BBB9, mesmo amargando baixos índices de audiência, é o que mais vendeu. Conseguiu ultrapassar o recorde de venda de pay-per-views e de contrato publicitários. O Domingão do Faustão, que há mais de 20 anos empobrece as nossas tardes dominicais, só perde em patrocínio para as novelas, Jornal Nacional e para o futebol.

Diante de todas essas colocações, cabe uma pergunta: Será que a alta cúpula da Globo está preocupada com a perda nos índices de audiência? Obviamente sim, uma vez que os contratos publicitários são negociados de acordo com esses índices, mas o faturamento não diminui, ele, pelo contrário, vive um constante crescimento.

Por outro lado, eu vejo uma crescente corrente que ataca os programas globais, dizendo que não detém as marcas de audiência anteriores e tal, e querem nos empurrar goela à baixo, programas que estão fazendo um “estrondoso” sucesso. E o filão da vez é o (pífio) CQC (Custe o Que Custar, de Marcelo Tas, a BAND exibe às segundas-feiras).

Um momento, por favor. Mas a Globo está em declínio e o CQC é a coqueluche do momento? Só que o CQC detém 4 ou 5 pontos no Ibope, sendo que esse índice é medido na Grande São Paulo e serve de projeção nacional, ou seja, nem mesmo no seu domicílio consegue atingir algo considerável e todos já querem induzir que o programa é sucesso. Qual o parâmetro?
Na verdade, a Globo é uma Organização muito bem trabalhada estratégica e gerencialmente. Hoje, com o aumento do poder de aquisição das operadores de TV a cabo e a miscigenação das mídias, o público para assistir televisão diminuiu consideravelmente, mas nada que chegue a assustar o poderio da Globo. Uma vez que 5 pontos de um programa pífio não seriam capazes de abalar os 25 pontos do filme repetido pela enésima vez na Tela Quente.

É lógico que a programação não é mais a mesma, além do fato do comando ser outro, tem o fato de que a Globo quer vender outros produtos seus. Para se ter uma idéia, a Globo é sócio-majoritária da NET (Operadora de TV a Cabo) e sócia da Directv na TV por Assinatura, SKy. A Globosat que possui um leque de vários canais em seu portfólio é uma gigante que cresce cada vez mais.

A idéia não é fazer defesa da Globo, até porque além de ser muita pretensão, eu tenho absoluta certeza de que eles não precisam disso, mas dar um basta em coisas difundidas por várias mídias de que programa A é sucesso, se não tem nem cota de patrocínio que o garanta até o fim do ano.

O que nós vemos hoje em dia é uma maior concorrência nas novelas, mas dizer que Dado Dolabella, Leonardo Vieira, Lavínia Vlasak são estrelas de classe maior é forçar muito a barra. Onde Marcelo Resende teria condições de assumir a bancada, não digo nem do Jornal Nacional, mas de um Bom Dia Rio? É por essas e outras que quando eu quero saber de notícias, assisto ao Jornal Nacional, ao Jornal da Globo e recorro por vezes ao Em Cima da Hora, da Globo News também. Quando eu quero assistir a algum evento esportivo, eu sei onde ter uma correta transmissão e dados relevantes na transmissão e não um ex-jogador com sotaque caipira para fazer gênero. Quando a minha vontade é entretenimento, nem se fala, prefiro ficar acordado até mais tarde para assistir ao Jô Soares e ao Altas Horas do que assistir No Coração do Brasil e Hebe.

Pra terminar, que fim levou A Casa dos Artistas e a Escolinha do Barulho?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Imagem não é nada!


O título da cronica faz uma clara referencia a uma campanha comercial do produto Sprite, da Coca Cola Company, onde questionava o valor da imagem.


Desde o fim do primeiro e início do segundo governo de George W. Bush, nos Estados Unidos, a tensão foi um componente quase que diário na vida dos americanos e na vida de toda população mundial, sem sombra de dúvidas. Afinal de contas, ninguém consegue se esquecer dos ataques terroristas ao World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001, que acabaram culminando com os ataques ao Afeganistão e posteriormente ao Iraque.

Era uma suspeita mundial de que eles possuíam armas químicas e biológicas, o que nunca foi provado. Mesmo assim, vimos pela mídia desde torturas de presos a enforcamento de líder de um povo, mesmo que ditador (até porque Saddam Hussein poderia ser tudo, menos inocente).

Como a política é algo completamente volúvel e volátil, George W. Bush que havia recebido total apoio da população no combate ao terror, pelos episódios de 11 de setembro de 2001, passa a ser o carrasco do mundo com a invasão e barbáries no Iraque, em Março de 2003. O mundo passou a questionar a necessidade de um combate tão veemente e qual seria a razão de tudo aquilo. Enquanto a guerra se arrastava no Oriente Médio, a economia americana sofreu vários abalos e o que vimos no fim do último ano foi uma verdadeira onda de crises que afetaram muitas empresas gigantes, antes vistas como inatingíveis. O mercado de imóveis despencou, o desemprego aumentou, empresas faliram e também demitiram em massa. Para termos uma idéia, a previdência americana nunca pagou tantas verbas como no último ano e o governo estudou um projeto de sobretaxar as empresas por causa das demissões.

Mas, o mundo se atentou a disputa entre o possível primeiro presidente negro da história americana e aquele que carregava o fardo da continuidade do governo da luta contra o terror. E como Barack Obama, com todo seu carisma e persuasão, conseguiu uma expressiva vitória para a corrida presidencial americana, o mundo viveu uma onda de esperança. Afinal de contas, o lema de campanha de Obama era: “Change. We can believe in” (que em português significa: “Mudança. Nós podemos acreditar”.

A esmagadora maioria dos chefes de Estado saudou o novo líder mundial e via-se que podia ser um grande redentor em toda a crise mundial, que a essa altura não afetava somente aos países ricos, mas a todo o mundo.

Porém, sem querer ser o dono da verdade ou rotular o presidente americano, até porque não tenho pretensão de fazê-lo, o que toda a população mundial tinha expectativa era de que ele arregaçasse as mangas e trabalhasse em favor de seu povo e conseqüentemente para o bem dos demais países. Mas, pelo menos a uma primeira impressão nesse primeiro trimestre, é que na verdade não estamos diante de um líder, mas diante de um pop star.

Eu sei que tem todo o lado sentimental da coisa. O primeiro negro eleito presidente de uma superpotência, um senador de sucesso e coisas do tipo, mas eu pergunto: Quais as medidas adotadas por Obama afim de, ao menos, amenizar a crise mundial?

Numa esfera bem menor, mas para ilustrar o raciocínio, eu fico imaginando um pai de família que tem contas para pagar durante o mês, só que está com um filho muito doente e ele vai ter que dispor de dinheiro para medicação e tratamento médico. Ou seja, ele terá que trabalhar de maneira a conseguir ganho extra para suprir suas necessidades familiares, ou ele irá se ver à beira de um colapso. O que ele faz? Ele busca trabalhar após o expediente, busca um empréstimo bancário, enfim, ele busca soluções para a dificuldade de sua família. Era como se esse pai de família, ao invés de comprar o medicamento, fosse assistir um jogo de futebol numa quarta-feira à noite, todas as semanas.

Era o mínimo que esperávamos do presidente americano, mas ele intentou em aprovar no senado americano um valor para financiamento da guerra, não tomou muitas atitudes com a crise do sistema bancário e imobiliário americano, mas posa diante das câmeras como um ator Hollywoodiano.

A foto, que estampa essa crônica, foi tirada no dia 28 de fevereiro de 2009, em Washington, durante um jogo de basquete entre o time da cidade, Washington Wizards e o time de Obama, Chicago Bulls. Não quero parecer pessimista, mas o que ele demonstra até o presente momento, é que ele não será o presidente que esperávamos e que provavelmente essa crise se arrastará por mais tempo que o suportável.

Talvez muitas pessoas achem que esse papo nada tem a ver conosco, que esse negócio de cenário político e econômico mundial é uma chatice, mas esquecem que nosso futuro e de nossas gerações podem estar atrelados a decisões de agora; não podemos fazer como o nosso ilustríssimo presidente que disse que no exterior a crise muito maior que no Brasil.

Empresas brasileiras estão colocando funcionários de férias coletivas, sem previsão de volta. Sejam montadoras de automóveis do ABC paulista, seja laboratório da indústria farmacêutica. Com isso, a inadimplência começa a crescer, o crédito fica mais caro e escasso, e, com isso, as médias e pequenas empresas ficam sufocadas e sem condições de se solidificarem.

Confesso que eu queria ver um presidente anunciando, não um pacote de medidas vãs, mas mostrando o seu plano de sustentação de uma super economia e não ficar com a imagem de que se o mundo lá fora se acaba em desgraça, nós podemos ser felizes.

O que me parece (e eu torço que esteja completamente errado) é que o Obama é um personagem que serve para alterar o foco do cenário mundial, uma vez que os problemas continuam os mesmos, mas é até empolgante ver o presidente americano num ginásio de basquete assistindo um jogo e tomando cerveja.

Isso, para mim (mais uma vez repito que não quero ser o dono da verdade), parece que é uma clara tentativa de manipular o nosso sentimento com tudo que está acontecendo. Demonstrar uma falsa tranqüilidade e um carisma para solucionar problemas não é suficiente. Precisamos de atitudes sérias e rápidas, porque o mundo vive a beira de um verdadeiro colapso. Ou será que a frase da (argh!) Marta Suplicy durante o transtorno nos aeroportos brasileiros também seria aplicada agora?

Pois é, gente, política é realmente algo chato, mas de vez em quando temos que pensar um pouco nisso tudo. Só para encerrar, a previsão otimista dos economistas, conforme divulgado pelas principais mídias, é de que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro fique em 0%. Sabem o que isso significa? Que o nosso país não crescerá nada nesse ano, que esse ano será um ano de estagnação.

Um laboratório farmacêutico gigante, Medley, deu férias coletivas a todo seu pessoal aqui no Rio de Janeiro e eles estão sem previsão de retorno e, pior, sem receber qualquer remuneração. O Bom Dia Brasil, da TV Globo, mostrou um terminal de cargas na Grande São Paulo, com cerca de 800 caminhões parados. Isso por que eles não tinham viagens que compensassem seus custos e muitos já sofriam problemas de crédito.

E por aqui seria uma marolinha...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quem roubou nossa coragem?


“Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis. Desde pequenos nós comemos lixo comercial e industrial, mas agora chegou nossa vez, vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação, Geração Coca-Cola. Depois de 20 anos na escola não é difícil aprender todas as manhas do seu jogo sujo, não é assim que tem que ser. Vamos fazer nosso dever de casa e aí então vocês vão ver suas crianças derrubando reis, fazer comédia no cinema com as suas leis”.

O célebre Renato Russo no início dos anos 80 fez essa composição que era uma crítica a certa americanização da nossa sociedade e da propagação esmagadora de cultura, usos e costumes do povo da terra do Tio Sam. Logicamente que não há como garantir, mas a impressão que eu tenho é que ele escolhe o título da canção por verificar que a Coca-Cola é um dos maiores símbolos dessa americanização sofrida, com grande alarde no início dos anos 80.

Eu concordo com o conceito de Renato Russo quando ele difunde que uma geração de jovens não pode ser passiva de maneira a só receber o que o mundo oferece e não buscar novos horizontes e parametros para sua vida, afinal de contas, juventude é uma época da vida em que os projetos e planos pro futuro têm que ser embasados no gosto do desafio e na força que essa época da vida proporciona. Essa composição é uma força para que um despertar da juventude ocorra.

Os anos 80, em minha modesta opinião, foram a década mais representativa da nossa sociedade. Afinal de contas, grandes sucessos do cinema, da literatura, do teatro, da música e das artes em geral foram forjados nesse período. Porém, quando nós observamos o panorama atual da nossa juventude, fica difícil imaginar que um dia o grande sonho era que o Brasil seria o país do futuro.

Acho que esse “fracasso” (escrevo fracasso entre aspas porque não acredito que tenha sido algo inerente a um comando apenas) não tem muito a ver com as conotações e diretrizes políticas que o nosso país passou nos últimos 30 anos. Acho que na verdade, fomos sufocados por uma demagogia excessiva da sociedade, onde muito era falado e pouco era dito.

Isso mesmo, eu acredito que a razão dessa não-obtenção desse objetivo está diretamente ligada a forma como nos socializamos. Pois numa sociedade onde não se vive de acordo com regras capitais e o que é relativo passa a ser absoluto e vice-versa, o resultado é o caos. Com isso nós identificamos que o número de adolescentes grávidas, de separações, de barbáries têm crescido no meio da população jovem. Qual a razão de tudo isso? Simples. Estimulou-se o jovem a ter prazer a qualquer custo, mas não o ensinou a se proteger e todo jovem sabe que é um tabu, muitas vezes individual, proteger-se. Afinal de contas, nenhum rapaz de 15 ou 16 anos, se sente tão à vontade para comprar preservativos numa farmácia, ou uma menina consegue fazer uso de pílulas anticoncepcionais sem incomodar-se com as suspeitas da família e ainda tem o fato do preconceito de que se os dois se protegem entre si é por que “não confiam” um no outro, afinal de contas, se eles se relacionam somente entre eles, por que toda essa proteção?

Outro fator preponderante nisso tudo é o que as pessoas usam uma paixão momentanea para se afastarem de problemas familiares que estejam vivendo. Quantas moças por que não tem o carinho especial que gostariam do pai, não se interessam por homens mais velhos? Até numa expectativa de suprir essa carencia, como vislumbrar a possibilidade de aniquilar aquele sofrimento imposto dentro de casa, mas se esquecem que para se ter uma vida a dois é necessário muito mais que paixão, porque paixão tem um tempo curto de duração, no máximo dois anos, e logo o caos é o destino.

Ou a imbecilidade juvenil, que os faz agir como se estivessem na selva e buscam agir de acordo com a sua força. Antigamente, amigos se desentendiam no futebol pela tarde, mas a noite estavam de bem, fazendo como que nada de mais tivesse acontecido. Hoje em dia tudo é prenúncio para uma tragédia e os relacionamentos humanos estão cada vez mais escassos; ou então os jovens que em grupo cometem barbáries sem qualquer razão para tal, talvez seja o glamour que os feitos realizados tenham é que grande parte da juventude embarque nessa canoa furada. A consequencia? A população de presidiários entre pessoas de 18 a 30 anos nunca cresceu tanto como agora.

Cadê o romantismo e o idealismo dessa juventude atual? Será que basta somente um gole e um trago numa noite agitada de balada com um fechamento sexual para ser feliz? Logicamente, não é do meu feitio ser puritano, que são coisas que complementam a vida de muitos jovens, mas não podem ser o norte delas. É preciso querer mais e preparar-se para atingir esse objetivo. O problema todo é que falta objetivo.

Hoje nós vivemos a “Era das Oportunidades”. Não é necessário atualizar-se constantemente, formar-se, ter uma boa base familiar, basta aparecer uma boa oportunidade para que as pessoas embarquem nessa brecha. É a oportunidade de uma jovem bonita, que ao invés de buscar um curso de turismo ou ensino de línguas, busca frequentar lugares badalados e de gente influente para conseguir alguma colocação no “mercado”. Hoje se o homem ou a mulher possuem boa forma física e boa aparencia é suficiente para alcançar algo pretendido. O problema nisso tudo é que essas bases estão postas em terreno arenoso, pois o tempo passa para todos e talvez num futuro próximo, não seja possível manter essa ostentação.

Eu continuo acreditando que é possível ter um futuro melhor, que é possível recuperar a identidade dessa juventude e que o está sendo vivido ainda é pouco diante do que se pode viver.

Para finalizar, eu quero destacar alguns trechos de uma das maiores canções de Renato Russo e fazer alguns comentários para que nós sejamos encorajados a acreditar num futuro melhor para nossas vidas, que as circunstancias adversas não serão capazes de nos impedir de alcançá-las, que mesmo que as pessoas estejam se degradando, nunca é tarde para mudar o curso de uma vida e que a expectativa pelo amanhã tem que ser maior que a expectativa do hoje. Portanto: Viva, sinta e seja feliz – você pode! Ser jovem não é uma questão de idade é uma questão de atitude.

Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só
(O sol bate todos os dias em nossas janelas, portanto a oportunidade de rever a vida é diária)
Por que esperar? Se podemos começar tudo de novo, agora mesmo
(O momento é já e o mínimo necessário é o primeiro passo)
A humanidade é desumana, mas ainda temos chance
(A sociedade não vive aquilo que apregoa, mas podemos fazer diferente)
O sol nasce para todos só não sabe quem não quer
(A oportunidade é dada para todos, sem distinção)
Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?
(Em um passado recente, achávamos que seríamos super e hoje nos conformamos em ser mini)
Tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor
(As pessoas relegam seus sonhos porque não se dispõe a dureza da batalha que pode ser necessária para alcançá-los)

(Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto – Legião Urbana)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Chorão, Pelado & Champignon


Há algum tempo atrás, eu estava indo para o meu antigo trabalho de condução e para aliviar o estresse da viagem, parecia até ironia porque viajar num ônibus que transportava muito mais pessoas que podia e tudo isso sem condicionador de ar, a empresa disponibilizava um “serviço” de som para que os passageiros pudessem ouvir as notícias do dia e algumas músicas também. E a rádio escolhida pelo condutor do coletivo era a JB FM, pra quem conhece uma rádio carioca bem elitista, onde o som mais popular que você escuta é Ana Carolina. Depois de uns vinte minutos de viagem, já um pouco próximo do meu ponto de descida, eis que estranho uma música que tocava na rádio:

“Ela achou o meu cabelo engraçado, proibida pra mim, no way... se não eu quem vai fazer você feliz, se não eu quem vai fazer você feliz, guerra!”

Eu fiquei espantado com aquilo e logo percebi que não era o Charlie Brown Jr que estava cantando aquela música, era o “ilustre” Zeca Baleiro. O pior de tudo não foi o Zeca Baleiro ter regravado essa música, mas a rádio elitista tocá-la e por condições contratuais, citar os autores da composição. Foi hilário ouvir o locutor dar os créditos ao fim da música: “Proibida pra Mim, com Zeca Baleiro, de Chorão, Pelado e Champignon. (risos)

Será que a música passou a ser outra na voz do Zeca Baleiro? Logicamente que não. E, esse é só um caso utilizado para ilustrar a percepção que as pessoas têm para rotular aquilo que elas acham que é de bom senso e o que acham que é popular.

Isso me resigna profundamente porque é como se as pessoas fizessem um padrão para entender o que é cultura. Quando na verdade, a cultura é uma constante variação de módulos e gêneros, e acima de tudo, expressão. Seja pagode, samba, hip-hop, blues, rock, funk, não importa, tudo é cultura.

Agora o que algumas pessoas querem é impor os seus gostos e estilos e dizer que o que for fora daquilo não deve ser considerado. Engraçado que quando a Gal Costa e o Zeca Baleiro fizeram uma gravação de Vapor Barato (eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus) ela foi entendida como uma música de bom gosto. Agora por que quando O Rappa cantava nunca foi? Por que virou um frisson nacional a versão que a Adriana Calcanhoto fez de Fico assim sem você (futebol sem bola, piu-piu sem frajola, sou eu assim sem você) se na verdade essa música foi um hit da dupla Claudinho & Buchecha?

Outra contradição nesse tema é que muitas pessoas acham que o Roupa Nova regravou uma música de Sandy & Júnior, quando na verdade, a composição da música A lenda (se a lenda dessa paixão faz sorrir ou faz chorar o coração é quem sabe) é dos componentes do Roupa Nova. Ou seja, acham, por pura ignorância, que o Roupa Nova, grupo que faz sucesso há mais de 20 anos, precisaria regravar um hit de uma dupla para aumentar as vendas de suas cópias.

Devemos entender as diversas correntes de cultura e não rotular tipos como de bom gosto e outros de mau gosto. O que pode nos nortear nessa questão é a nossa preferência, nada mais. Eu não preciso freqüentar roda de samba para saber que o Arlindo Cruz é um excelente compositor, ou será que a música que a Maria Rita interpretou para uma novela global, chamada Tá Perdoado (defumei o corredor, perfumei o elevador pra tirar de vez o mal olhado) não tem qualidade?

Em contrapartida, fica uma dúvida para mim. Se outra cantora qualquer tivesse gravado a música Não é Proibido (jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete...) que é hit na voz de Marisa Monte, será que seria tão bem vista? Por que a música Sinas de fogo (quando você me vê eu vejo acender outra vez aquela chama, então pra que se esconder, você deve saber o quanto me ama...) na voz de (argh!) Preta Gil é horrível e quando a Ana Carolina canta no DVD Estampado é esplendida? Ou então, quando a Negra Li canta "eu sei que você sabe que eu sei que você sabe que o meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você" é uma letra sem nexo, mas ninguém se recorda que é uma citação de uma música de Marisa Monte chamada Eu sei (Na mira) que tem o mesmo refrão.

Eu tenho as minhas preferências musicais e os artistas que me induzem a comprar um CD ou baixá-los na internet, porém não dá pra simplesmente repudiar aquilo que é contrário ao meu gosto. Hoje, eu tenho um gosto muito mais eclético do que outrora. Até por que, enquanto aqui no Brasil, jogamos garrafas no Carlinhos Brown, ele continua abrindo shows do Sepultura na Europa; enquanto continuamos celebrando músicas tolas como NX Zero, o Linkin Park vendeu milhões de cópias numa parceira com o rapper americano, Jay Z.

Falar de cultura, ainda mais de gostos musicais é muito extenso e complexo, mas vale enfatizar que eu tenho que ter o meu critério de avaliação. Se eu não afeiçôo com o ritmo, não posso menosprezar a qualidade do intérprete, assim como se eu julgo a qualidade sonora, não posso simplesmente aniquilar o peso do balanço da música.

Pra encerrar, quero expor uma música composta por um bêbado, ensandecido, mas que foi um dos grandes compositores do século passado, de modo que Cazuza o curtiu e assim a produção do filme Cazuza – O tempo não pára fez questão de citá-lo:

“Bate outra vez com esperanças o meu coração. Pois já vai terminando o verão. Enfim volto ao jardim com a certeza que devo chorar, pois bem sei que não queres voltar para mim. Queixo-me às rosas, mas que bobagem as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti. Devias vir para ver os meus olhos tristonhos e, quem sabe, sonhavas meus sonhos por fim”
(As rosas não falam - Cartola)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mudanças: Nós podemos vivê-las


Em tempo: O título da cronica é um trocadilho com o slogan de campanha então candidato Barack Obama à Presidencia dos Estados Unidos que dizia: Change: (Mundança) We Can Believe in (Nós podemos acreditar)


Às vezes eu paro, penso e reflito por que as pessoas se sentem tão desconfortáveis com mudanças? Mudanças diversas, obviamente. Existem pessoas que saíram bem jovens do Brasil, mas se adaptaram muito bem no exterior, enquanto que em contrapartida, existem pessoas que saem do país pra uma oportunidade de vida melhor e não conseguem se adaptar.

Existem alguns casos clássicos que ilustram essa aversão a mudanças. Por exemplo, a empresa está instalada há 20 anos no Centro do Rio de Janeiro, mas a diretoria decide mudar o escritório para a Barra da Tijuca. Logo virão aqueles avessos a mudanças de rotina e dirão que não vêem razões para tal mudança e que o local é bem mais longe e de difícil acesso, como se tudo isso fosse verdade. Ou então, o funcionário está a 10 anos no setor de compras e de repente ele é transferido para o setor de contratos. É a deixa para o funcionário sentir-se frustrado e desmotivado para o trabalho, afinal de contas será que ele não está mais atendendo às expectativas da empresa? Existem outros exemplos que podem ser citados, como o funcionário que está há algum tempo numa empresa e de repente, por uma questão de custos ou de preferência mesmo da gerencia, é desligado. Muitas vezes, ele acaba frustrando-se e não encontra motivação para buscar uma nova colocação no mercado de trabalho. Ou até mesmo, aquela pessoa que está toda feliz e atenciosa com o seu namoro, mas que de repente, meio que sem mais nem menos, vê a outra pessoa terminar o relacionamento e acaba ficando sem forças para buscar um novo relacionamento e passa a viver, até mesmo, como um eremita social.

Existe até um clichê social que diz que tudo que é novo assusta, mas na verdade, eu acho que a maior dificuldade não é o novo, mas o inesperado.

Por exemplo, se um funcionário consegue compreender que a competitividade entre as empresas faz com que elas busquem lugares menos custosos ou mais vistosos, ele entenderia que uma mudança regional da empresa não seria tanto empecilho para ele; se um profissional entendesse que o mundo moderno de hoje exige uma completa sinergia de ações, capacidades e desempenhos de um profissional, ele não estaria tão assustado com uma mudança de seu departamento; se um profissional compreendesse que desde uma crise cambial até uma escassez de recursos, influi no planejamento estratégico de uma organização, ele entenderia que o mercado é muito voraz e trabalhamos hoje sem a certeza de estarmos empregados amanhã. Assim como que se a pessoa compreendesse que o namoro é o momento de conhecimento mútuo e que é importante compreender as intenções do outro, talvez não se sentisse tão frustrada pelo termino de um relacionamento.

O fato de não acreditarmos que tudo isso pode acontecer conosco faz com que não nos embasemos para suportarmos as circunstancias da vida e esquecemos-nos da máxima filosófica que diz que o homem é um constante vir a ser. Ou seja, hoje a pessoa pode ser um advogado de sucesso e renome, mas por diversas circunstâncias, talvez sua sobrevivência passe a ser fundamentada no comercio. Hoje, uma pessoa pode gozar de privilégios sociais, mas que de repente, por alguma circunstancia, podem deixar de ser gozados e gere sérios transtornos psicológicos para essa pessoa.

Como diria o poeta, a vida é uma roda-gigante. Ela vive em dar voltas e eleva aqueles que estão abaixo, como declina os que estão acima. Por isso, é importante estarmos preparados para as mudanças e a primeira coisa a fazer diante de tudo isso é compreender que tudo sucede igualmente a todos, sem distinções. Hoje a pessoa pode ter um carro do ano, mas não quer dizer que ela não possa ser envolver numa colisão, hoje a pessoa pode ter um cargo e uma função hierárquica elevados, mas não quer dizer que ela não possa ser vítima do desemprego.

O importante é estarmos preparados para enfrentar as adversidades e circunstancias da vida, afinal de contas a vida é feita de mudanças. E viver é um ato de ter coragem de mudar.

Certas situações ocorrem em nossas vidas e não entendemos muito a razão delas, mas o importante é entender que existe um plano maior para tudo isso e que só entenderemos no momento certo.

Eu mesmo já passei por diversas situações aqui descritas, já perdi um emprego depois de sete anos de trabalho na mesma empresa, mas hoje eu vejo que isso me aprimorou no mercado de trabalho e hoje consigo trabalhar muito mais feliz; já sofri o término de um relacionamento, mas fez com que eu me preocupasse mais comigo e decidi investir nos meus estudos e na minha auto-estima.

Ou seja, como nenhum sucesso pode ser encarado como definitivo para nós (afinal de contas a roda-gigante também declina), assim também nenhum fracasso pode ser encarado como ponto final em nossas vidas, sempre existirá a oportunidade de recomeçar.

Portanto, não tenha mais medos de mudanças, prepare-se para elas e acima de tudo: Vença seus medos!

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro”. (John F. Kennedy)

segunda-feira, 2 de março de 2009

E eu gostava tanto de você...


“Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti e de tristezas vou viver e aquele adeus não pude dar. Você marcou na minha vida, viveu, morreu, na minha história, chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate. E eu gostava tanto de você. Eu corro, fujo desta sombra, em sonho vejo este passado, e na parede do meu quarto ainda está o seu retrato, não quero ver prá não lembrar, pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o pensamento em você”.

Ao lermos a letra desse grande sucesso do inesquecível Tim Maia (Gostava Tanto de Você) temos a impressão de estarmos nos deparando com a história de mais um relacionamento frustrado entre casais. E não são poucas as situações em que essa música é introduzida nesse contexto. Até hoje em dia, afinal de contas estamos falando de uma música dos anos 80, ela faz muito sucesso, porém, erradamente inserida no contexto de um relacionamento frustrado.

O autor dessa letra, Édson Trindade, fez essa composição para homenagear sua filha que havia falecido em decorrência de um acidente. Se bem que se analisarmos friamente a composição, percebemos que a parte em que ele cita “e na parede do meu quarto ainda está o teu retrato” tira qualquer sentido dúbio, uma vez que ninguém em sã consciência guardaria uma lembrança tão intrínseca de um antigo relacionamento.

Essa letra serve para exemplificar um erro muito comum que as pessoas cometem: generalizarem uma situação por um simples fato, sem a análise completa do contexto.

Freqüentemente no meu perfil no Orkut, eu ponho algumas letras de músicas e constantemente as pessoas me questionam a razão daquelas letras específicas. Eu tenho que “esclarecer” que se eu gosto de Roupa Nova, Flavio Venturini, Legião Urbana, entre outros, eu tenho que colocar uma dessas canções e simplesmente porque gosto das músicas e não teria razão para fazer referencia a nenhuma acontecimento ocorrido na minha vida, até porque eu não seria tão insano de expor o âmago do meu coração de maneira tão esdrúxula.

Logicamente, esse post não é uma defesa desses questionamentos, mas a intenção é provocar um sentimento de reflexão de atitudes que geralmente temos movidas por uma, tal, primeira impressão.

Será que se eu colocasse uma música funk, dessas que citam a atividade sexual bem explicitamente, eu seria um promíscuo? Muitas pessoas achariam que sim, mas na verdade, a essência do nosso ser está determinada desde os tempos adolescentes. Isso é científico!

Talvez porque hoje em dia, as pessoas sejam tão superficiais e maquiem tanto seus sentimentos, estamos sempre na espreita de encontrar alguma nuance que seja a revelação do real motivo de uma atitude.

O problema em tudo isso é que nunca nos importamos como a pessoa que está sendo julgada se sentirá e nem nos importamos que talvez estivéssemos praticando uma ação dolorosa contra essa pessoa, mesmo que de maneira involuntária.

Por isso, quando estiver diante de uma situação que caiba uma avaliação, olhe o retrospecto de toda essa situação; não se detenha a meros detalhes, ainda mais se você conhece a essência do julgado. Ninguém tem o direito de dizer que atitude A ou B é certa ou errada para alguém, o máximo que podemos fazer é identificar se elas são ou não apropriadas para nossas vidas e emitir opinião se ela for pedida.

Isso serve para qualquer área da nossa vida e em todos os nossos relacionamentos, sejam amorosos, fraternos ou familiares. Ou será que ninguém nunca viu ou viveu algumas situações como: a namorada diz que adora chocolate branco, mas o namorado insiste em presenteá-la com chocolate negro e ela se sente desprestigiada e às vezes nem quer mais o relacionamento por achar que o namorado não lhe dá atenção? Eu acho uma tolice, mas os dois, que estão no contexto, talvez achem comum esse tipo de discussão. Ou então, você percebe que um amigo está muito cabisbaixo por causa de uma frustração e o convida para sair, mas ele insiste em ficar em casa em pleno sábado à noite. Você está com boas intenções para animá-lo, mas ele não percebe dessa forma. Ou então, você percebe que um familiar está em situações financeiras complicadas, mas ele insiste em adquirir novas posses e não diminue seus gastos. Você percebe que ele está num caminho perigoso, mas ele quer ir adiante. O que fazer?

Acredito que todos nós somos responsáveis pelos nossos atos e por nossas escolhas e ainda mais: somos responsáveis pelo sentimento que as pessoas têm por nós e não podemos fugir desse peso. Portanto, numa outra situação, emita sua opinião se ela for pedida e no máximo, tente, de maneira bem sucinta, emitir sua opinião sobre algo que esteja ocorrendo, mas nunca se iluda em acreditar que essa pessoa é obrigada é lhe ouvir e seguir seus conselhos, afinal de contas, as nossas decisões somos nós que fazemos.

Abaixo, finalizo com a citação de três músicas que eu gosto, talvez falem até um pouco de mim, mas estão citadas pelo motivo do meu gosto, nada mais.

EM TEMPO: Essa citação não quer dizer que são as únicas músicas que gosto ou que essas são as que mais gosto.

“Meus olhos te viram triste, olhando pro infinito tentando ouvir o som do próprio grito. E o louco que ainda me resta só quis te levar pra festa, você me amou de um jeito tão aflito que eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções, eu queria viver morrendo em sua teia, seu sangue correndo em minha veia, seu cheiro morando em meus pulmões. Cada dia que passo sem sua presença sou um presidiário cumprindo sentença, sou um velho diário perdido na areia, esperando que você me leia, sou pista vazia esperando aviões. Sou o lamento no canto da sereia, esperando o naufrágio das embarcações” (Esperando Aviões – Vander Lee)

“É incrível, nada desvia o destino. Hoje tudo faz sentido e ainda há tanto a aprender e a vida tão generosa comigo veio de amigo a amigo me apresentar a você. Paralisa com seu olhar, Monalisa, Seu quase rir ilumina tudo ao redor minha vida. Ai de mim, me conduza junto a você ou me usa pro seu prazer, me fascina, deusa com ar de menina. Não se prenda a sentimentos antigos tudo que se foi vivido
me preparou pra você. Não se ofenda com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você”. (Monalisa – Jorge Vercilo)

“Se a gente não tivesse feito tanta coisa. Se não tivesse dito tanta coisa. Se não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor grand'hotel. Se a gente não fizesse tudo tão depressa. Se não dissesse tudo tão depressa. Se não tivesse exagerado a dose, podia ter vivido um grande amor. Um dia um caminhão atropelou a paixão, sem os teus carinhos e tua atenção, o nosso amor se transformou em "bom dia!" Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só prá se viver. Qual o sentido da realidade? Será preciso ficar só prá se viver”. (Grand’ Hotel – Kid Abelha)