sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pinte seu avião de vermelho!


Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen foi uma das figuras mais fantásticas que a história do último século registrou. Talvez pelo nome desse alemão não nos recordemos muito bem dele, mas seus feitos foram de incríveis lições para todos nós.

Ele foi um piloto da Primeira Guerra Mundial e tinha um hábito bastante curioso para os combatentes de uma guerra. Quando ele derrubava um avião e o piloto inimigo conseguia se ejetar, ele não atirava nesses pilotos. Ele dizia que o combate que ele deveria executar era dentro do avião contra outro piloto num avião e ele nunca derrotou ninguém dessa forma. Essa sua ética, fez crescer certa inveja contra Manfred, não só isso, mas também o desempenho de Manfred que era o melhor piloto alemão. Alguns oponentes planejaram matá-lo, mas eles não sabiam como identificá-lo, pois àquela época os aviões eram máquinas completamente diferentes das atuais e da mesma cor, e talvez por isso precisassem contar com a ajuda de uma pessoa do lado de Manfred. Quando essa notícia chegou até Manfred, ele não se fez de rogado, como os aviões eram da mesma cor, ele decidiu pintar o seu avião de vermelho, num verdadeiro ultraje aos seus inimigos, uma vez que seria bem fácil identificá-lo num avião diferente. Com essa atitude, é que temos a origem do codinome que Manfred ficou conhecido: Barão Vermelho.

O Barão Vermelho continuou com o mesmo vigor e capacidade, de forma que continuou a vencer todas as suas batalhas, seus companheiros quando viram que ele tinha pintado o seu avião, decidiram pintar os seus também, e cada um escolheu uma cor diferente, logo o grupo foi chamado de Circo Voador.

Porém, a história registra que o Barão Vermelho foi morto numa traição, com um tiro em solo.

Engraçado que quando nos dispomos a fazermos o nosso dever, as nossas obrigações de maneira ética, sempre uma ira é suscitada contra nós. Por que será que tantas pessoas não se conformam em entender que existe alguém que faz algo por amor e tem lealdade nos seus feitos?

O Barão Vermelho era um piloto de guerra, mas sempre ético num ambiente onde a hostilidade talvez fosse bem vinda, mesmo assim muitos se levantaram contra ele, até que o mataram.

Assim também acontece conosco quando não agimos de acordo com um padrão que as pessoas pré-determinam para nós ou quando buscamos novas fontes ou caminhos para nossas vidas, as pessoas tratam de nos subestimarem, mas são incapazes de compreender o real motivo que nos leva a isso.

Às vezes, a forma como encontramos para viver aquilo que todo mundo vive é diferente, mas o que importa é se está fazendo mal ou não a alguém, caso contrário não há problema algum.

O importante é que devemos ser éticos em nossas atitudes e nunca nos escondermos diante de uma afronta. Em certas situações na nossa vida, se estamos expostos às pedradas dos inimigos, devemos ter a coragem de pintar nossos aviões de vermelho e dizer que confiamos em nosso potencial e que estamos cientes do caminho que queremos percorrer.

Talvez corramos o risco da traição, mas nunca o risco de não ter tentado e a certeza de ter feito o melhor!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Decisões precipitadas geram...


Há alguns anos atrás, começou a tramitar no Congresso Nacional Brasileiro, um projeto de lei, que regulamentaria em 150cc, a potencia mínima das motocicletas para transitarem em rodovias. Ou seja, as montadoras teriam que agir rapidamente, pois muitas disponibilizavam somente o modelo de 125cc e a montadora Honda detinha 100% desse mercado. Vale lembrar que as motos CG 125cc sempre foram a preferência do público.

Com base nessas informações de bastidores da política, executivos da montadora decidiram anteciparem-se à lei e passaram a não mais produzir os modelos de 125cc e só produzirem os modelos 150cc.

A Yamaha, principal concorrente da Honda, fez diferente. Decidiu comercializar modelos de 125cc, uma vez que só dispunha de potencia superior a 200cc. A discussão no congresso arrastou-se por alguns meses e os deputados decidiram vetar o projeto de lei que visava aumentar a potencia mínima das motocicletas.

A Honda percebeu o tamanho do passo em falso que havia dado e enquanto isso, a Yamaha, que não possuía nenhuma participação nesse mercado, abocanhou 25% de share (para usar um termo técnico do marketing administrativo). Ou seja, a Honda numa atitude precipitada, perdeu a totalidade do mercado e viu sua maior concorrente angariar 1/4 do seu potencial mercado.

Obviamente, muitos dos executivos da Honda foram demitidos e um novo plano estratégico teve que ser desenvolvido. Fico imaginando se fosse um profissional liberal ou microempresário que tivesse tido uma atitude precipitada dessas e perdesse tamanha participação para o concorrente, ao invés de um gigante das motocicletas.

Logicamente, os resultados seriam muito mais tenebrosos, talvez significassem uma falência, uma concordata ou o fim do sonho do próprio negócio. Conhecemos histórias de pessoas que até tiraram a própria vida por terem quebrado suas empresas.

E na nossa vida cotidiana? Será que muitas vezes não agimos pelo impulso, na certeza da empáfia de acreditar que tudo aquilo que desejamos ou planejamos será realizado?

Obviamente sim, quantas pessoas analisam toda uma situação, toda uma dificuldade, fazem cálculos, seguem um cronograma, antevendo algumas vertentes, mas não conseguem o seu objetivo.

Existe uma máxima filosófica que diz que o homem está limitado a tempo, espaço e circunstancia. De repente, nos vemos naquela necessidade de chegar ao Centro da Cidade para receber um pagamento às 10h da manhã, saímos de casa com bastante antecedência, mas uma das vias de acesso está completamente parada por causa de um tombamento de um veículo ou até mesmo por uma colisão entre automotores. Pronto, todo nosso planejamento foi por água abaixo; se você tem um jantar ou um cinema marcado com amigos ou com enamorado numa sexta-feira, de repente seu chefe convoca uma reunião extraordinária no fim do expediente e como você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, sofreu a limitação do espaço; você está todo contente com a aquisição do seu veículo 0km e decide dar um passeio pela cidade e para de acordo com a sinalização. Mas uma pessoa que fala ao celular está desatenta e quando percebe o seu carro é pelo barulho do encontro do pára-choque dianteiro do carro dela com o seu pára-choque traseiro. Limitados à circunstancia.

Lógico, que isso é uma regra geral e nenhum de nós está imune a essas situações, mas o melhor a fazer é ter muita prudência e cautela no momento de tomar decisões. Todo critério e todo tempo a ser utilizado para tomar essa decisão deve ser seguido. A ansiedade é das maiores vilãs dos bons projetos, as vezes as pessoas planejam muito bem, mas não tem a paciência de esperar o projeto maturar para que ele fortifique-se. E com isso, tudo acaba dissipado e uma nova conquista tem que ser planejada.

Isso não está relacionado somente à área profissional de nossas vidas, mas a todas as áreas que nos cercam e para ilustrar isso, gostaria de relatar o fato ocorrido entre um casal de amigos meus (obviamente, não posso citar nomes, primeiro porque não me autorizaram e segundo porque com coisas boas, devemos falar, mas com coisas ruins não devemos ser muito explícitos).

Eles eram bem jovens, ela um pouco mais velha que ele, ele era um rapaz super recatado, bem pacato, mas que gozava de uma boa condição financeira, ela era uma moça totalmente serelepe e muito intensa. Após poucos meses de namoro entre os dois, ela começou a fazer pressão para que eles noivassem, porque segundo ela, ela não era mulher para ficar solteira por muito tempo e que gostaria de casar-se logo. Ele gostava dela e tal, mas como ainda não tinha terminado a faculdade, achava que não seria o momento mais oportuno e ela viu-se rejeitada por aquela atitude. Num ato de completa insanidade, ela teve outro cara durante o declínio do relacionamento deles e arrependeu-se por demais. Ele não soube da história, mas decidiu encerrar o relacionamento. Passaram-se alguns meses, ele começou a namorar outra pessoa e nesse próximo semestre completará três anos de casado. E ela? Bem, ela continua tendo um amor eterno e pra vida toda a cada mês e vê que a idade já está num limite constrangedor e não consegue alcançar o que tanto almeja. Tudo isso por causa de uma atitude precipitada.

Quantos pais não se arrependem de terem batido em seus filhos em locais focados pela raiva? Quantos cônjuges terminam relacionamentos por causa de palavras ditas de maneira inoportuna? Quantas pessoas decidem se aventurar em uma nova oportunidade profissional e nem se dão conta que no próximo mês poderiam ser promovidas?

Por essas e outras razões é que concluo que as nossas decisões devem estar relacionadas ao histórico do nosso foco. Será que vale a pena trocar o certo pelo duvidoso? Será que é fazendo alguém sofrer que conseguiremos ser felizes? O bem não pode ter raiz no mal, nunca!

Pense nisso!!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Por um mundo melhor (?)


Lembro-me como se fosse hoje, era o vigésimo primeiro dia do ano de 2001 e fazia um calor estrondoso no Rio de Janeiro. Mas isso não era problema algum, pois seria o último dia do festival Rock in Rio 3 e eu estava com o ingresso comprado com bastante antecedência e ao meio-dia eu já estava num ônibus especial rumo a Avenida Salvador Allende, no Recreio dos Bandeirantes, onde até hoje fica a Cidade do Rock. Devido ao grande engarrafamento, chegamos ao local quase às 14h e tivemos que andar mais uns quinze minutos devido à grande quantidade de pessoas e a impossibilidade dos veículos de chegarem à citada Avenida. Eles só puderam chegar até a Avenida Embaixador Abelardo Bueno, onde hoje existe o Autódromo de Jacarepaguá e algumas instalações do Pan 2007, como o Parque Aquático Maria Lenk e a Arena Multiuso.

Era uma multidão jamais vista por mim, todos estavam ansiosos pelos shows de bandas como Silverchair, Capital Inicial e, obviamente, Red Hot Chilli Peppers. Passei pelas catracas reguladoras de acesso e logo pude contemplar o Palco Mundo, onde aconteceriam os principais shows, a Tenda Raízes, que era um espaço de música alternativa e a Tenda Brasil, onde várias bandas brasileiras se apresentariam. Demos uma volta pra conhecer o ambiente da Tenda Raízes, mas não achamos nada muito interessante e como os shows do Palco Mundo só começariam por volta de 18h, fomos curtir um som na Tenda Brasil.

Era muita gente bonita e oriunda de diversos lugares do Brasil. Conhecemos paulistas, gaúchos, catarinenses, mineiros, etc. Parecia um desfile da Ford Models, tamanha a beleza das moças que circulavam naquela área. Logo a Plebe Rude, banda famosa no cenário nacional do rock Brasil nos anos 80, começou um animado show e lá permanecemos por várias horas.

Nessa época, eu tinha 18 anos de idade, era a primeira vez que eu curtia um grande evento, ainda mais sozinho. Comecei a ficar maravilhado com aquela multidão e vi que tinham três meninas, lindas de fecharem qualquer cruzamento. Elas estavam bem animadas e de repente durante o movimento brusco de uma delas, vi que elas compartilhavam um cigarro de maconha. Era um cigarro enorme e elas fumavam sem se importarem com ninguém. Foi um choque de realidade para mim, pois eu tinha percebido naquele momento que não eram só essas meninas que faziam uso dessa droga, mas diversas pessoas também o faziam. Eu vi o cúmulo de um casal de namorados compartilhar um cigarro de maconha, na minha concepção um horror. Passaram-se mais algumas horas e logo começou o primeiro show no Palco Mundo. Uma banda chamada Diesel, que havia ganhado um concurso da produção do evento, foi a primeira a tocar. Um desastre! Músicas chatas e monótonas. Logo depois, subiu a “brilhante” banda cover O Surto. Pra vocês terem uma idéia, os caras cantaram três vezes o hit deles “um rosto lindo e um sorriso encantador e um jeitinho de falar que me pirou que me pirou o cabeção...”. Depois que eles cantaram uma versão ridícula de Californication, do Red Hot Chilli Peppers, a galera quase fez uma chuva de latas de cerveja neles e eles logo abandonaram o palco e já não era sem tempo. Depois veio uma banda americana, que até hoje eu não sei de onde surgiu chamada Deftones. Muito barulho e pouca coisa pra acrescentar. Naquele momento eu sentia que poderia ter sido a maior furada ter lutado tanto pra ir naquele evento. Mas, de repente, como o Palco Mundo estava vazio, ouvia-se o show do Biquíni Cavadão na Tenda Brasil. Um show de primeira linha que empolgou toda a platéia. Memorável. Mas, de repente, o Palco Mundo se acende novamente e o Capital Inicial faz um dos shows mais extraordinários que eu já vi em toda minha vida. Ouvir Dinho Ouro Preto cantando era como que um resgate de minhas memórias, quando eu compartilhava do gosto que meus irmãos sempre tiveram de rock brasileiro. Todas as letras estavam na ponta da língua. E eu fiquei extasiado quando o vocalista do Capital Inicial proseou antes de cantar uma das músicas mais formidáveis do Renato Russo, que fora gravada na época do extinto Aborto Elétrico: Fátima.

“Vocês esperam uma intervenção divina, mas não sabem que o tempo agora está contra vocês; vocês se perdem no meio de tanto medo de não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender e vocês armam seus esquemas ilusórios e continuam só fingindo que o mundo ninguém fez, mas acontece que tudo tem começo e o que começa um dia acaba e eu tenho pena de vocês”.

A galera delirava e pedia bis insistentemente. Logo depois, a banda australiana Silverchair tomou o Palco e fez um bom show. Já era quase meia-noite quando a Cidade do Rock estava em silencio e eu olhei para trás e pude contemplar a grande multidão ali presente, eram cerca de 250 mil pessoas. E logo, o Red Hot Chilli Peppers iniciou mais um grande show e eu pude ver aqueles que foram os responsáveis por eu ter comprado o ingresso para aquele dia. Durante o intervalo em que o vocalista do RHCP, Anthony Kiedis, falava com o público, eis que um clarão surge na multidão. A equipe de pára-médicos retirava dois jovens, de no máximo 22 anos de idade, praticamente em coma devido à grande quantidade de drogas utilizada. A escala de drogas naquele evento foi industrial. Mais um choque para a minha realidade. Como imaginar que jovens deixariam de curtir um bom show, beijar na boca, para se drogarem?

Logicamente que todo grande evento expõe essa possibilidade e ainda mais um evento de rock. Mas, eu tento compreender como uma pessoa se deixa dominar por uma coisa tão maldita como as drogas. Não adianta me dizerem que é por causa de estrutura familiar, porque eu sou filho caçula de uma família grande, não tive o prazer de conhecer o meu pai, porque ele faleceu dois meses antes do meu nascimento, minha mãe e nem ninguém nunca parou do meu lado para me aconselhar a ficar longe das drogas ou coisas do tipo, fui criado na rua, jogando bola descalço, resolvendo no braço muitas vezes as pendengas da molecada, mas nunca sequer experimentei qualquer droga ilícita. Acho que é muita fraqueza mesmo do ser humano, ou será que alguém acha melhor se drogar por estar passando por problemas familiares, por exemplo? Problemas, todos nós vivemos e vamos viver durante toda a vida, mas cabe a nós decidir o que é o melhor a se fazer. Se eu quiser me entregar a isso, com certeza a droga será meu consumidor voraz, mas eu posso encontrar outras soluções.

Por outro lado, existem pessoas que se deslumbram com o fato de muitos acreditarem que ela provoca alegria e que faz parte da rebeldia da juventude. Balela! A partir do momento que eu preciso me entorpecer para me satisfazer, eu perco totalmente o sentido de prazer e passo a canalizar somente nela.

E por último existe o aspecto das influencias. Mas, essas influências não são só as que temos às vezes de colegas e amigos vizinhos, mas até mesmo da própria mídia. Será que alguém se lembra que a banda Planet Hemp foi presa em Brasília há alguns anos atrás antes de iniciarem um show por apologia ao uso de drogas? Pois é, quando eles foram libertados da cadeia, todos os programas de televisão fizeram questão que eles fossem participantes, mas como o Ministério Público fez muita pressão, eis que lançaram a carreira solo do vocalista da banda: Marcelo D2. O teor das letras e o sentido delas são o mesmo da época da banda, mas hoje ele é atração principal do Festival Planeta Atlântida, do Premio Multishow de Música. O que falar dos grandes traficantes do Rio de Janeiro, que viram verdadeiras celebridades por suas exposições na mídia? E até mesmo, a mensagem subliminar de muitas músicas, como Meu Mundo é o Barro, do O Rappa, onde conta a estória de um homem que chega num local se apresentando como uma pessoa humilde, sem posses e conhecimentos e que tem um sonho. Que um dia alguém vai ouvir falar de um cara que era só um Zé. Pode parecer apelativo, admito, mas seria difícil acreditar que uma pessoa sem instrução ficaria famosa no Brasil inteiro pelo fato de assumir o comando ou ter grande participação numa organização criminosa? Obviamente não.

Não quero dizer com isso, que sou contra as bandas citadas acima, na verdade, são artistas, mas o que eu ressalto é que temos que ter discernimento para saber diferenciar as questões, de modo que não sejamos influenciados e não caíamos no erro da primeira prova.

Eu termino esse texto citando uma frase que li na camisa que um dos meus sobrinhos usava: “Use drogas e fique feliz. Não use drogas e viva feliz!”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Não sou escravo de ninguém, ninguém é senhor do meu domínio...


Primeiramente, gostaria de me desculpar pelo tempo que não posto nenhum novo texto, na verdade, a inspiração não faltou, a questão foi que aconteceu algo imprevisto no último fim-de-semana que me deixou muito chateado, mas bola pra frente porque como diria o adágio popular: atrás vem gente!


“Pane no sistema, alguém me desconfigurou. Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido. Eu sempre achei que era vivo. Parafuso e fluído em lugar de articulação, até achava que aqui batia um coração. Nada é orgânico, é tudo programado e eu achando que tinha me libertado, mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: Reinstalar o sistema! Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça: Use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e viva!”
Trecho da música Admirável Chip Novo - Pitty



Às vezes eu me pego pensando nas coisas e no mundo e reflito sobre a maneira como as pessoas lidam com os estereótipos. Primeiramente, devemos entender o que é estereotipo. De uma maneira simplória é conceber a idéia sobre alguém ou um grupo a partir de conceitos pré-estabelecidos. Valem alguns exemplos para melhor entendimento: Toda pessoa que curte heavy metal, não deve escutar outro estilo de música; todo negro e pobre é funkeiro e por aí vai. Pois bem, existe uma coisa muito particular aos estereótipos. É que todos esses modelos estão embasados em preconceitos. Ou seja, pelo fato de ser difícil de ceder ao gosto ou costume do outro, eu simplesmente o ignoro.

Quem nunca presenciou aquela situação onde um grupo de mulheres está conversando e de repente vem aquela moça mais tímida e pacata, aquela que não usa as mesmas grifes das demais do grupo e ela é simplesmente ignorada? Ou então, quando um grupo de homens está reunido, bebendo drinques e cervejas e de repente, chega um rapaz que não bebe e todos tratam de subestimá-lo.

A correlação do estereotipo com o preconceito é muito extensa, e não é a idéia do texto esmiuçar todos esses parâmetros, mas entender porque é tão difícil as pessoas conviverem com diferenças.

Porque na verdade, as pessoas seguem pelo senso comum e como questionar a razão das coisas é muito sacrificante, elas simplesmente se auto-modelam a esses parâmetros e “passam” a ser felizes. Quando na verdade, a razão de tudo isso é que elas não conseguem questionar e ter personalidade para determinar o que querem, o que gostam e como agirão.

Todos os dias somos bombardeados por pessoas que querem determinar o nosso estilo de vida, as nossas escolhas e muitas vezes, nos preocupamos demais com a opinião dos outros sobre nós. Logicamente, que não há nenhuma apologia para que se desagrade a todos, em virtude de agradar a si, mas a pessoa tem que ter o poder de saber o que é melhor para ela.

Eu sei que a colocação que farei agora é muito polemica, mas é uma percepção que tenho. Recentemente, estudos científicos têm demonstrado o aumento do grau de separação de casais e, pasmem, até nas igrejas evangélicas no Brasil inteiro. Sem querer ser o dono da verdade, eu tenho uma opinião formada sobre tal coisa. Muitos líderes, não só no sentido eclesiástico, ensinam que o homem quando tem responsabilidade tem que se preocupar logo em casar-se, afinal de contas, porque aguardar tanto tempo se o desejo de “ficar” juntos é iminente? Esse é o erro fatal. As pessoas não se permitem se conhecerem e atropelam etapas do relacionamento e fatidicamente logo depois de pouco tempo, descobrem que seu castelo era de areia e ele não suportou o primeiro vento.

O que eu fico mais indignado com o comportamento da sociedade atual é que ensinam o homem a ser conquistador, a possuir várias mulheres e não perderem oportunidades para terem em suas camas, mas quando a mulher se sente conquistada e cede a essa conquista, logo é taxada de fácil.

De outra forma, existem mulheres que dizem querer ter homens honestos, românticos e carinhosos ao seu lado, mas tem um critério de escolha completamente dissonante de sua teoria. Muitas mulheres falam isso, mas se curvam a homens que tem fama de garanhão e de não querer compromisso com ninguém.

Por que isso? Por que existe o estereótipo de que pra casar tem que ser o bonzinho, mas ninguém manda no coração. Ninguém manda no coração? Essa é uma das maiores mentiras que a sociedade acredita como verdade, o amor é uma razão. Eu sou responsável por escolher quem amar. Agora quando eu compreendo que a minha escolha não é tão confiável, eu trato de me justificar em estereótipos. Pura balela!

O que as pessoas precisam é entender que elas são passíveis de erros e acertos e que tem que ter coragem de mudar o curso de suas vidas após o sinal do erro, porque não adianta insistir em passar por uma ponte quebrada, correrá o risco de cair no rio.

Eu posso muito bem curtir Iron Maiden, mas não deixar de ouvir Roupa Nova; eu posso muito bem ser universitário, bilíngüe e adorar um baile funk; eu posso muito bem experimentar as conquistas da juventude e não deixar de acreditar que um dia terei uma família feliz.

O pior em tudo isso é que as pessoas adoram rótulos para si e costumam arranjar para os outros, mas se esquecem que nesses rótulos está escrito em letras garrafais: PRAZO DE VALIDADE VENCIDO!

Procure sempre observar a questão por mais de um ponto-de-vista, ninguém é capaz de dizer o que é melhor para você, porém saiba de suas responsabilidades em suas escolhas e que você é responsável pelo sentimento que as pessoas têm por você, sejam eles bons ou maus.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A ditadura da beleza


Há alguns dias atrás, vi uma notícia veiculada no jornal carioca O Dia, em que dizia que a atriz Claudia Raia, havia perdido cinco quilos para a composição de uma personagem numa peça teatral. Comecei a lembrar um pouco a vida dessa atriz, que apesar de não ter muito talento, sempre teve muita presença. Lembrei-me das primeiras aparições no extinto TV Pirata, das inúmeras personagens em novelas, principalmente de Silvio de Abreu, mas uma coisa me chamou a atenção demais. Cláudia Raia exibia um corpo sequinho e uma barriguinha de dar inveja a qualquer pessoa, completamente definida, e ela ainda teve a audácia de dizer que comia de tudo e que podia fazer aquilo por causa da alta carga diária de malhação. Pois bem, o que será que mudou com Cláudia Raia nesses vinte anos de carreira? Muita coisa é verdade. Porém, não foi só essa atriz que teve tamanha transformação, na verdade ela exemplifica o que hoje nós entendemos como ditadura da beleza. A mulher, hoje em dia, vive a mercê de qualquer vento de moda de comportamento ou de aparência. Logicamente, não quero dizer que são todas as mulheres, mas mesmo aquelas que não cedem aos encantos da moda, ficam tendenciosas a fazê-lo.

Como o biótipo ideal da mulher mudou desde as últimas décadas! Há algum tempo atrás, as mulheres que tinham seios volumosos, sentiam-se envergonhadas e pensavam até em operá-los para reduzir o volume, mas no fim da década de 90 e início dos anos 2000, o que vimos foi uma corrida aos cirurgiões plásticos a fim de “turbinarem” as suas mamas. Será que alguém se esqueceu da modelo Joana Prado, com seus 400 ml? Ou de tantas outras atrizes e modelos que se submeteram a essa cirurgia? Obviamente, as mudanças não foram só essas.

Antes, o biótipo ideal da mulher, era aquele estilo “boazuda“, que valorizava o volume dos quadris e das pernas. Mas o que vemos hoje em dia? Mulheres magérrimas sendo celebradas como expoentes de um corpo perfeito.

Por que a percepção das pessoas muda tanto de acordo com o passar dos anos? Eu nem vou entrar no mérito dos cabelos, por que sei que serei enxovalhado, mas não dá pra deixar passar as escovas de chocolate, morango, pêssego, entre outras, tudo pra esconder o cheiro de formol, afinal de contas o cheiro de frutas é bem melhor que o de um produto químico, que muitas vezes é utilizado por funerárias no processo de cuidado com o corpo defunto.

Não quero dizer com isso, que acho errado a mulher buscar ficar bonita, muito pelo contrário, acho que todas as mulheres têm que ser independentes (mas, não auto-suficientes), com boa auto-estima, procurar se valorizar cada vez mais (afinal de contas, é científico dizer que o homem é atraído pelo que vê), tem que investir na sua própria beleza, mas questiono o parâmetro para essa beleza.

Eu tenho um profundo receio que chegue o dia em que os influenciadores da beleza, digam que a mulher bonita deverá ser aquela de cabelo encaracolado, de seios pequeníssimos, de pele branca e que tenha pelos espalhados por todo o corpo. Seria o fim das esteticistas e de outros profissionais da beleza? Com certeza existiriam mulheres que não se depilariam mais, que não esticariam mais o cabelo, que não passariam horas em sessões de bronzeamento. Tudo para atender os ventos da moda. Será que isso vale a pena?

Obviamente não, pois o melhor estar bem consigo mesmo. Independente da forma física, da cor, tom e textura dos cabelos, do volumes das partes.

O que na verdade deve ficar de lição para todos nós é que a mulher por si só é bonita. Ela tratar de se enquadrar num estereotipo predisposto, por sabe-se lá quem, demonstra que na verdade a falta é com sua auto-imagem (ressalto mais uma vez, que não tenho opinião contrária a mulher buscar se tratar e se cuidar), pois talvez aquilo seja um refúgio para algo que lhe incomoda.

Por outro lado, não há como poder entender como normal, uma mulher que não possua vaidade. Na verdade, eu não deveria chamar vaidade, mas sim amor-próprio. Pois a mulher que não faz as unhas (a beleza e cuidado da mulher estão expostos nas unhas, principalmente nos pés), nunca se preocupou com uma boa aparência dos cabelos, da pela e nem se preocupou em se apresentar cheirosa, com certeza não pode ser vista como normal. E isso, não tem nada a ver com modismo, mas com essência feminina.

Não poderia encerrar esse texto sobre ditadura da beleza sem dizer que batom masculino, depilação de peitoral, cremes faciais diários, retirada de costelas, entre outros horrores mais, não tem nada a ver com a essência masculina, mas infelizmente tem seduzido muitas pessoas da classe e sem querer ser machista ou preconceituoso: Morte ao metrossexualismo! Chega a ser patético esse tipo de comportamento. Da mesma forma que para a mulher, para o homem existem alguns cuidados que nada tem a ver com modismos. O homem não precisa cheirar mal, estar despenteado e totalmente roliço para parecer másculo, nunca foi mau nenhum andar com cabelos e barba feitos, de banho tomado e com cuidado com o seu corpo, não por pura questão estética, mas até mesmo por saúde.

Portanto, o mais importante é estar bem consigo mesmo e não ser levado por qualquer modismo. Devemos ter consciência que uma aparência atlética e saudável não se alcança em dois meses de dietas e exercícios físicos, exige mais sacrifício. Porém, o importante é não estar preparado para um determinado momento, mas fazer disso uma mola propulsora para uma melhor qualidade de vida.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Final


Todos saíram do quarto e Wallace não se conteve em lágrimas. Lucas olhava fixamente para Wallace e antes que Wallace pudesse falar alguma coisa, Lucas foi até o primo e disse que a atitude que ele tivera, fora impulsionada por sua índole e que ele jamais deixaria alguém sofrer, podendo ajudar essa pessoa. Wallace começou a explicar que o fato de ele ter procurado Raquel era porque ele não se continha de inveja de Lucas e que ele desejava ter a vida que Lucas levava. Mesmo Wallace sendo o filho de um dono de uma rede de postos de gasolina, ele nunca teve a confiança do pai para administrar os negócios da família e viu seu pai investir dinheiro na formação acadêmica de Lucas. Wallace sabia que nunca seria tão inteligente quanto Lucas, que nunca seria tão desenvolto como Lucas e percebeu que a única forma que ele tinha de atacá-lo, era seduzindo Raquel. Lucas ouviu atentamente e não se fez de rogado. Começou a dizer para Wallace que ele fora o seu ídolo na adolescência. Lucas sempre admirou a beleza de Wallace, o poder de sedução do rapaz e acabou herdando a mesma paixão por automóveis. Lucas fez questão de dizer ao primo que sempre o admirou, mas que naquele momento ele sentia pena, porque via que o primo não tinha construído nada para sua vida e que sabia que ele nunca seria capaz de arcar com nenhuma responsabilidade. Wallace achou as palavras de Lucas muito duras, mas não o confrontou, pois em seu íntimo, ele sabia que Lucas estava com a razão. Lucas se despediu do primo, dizendo que ele não faria nada de diferente, mas que a partir daquele momento, a admiração cessara-se e que ele buscaria um novo caminho para sua vida.

Todos estavam aflitos do lado de fora do quarto e foram logo interrogar Lucas se tudo estava bem entre os dois. Lucas foi evasivo em dizer que as coisas estavam resolvidas e que ele não se lamentaria pelos erros e faltas cometidas, ele estava disposto a buscar um caminho diferente para sua vida. Os familiares adentraram o quarto de Wallace e viram que ele estava com um ar de alívio, mas sabiam que sofria por ter feito tanto mal para uma pessoa que sempre lhe fez o bem.

Lucas não ficou no hospital e regressou para sua casa. Ao chegar em casa, ele verificou na secretária eletrônica que Raquel havia deixado vários recados e tentado falar insistentemente com ele também. Lucas decidiu não retornar a ligação, mas quando estava indo tomar um banho, o telefone tocou novamente. Era Raquel. Lucas atendeu, até de maneira bem educada, e ouvia uma Raquel chorosa e arrependida. Raquel dizia para Lucas que estava arrependida por tudo que tinha acontecido e que o amava na mesma intensidade de antes. Nesse momento, fora como se Lucas tivesse um punhal em suas mãos e transpassasse Raquel. Lucas disse que não acreditava que uma pessoa que lhe amasse pudesse agir de maneira tão covarde, que pudesse se entregar a primeira pessoa que se pusesse a sua frente e não lhe desse a confiança necessária. Raquel admitiu todos os seus erros e tentava de alguma maneira fazer com que Lucas a perdoasse e que os dois pudessem reviver aquele amor.

Lucas, numa atitude, até certo ponto, sublime, disse para Raquel que o amor que ele sentia por ela, ainda estava da mesma forma. Ele não conseguia se desligar desse amor, mas ele não confiava que ela pudesse ser a pessoa certa para ele e que a história deles havia terminado. Raquel pranteou no telefone, implorando uma nova chance de Lucas, mas Lucas estava bem seguro de sua opinião e disse que ela havia jogado fora a chance para a felicidade, que ele havia sonhado diversas coisas, que o seu intuito era que logo que ele conseguisse a sua promoção, ele gostaria de levá-la ao altar. Raquel refutava do outro lado que aquilo ainda seria possível, mas Lucas estava irredutível. E ele acabou encerrando a conversa, dizendo que o amor que ele sentia, ainda estava latente no seu interior, mas a forma como Raquel agiu, não permitia que ele desse uma nova oportunidade para ela. Raquel não suportou e desligou o telefone, totalmente sem voz e sem forças, de tanto chorar.

Lucas chorou muito, após o fim da conversa, afinal de contas, ele sentia um amor muito grande por Raquel, mas a sua razão dizia que talvez ela agisse da mesma forma numa nova crise entre os dois, e isso o consolou.

Lucas deitou em sua cama, após o banho e conseguiu pegar no sono, somente uns quarenta minutos depois, mas logo cedo, por volta de 8h da manhã, já estava de pé novamente. Seus pais, Seu Altair e Dona Sonia, estavam muito cansados, afinal de contas, estiveram durante toda a madrugada no hospital para apoiar Elisa. Seu Altair contou para Lucas que Wallace receberia alta em, no máximo, três dias. Lucas ficou feliz com a notícia e decidiu dar uma volta pelo bairro, de forma a não se sentir tão sedentário e para espairecer os pensamentos de todos os problemas que estava enfrentando naqueles últimos dias.

Enquanto ele cruzava o segundo quarteirão após a saída da sua casa, eis que Renata o encontra e o chama para uma conversa, numa lanchonete do bairro e Lucas aceita. Ela pergunta como estava o seu primo e fica feliz com as boas-novas, mas não deixa de dizer a Lucas que talvez Wallace estivesse sofrendo o que merecesse. Lucas disse que não achava correto alimentar mágoas de ninguém e que ele havia perdoado o primo. Renata aproveitou para dizer que só homens bons teriam um coração tão puro. Lucas sorriu da situação, deu um beijo no rosto de Renata e levantou-se para continuar a sua caminhada. Renata se ofereceu para acompanhá-lo, mas Lucas disse que preferia caminhar sozinho e que Renata era uma pessoa adorável, linda, mas que eles não ficariam juntos. Renata sentiu a força da dispensada, mas permaneceu admirando Lucas de longe, enquanto ele ia virando a rua e fugindo do seu raio de percepção.

Lucas completou a sua caminhada e voltou para casa, louco por um banho e por um bom almoço. Mas, para sua surpresa, quando ele entrou na sala, Raquel o aguardava no sofá. Lucas disse que os dois não teriam mais nada o que conversar, mas ela insistiu para que ele, ao menos, a ouvisse. Lucas aceitou o pedido de Raquel. Raquel mais uma vez insistiu que eles pudessem passar por cima de todos os erros e pudessem reconstruir o relacionamento, mas Lucas, enfaticamente, disse que era algo impossível, pois ele não conseguia mais confiar em Raquel. Ela relutou e ficou de pé, próximo a ele e tentou beijá-lo. Lucas se desvencilhou de Raquel, a segurou levemente pelos braços e disse que o amor que ele sentia por Raquel era incomum, mas que ele não seria capaz de confiar nela novamente. Raquel ficou arrasada e decidiu ir embora. Os pais de Lucas vieram até ele e o consolaram, pois Lucas sofria muito por causa de Raquel. Ele subiu para o seu quarto e foi tomar uma ducha, enquanto sua mãe terminava o preparo do almoço.

Logo após o banho de Lucas, a família assentou-se à mesa e eles começaram a desfrutar de uma deliciosa lasanha, receita tradicional de Dona Sonia, aos domingos. Lucas gostou tanto do prato que até repetiu, mas quando estava quase terminando a refeição, o seu telefone tocou. Ele achou que fosse Raquel, relutou em atender, mas decidiu levantar-se da mesa para atender o telefone. Ele se admirou, pois viu que era uma chamada do seu gerente e decidiu retornar a ligação. Quando o gerente de Lucas atendeu a ligação, Lucas tratou logo de perguntar o motivo da ligação e o gerente explicou que precisava que Lucas estivesse uma hora mais cedo na empresa, pois eles receberiam uma equipe de uma empresa francesa que estava interessada num dos produtos que o departamento de Lucas geria e que os diretores da tal empresa, só teriam aquele horário disponível. Lucas, empolgado com a chefia, disse que estaria na empresa no horário solicitado e o seu gerente ressaltou que ele não poderia atrasar-se. Lucas confirmou mais uma vez o compromisso com o chefe, desligou o telefone e retornou para a mesa, a fim de terminar sua refeição.

Eles terminaram o almoço de domingo, Lucas ainda assistiu a um filme na tevê antes do futebol, que era quase que uma religião para ele, mas nem terminou de ver o debate esportivo da rodada, pois de maneira alguma, queria perder o horário para o trabalho no dia seguinte.

A noite se foi e o dia logo clareou. Lucas nem teve tempo para tomar o café-da-manhã e foi logo tirar o carro da garagem para ir ao trabalho. Seu pai, Seu Altair, tinha saído de casa mais cedo que o filho, pois tinha consulta marcada com o seu cardiologista, logo no primeiro horário da manhã, do outro lado da cidade, e para que não ficasse retido no transito, tratou logo de antecipar-se. Lucas conferiu os pertences para levar ao trabalho, mas estranhamente, o seu carro não deu partida. Ele conferiu a marcação de combustível e viu que estava num nível adequado, conferiu a bateria do carro e nada. O carro não funcionava de jeito algum. O tempo foi passando e com isso o nervosismo com o possível atraso. Já eram vinte minutos depois do horário de saída pretendido por Lucas. Lucas, num ato de desespero, engrenou a segunda marcha e empurrou o carro, mas mesmo depois de um embalo considerável, o carro não pegou. Ele já estava nervosíssimo, pois não poderia se atrasar a esse compromisso. Ele tentou dar partida no carro mais umas duas vezes, mas não obteve sucesso. Foi quando ele se lembrou de um vizinho taxista e foi logo chamá-lo, ele não poderia pensar em ir de ônibus, pois naquele horário, o transito no sentido Centro estava horrível e sua intenção era ir de taxi até a estação do metrô mais próxima e assim evitar o engarrafamento. O vizinho atendeu um pouco sonolento, pois tinha regressado da última viagem às 3h da madrugada, mas falou que levaria Lucas até a estação, uma vez que não seria uma viagem longa, no máximo quinze minutos. Lucas entrou no carro e foi logo ligando para sua secretária para verificar se os diretores já estavam por lá e ele ficou mais nervoso quando ela respondeu que sim. Ele pediu que o taxista acelerasse, pois ele estava com o horário apertado e o taxista, prontamente, o atendeu. O taxista estava a menos de três quilômetros do destino pretendido por Lucas e decidiu acelerar um pouco mais e não percebeu que o sinal estava amarelo a menos de duzentos metros do sinal e quando eles estavam passando pelo cruzamento, um ônibus vindo do lado direito colidiu com o taxi e Lucas não resistiu e faleceu.

Uma morte estúpida e cruel, uma vez se considerarmos que o taxista não chegou ao óbito, só Lucas. A família de Lucas entrou em desespero e trataram logo de avisar os demais familiares. Todos estavam desacreditados do que tinha acontecido e não queriam acreditar que aquele moço, de 23 anos de idade, inteligente, jovem, bonito, bem empregado, estava morto. Dona Sonia não teve forças para ver o filho sendo retirado pelo corpo de bombeiros, mas foi acudida por Raquel, que já tinha se encaminhado para o local, assim que soube do acidente de Lucas. Raquel estava inconsolável. Ela não aceitava a morte de Lucas, mas infelizmente tinha acontecido.

Os procedimentos legais e necessários foram realizados e uma grande multidão acompanhou o velório e o sepultamento de Lucas. O choque de toda a multidão era enorme. Amigos de faculdade, amigos do trabalho, a vizinhança, familiares que moravam no interior do Estado, todos vieram prestar sua última homenagem a Lucas.

Após o sepultamento, Dona Sonia e Seu Altair seguiram para casa e Raquel tratou de acompanhá-los. Eles se despediram de Raquel, assim que chegaram a sua residência e choraram muito. Afinal de contas, Lucas era seu único filho.

Na manhã seguinte, Dona Sonia muito atordoada com o fato recente, obteve forças , sabe-se lá de onde, para arrumar algumas coisas do filho. Após arrumar todas as roupas no armário, como se ele fosse voltar do trabalho, ela se incomodou com uma caixa que estava no fundo de uma das gavetas do armário do filho. Ela apanhou a caixa e viu que lá estavam muitas lembranças da infância. Uma foto tirada no Maracanã com o Zico, um grande ídolo do seu pai, umas figurinha repetidas do seu álbum da Copa do Mundo de 1994, porém dois objetos lhe chamaram mais a atenção. Uma foto dele com seu primo, Wallace, durante uma partida de futebol, onde os dois estavam abraçados após Lucas ter marcado um belo gol e que no verso estava escrito: “O irmão que eu nunca tive. O ídolo que eu sempre terei”. E um envelope, como um extrato bancário e um cartão que dizia que esse era o maior presente que ele poderia proporcionar à sua amada, era um fundo que Lucas estava mantendo há seis meses para uma viagem à Veneza, que era o local mais admirado por Raquel, para eles passarem a lua-de-mel quando se casassem.

FIM

Espero que todos tenham gostado dessa ESTÓRIA e aproveito para esclarecer que qualquer semelhança terá sido mera coincidência. E que não utilizei nenhum acontecimento para inspiração desse conto. Aguardo comentários!!!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Parte III


Raquel ficou deitada em sua cama refletindo sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida e sobre os galanteios de Wallace. Ela bem o conhecia e sabia que ele possuía uma fama de conquistador, mas o achava muito atraente também. As horas se passam e de repente o celular de Raquel toca, era Júlia. A moça estava extasiada pela aventura com Rogério e tratou de contar os mínimos detalhes de tudo que passara na noite anterior. Raquel vibrava com as confissões da amiga e a incentivava a curtir o momento. Júlia contou que Rogério a tinha convidado para uma semana em sua casa de campo em Itaipava, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Raquel a partir desse momento começou a zombar da amiga, de que ela agora estava presa a alguém e pelo que via, parecia que eles estavam se acertando mesmo e que torcia pelo sucesso de Júlia. Júlia confessou para Raquel que não ficaria muito à vontade de ir com Rogério para a casa de campo e convidou a amiga para lhe acompanhar. Raquel negou imediatamente, mas, Júlia disse que precisava da amiga para se sentir mais à vontade e que Rogério tinha pensado em chamar Wallace para estar com eles nessa semana. Raquel achou melhor não viajar, pois ela não estava tendo nada com Wallace e viajar com ele, talvez fosse o pretexto necessário para que ele achasse que os dois tinham algum compromisso. Foi quando Júlia confidenciou à Raquel que Wallace havia comentado com Rogério sobre ela e que ele se julgava completamente apaixonado, a ponto de superar qualquer barreira para os dois continuarem juntos, dessa forma, Raquel contou da mensagem e das flores recebidas e que concordava que Wallace era muito atraente, apesar de toda fama de mulherengo.

As amigas se despediram, já que Júlia disse que estava acabando de aprontar as malas, pois eles viajariam na manhã seguinte e insistiu mais uma vez para Raquel ir com eles, mesmo que ela fosse só como amiga de Wallace. Raquel ficou de pensar, mas estava completamente inclinada a não viajar. Júlia ficou de retornar a ligação após o jantar para confirmar o horário da viagem com Raquel. Raquel concordou, após tanta insistência da amiga e desligou o telefone para tomar banho.

Após o expediente, o gerente de Lucas o convocou até sua sala, a fim de lhe dar as coordenadas para a organização e metas do setor, Lucas se preocupou, pois queria passar na casa de Raquel para um jantar de comemoração com a namorada, mas não podia negar um pedido do chefe. O gerente de Lucas utilizou mais de uma hora para configurar as ações do dia seguinte e disse que tinha convocado uma reunião com todos os cooperadores do departamento de Lucas, para a posse do novo chefe. Lucas ficou feliz, mas tratou logo de se despedir, afinal de contas já era por volta de oito da noite e sair do Centro da Cidade do Rio de Janeiro, numa segunda-feira útil, é uma tarefa árdua, até para quem teria o Aterro do Flamengo como paisagem do seu regresso para casa.
No caminho ele apanhou o celular e telefonou para Raquel, ela identificou a chamada de Lucas e não quis atender. O rapaz insistiu mais três vezes, até que se convenceu que Raquel não estivesse próxima ao celular e ligou para sua residência. A mãe de Raquel, Dona Norma, atendeu o telefone, mas a filha fez sinal para que ela dissesse que ela não estava em casa e que não tinha avisado onde fora e que horas retornaria. Lucas ficou desolado e começou a refletir que talvez Raquel estivesse falando sério quando comentou do fim do relacionamento. Ele pensou consigo que o melhor seria ele aguardar na sua porta pelo regresso dela.

Ele chegou até a casa de Raquel e parou o carro próximo ao portão da amada, já eram praticamente nove horas da noite e nenhum sinal de Raquel, pudera, Raquel estava em casa e não quisera atender Lucas. Como ele não tinha feito nenhuma refeição, ele foi até uma lanchonete na esquina próxima, a fim de aliviar a fome, mas o seu intuito era jantar com a namorada.

As horas se passaram, até que Lucas decidiu ligar novamente. Mais três ligações para o celular de Raquel e ela não atendeu. Ele novamente ligou para a casa dela, sua mãe atendeu novamente, mas dessa vez, ela não teve coragem de enganar o rapaz e passou o telefone para a filha. Lucas ficou irado com a atitude de Raquel e tratou logo de cobrar uma explicação. Ele não entendia porque estava sendo tratado daquela forma. Raquel foi completamente indiferente à Lucas e disse que os dois não teriam mais nada para conversar e pediu que o rapaz não a procurasse mais.

Lucas ficou num misto de raiva e mágoa, e começou a falar asperamente com Raquel. Ele acusou Raquel de não ter sido companheira e de não ter vibrado com as conquistas dele e que ela estava transformando o dia da sua promoção no dia mais infeliz de sua vida. Raquel ignorou Lucas totalmente e disse ter que desligar, pois iria dormir. Mais um choque para Lucas. Afinal de contas, por que Raquel estava tão diferente com ele? Como inverter todo esse quadro? Mas, ele teve uma dose de amor-próprio e retornou para casa. Raquel olhou pela janela do quarto quando Lucas estava indo embora e imediatamente telefonou para Júlia confirmando a viagem na manhã seguinte. Júlia vibrou e confirmou o horário de saída com a amiga.
Lucas regressava para casa completamente atônito com tudo que estava vivendo naquele momento e quando estava próximo de chegar em casa, o seu amigo, Danilo, o avistou e insistiu para que ele parasse. Lucas disse que estava cansado e que teria uma reunião importante no trabalho logo pela manhã, mas Danilo tratou de agradecer a consideração do amigo, de ter ido a sua casa naquela fatídica, pelo menos na visão de Raquel, madrugada. Lucas dispensou os agradecimentos e disse ao amigo que entendia o estado de alegria dele, e que por isso foi na festa que ele fizera para comemorar a aquisição de mais três lojas e aí sim duplicar sua rede de supermercados, mesmo que Lucas tenha encontrado Danilo no caminho de regresso, meio que por acaso. Os dois se despediram e Lucas foi para casa. Lucas chegou completamente atordoado e nem quis jantar, foi logo tomar um banho, talvez numa fuga alucinante para refrescar a cabeça diante de tantas situações controversas. Seu Altair e Dona Sonia se preocuparam com o filho e assim que ele saiu, os dois o procuraram para conversar. Lucas contou a novidade da promoção, seus pais vibraram muito, mas perceberam que o ar triste do filho contrastava com a euforia da chefia alcançada. O filho de debulhou em lágrimas e contou o que estava se passando em seu relacionamento com Raquel, seus pais trataram de consolá-lo e dizer que talvez fosse uma fase e que o filho conseguiria inverter esse quadro ruim. Lucas se recompôs, mas mesmo assim, não quis se alimentar e tratou logo de dormir.
O dia amanheceu e enquanto Lucas corria para o trabalho para não se atrasar para a reunião com a gerencia e seus comandados, Raquel atendia a porta de sua casa. Era Wallace que tinha passado lá para apanhá-la. Ela conferiu se todas as coisas que seriam necessárias estavam na mala, se despediu da mãe e os dois rumaram ao ponto de encontro com Júlia e Rogério. Wallace puxou uma conversa com Raquel e ela pareceu estar bem à vontade com o rapaz. Mas os dois não se beijaram. Logo depois, eles encontraram o casal de amigos e rumaram ao interior serrano.

Lá chegando, ficaram maravilhados com o local - Itaipava é uma cidade muito bonita e dotada de belezas naturais esplendidas. Eles se acomodaram e foram logo recebidos por um delicioso almoço, devidamente preparado pelos serviçais de Rogério. Eles aproveitaram bem as trutas com alcaparras e foram relaxar na piscina da casa. Júlia e Rogério pareciam estar curtindo uma verdadeira lua-de-mel, por sua vez, Raquel estava um pouco dispersa. Wallace se aproximou e começou a galantear a moça e a perguntar a impressão que ela estava tendo de tudo que estava se passando entre eles. Ela foi bem sincera em dizer que o achava atraente, mas que talvez não estivesse pronta para um novo relacionamento, foi quando Wallace, de maneira bem astuta e sucinta, disse que ela deveria aproveitar o momento e que eles não teriam nada a perder. Raquel meio que concordou e os dois terminaram a tarde conversando. O sol já estava se pondo, quando eles decidiram tomar uma ducha e se aprontarem para um passeio noturno.

No Rio de Janeiro, Lucas se saiu muito bem em sua primeira reunião com seu departamento e o gerente estava cada vez mais animado com os prodígios do rapaz. Quando o seu expediente encerrou, ele decidiu ir até a casa de Raquel, pois ele ainda estava muito confuso com o que estava acontecendo e julgava ser necessário conversar pessoalmente com Raquel. O rapaz foi até a casa de Raquel, mas ficou perplexo quando Dona Norma contou que Raquel havia viajado e só retornaria no final da semana. Lucas chorou sozinho em seu carro e foi embora para casa.

Enquanto isso, no Centro de Itaipava, os quatro amigos curtiam um animado passeio e aproveitavam para conhecer e aprender mais da cidade. Eles se encantaram com uma adega fabulosa que tinha uns quitutes maravilhosos também. Afinal de contas, num ar de montanha, um bom vinho e uma fondue fazem muita diferença. Eles aproveitaram bastante, mas retornaram para casa um pouco mais cedo do que os horários habituais da noite carioca. Rogério e Júlia foram dormir juntos e Wallace, com o pretexto de estar sem sono, convidou Raquel para conversarem mais um pouco. Raquel também não estava com sono algum e ficou fazendo companhia a Wallace.

Wallace buscou uma caneca de chocolate quente, àquela hora em Itaipava fazia muito frio, para cada um dos dois e começou a prosear com Raquel. O assunto começou sobre a impressão que tiveram da cidade, das histórias, do aconchego da casa, mas logo ele deixou clara a sua intenção com Raquel. Ela mais uma vez disse estar um pouco receosa de começar um relacionamento, ainda mais que Wallace era primo de Lucas e ela sempre soube que Wallace era quase que o um ídolo de Lucas durante a sua adolescência. Lucas admirava Wallace demais. Mas, Wallace disse que os dois eram pessoas diferentes e que Lucas entenderia se Raquel estivesse feliz, afinal de contas, Lucas já não demonstrava tanto amor por Raquel, segundo Wallace. Raquel concordou com Wallace e os dois acabaram se beijando. Os dois ficaram juntos durante aquela noite.

O dia amanheceu e Raquel, Júlia, Wallace e Rogério se encontraram na mesa para tomar o café-da-manhã. Júlia quis logo fazer uma brincadeira com o novo casal, mas Raquel disse que eles estavam se curtindo e que era muito cedo para pensar em algo mais sério. Wallace abraçou Raquel e lhe entregou uma linda rosa vermelha, devidamente colhida no jardim da casa. Raquel suspirou com o romantismo do rapaz e começou a pensar que ele estava sentindo algo de muito especial, pois ela sabia que Wallace não era de ter esse tipo de comportamento e tendeu a confiar mais nesse relacionamento. Eles aproveitaram os outros três dias, mas decidiram retornar ao Rio de Janeiro na sexta-feira mesmo, pois Rogério tinha que liberar uns pagamentos de sua loja e Wallace tinha um jantar de comemoração do aniversário de sua mãe. Por volta das 13h, eles já estavam no Rio de Janeiro. Júlia seguiu com Rogério e Wallace foi levar Raquel para a casa dela. Lá chegando, eles se despediram no portão e ele pediu que a moça o acompanhasse no jantar de sua família. A moça ficou receosa, mas acabou concordando. Apesar de ela ter um resquício de amor por Lucas, ela tinha muita raiva também, porque ela julgava estar sendo traída.
Dona Sonia, a mãe de Lucas, telefonou para o rapaz para lembrá-lo de trazer uma garrafa de vinho português, que era a bebida predileta de sua cunhada, mãe de Wallace e que ela a presentearia no jantar de comemoração de seu aniversário. Lucas chegou em casa com a encomenda da mãe e foi logo tomar banho para não se atrasar para o jantar. Os três, Lucas, Seu Altair e Dona Sonia foram para a casa de Dona Elisa, mãe de Wallace. Lá chegando, já estavam alguns familiares e, Lucas e Wallace se encontraram e se cumprimentaram normalmente, Lucas não sabia o que estava acontecendo. Wallace disfarçou diante dos familiares que iria até um local próximo para poder ir à casa de Raquel. Quando chegou à casa de Raquel, a moça já estava pronta e os dois logo retornaram para a casa de Wallace. No portão de entrada, Raquel refugou, mas foi encorajada por Wallace porque ele enganou Raquel que Lucas e seus pais não estariam lá e contou com a ajuda do próprio Lucas, que estacionou o seu carro na parte de trás da casa, onde não tinha uma boa iluminação e fora da visão de quem chegava na residência. Wallace apanhou a mão de Raquel e os dois adentraram. Lucas estava de costas conversando com a prima Rebeca, a irmã mais nova de Wallace e nem se deu conta que Wallace chegava com Raquel. Quando Rebeca percebeu, ela ficou tão diferente que o instigou a olhar para trás. Lucas não acreditou no que estava vendo: Wallace e Raquel juntos. Raquel não se sentiu confortável com a situação, mas Wallace tentou agir como se nada de diferente estivesse acontecendo. Lucas era um rapaz muito dócil, pacato, porém explosivo. Ele não resistiu e foi ao encontro de Wallace, antes que ele terminasse de cruzar todo o corredor de acesso e esmurrou Wallace. Os outros familiares vieram até eles para apartarem a briga, mas não foi suficiente, Wallace era muito forte e conseguiu se desvencilhar de dois primos e acabou agredindo Lucas com dois socos no rosto. Quando Lucas caiu os demais familiares conseguiram apartar a briga e Lucas começou a xingar os dois e a ofender Raquel. Ela chorava compulsivamente, por que ela não esperava que aquilo estivesse acontecendo. Lucas perguntou aos dois porque eles tinham feito aquilo com ele, mas Wallace não deu nenhuma resposta e Raquel, decidiu ir embora imediatamente. Wallace tentou impedi-la, mas não conseguiu contê-la e ela apanhou um taxi de volta pra casa. Lucas queria acabar com Wallace, mas foi contido mais uma vez e seu pai o levou de volta pra casa.

Lucas estava arrasado, como o primo querido, que tanto admirava na adolescência e sua namorada, poderiam estar juntos? Como isso aconteceu? Ele não tinha explicações para nenhuma de suas dúvidas e acabou ligando para Raquel. Raquel atendeu o telefone, soluçando de tanto chorar e acusou Lucas de ter sido responsável por aquilo tudo ter acontecido. Ele não entendeu ser responsabilizado por aquilo e ela contou que o viu saindo da casa de Renata (Danilo) às 5h da manhã e que ele havia mentido que estava em casa. Ele disse a verdade para ela, que tinha ido numa confraternização pela aquisição de novas lojas pelo seu amigo, Danilo e que não quis comentar porque ele sabia dos ciúmes que ela tinha de Renata. Ela não acreditou nele e ele não aceitou isso como justificativa para uma traição assim dessa forma. Raquel desligou o telefone e intensificou o seu choro, afinal de contas, Lucas era o seu amado e do outro lado, Lucas não conseguia nem chorar, diante de tanto imbróglio. Seus pais foram até o seu quarto para ver se estava tudo bem e Lucas disse que na manhã seguinte acordaria bem cedo para ir à praia.

E ele fez assim mesmo, acordou bem cedo e foi sozinho à praia de Grumari. Colocou uma música no CD Player do carro, mas trocou logo, pois CD que estava no ponto para tocar era o do Roupa Nova e logo na música Meu Universo é Você (... mais que a luz das estrelas, meu universo é você...) que Raquel sempre fazia questão de ouvir no carro do amado. Ele trocou o CD e pôs para tocar o da Legião Urbana e escolheu sua faixa predileta: Tempo Perdido (... veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...). Mas ele estava muito triste e não conseguia relaxar. A todo o momento, era como se ele visse a cena de Wallace e Raquel juntos, ainda mais quando viu o embrulho do presente que compra para Raquel. Mesmo assim ele conseguiu chegar até a praia, mas não conseguiu ficar lá mais do que duas horas. Retornou para casa e ainda teve tempo de almoçar com seus pais.

Wallace ligou logo de manhã para Raquel, a fim de combinar alguma coisa, mas ela disse que não sairia mais com Wallace e que eles deveriam terminar o que nem sequer tinham começado. Ele se fez de queixoso e mesmo assim insistiu de passar na sua casa no início da noite para eles irem jantar.

Wallace chegou no horário que falara, tocou o interfone da casa de Raquel, mas ela não quis atendê-lo. Ele insistiu e ela o atendeu do portão mesmo. Ela disse que não queria se envolver com ele e que ele deveria buscar um novo rumo para sua vida, assim como ela estava decidida a fazer. Wallace sentiu-se ofendido e saiu furioso. Raquel entrou para casa novamente, enquanto Wallace seguiu para um barzinho, a beira-mar, muito freqüentado pela juventude carioca. Ele tomou pelos menos quatros doses de uísque e duas de vodka. Ele estava completamente fora de si. Sozinho na noite, mas na verdade o que ele sentia era a incapacidade da sua masculinidade, uma vez que Raquel não tinha concordado de dormir junto com ele durante a semana em Itaipava, e era isso que faltava para ele. Ele saiu com seu carro do bar e começou a ligar para Raquel, mas ela não o atendia. A insistência foi tanta que ela desligou o celular. Raquel estava com a versão de Lucas sobre aquela madrugada em sua mente fervilhando e decidiu ir até a casa de Danilo. Ela chamou e Danilo a atendeu. Ele estranhou o fato de Raquel ter ido à sua casa e ela logo pediu que ele confirmasse a versão de Lucas. Danilo prontamente esclareceu o que tinha acontecido e ainda complementou que Lucas queria ir embora logo, que só ficaria uma meia-hora, mas que graças à insistência de Danilo é que ele tinha ficado. Raquel chorou de remorso. Afinal de contas, ela tinha duvidado de Lucas e ainda por cima estado com outra pessoa. Ela decidiu procurar Lucas e partiu para sua casa, enquanto Wallace ligava insistentemente para o seu celular. Wallace estava a caminho da casa de Raquel e nem percebeu que dois carros se aproximaram do seu, a fim de assaltá-lo. Quando ele conseguiu recuperar o reflexo, era tarde demais. O carona de um Chevrolet Astra preto estava com uma arma apontada para ele e pedindo que ele parasse ou morreria. O susto foi tão grande que ele só pensou em fugir dos bandidos e não conseguiu controlar o seu carro. Wallace foi atingido por um disparo nas costas e capotou duas vezes na pista do Aterro do Flamengo. Os bandidos fugiram e Wallace estava todo ensangüentado, quase que morto, dentro do carro.

Próximo ao local existe uma casa noturna e por isso o socorro veio rápido. Eles levaram Wallace para a emergência mais próxima. Como quase que combinado, no exato momento que Raquel entrou na casa de Lucas, o telefone tocava para dar a notícia do acidente de Wallace. Dona Sonia chorava compulsivamente, pois achava que o sobrinho estava morto. Seu Altair tentou acudi-la e Lucas, mesmo que entristecido com o primo, solidarizou-se com a situação do familiar. Raquel não sabia o que dizer e se colocou à disposição para qualquer coisa que eles precisassem. Lucas, elegantemente, pediu que ela deixasse a família sozinha e que ele levaria seus pais até o hospital onde Wallace estava internado. Raquel, antes de ir embora, disse para Lucas que tinha descoberto a verdade e que ele não estivera com Renata, como ela tinha pensado. Porém, dessa vez o sarcasmo foi de Lucas. Ele se limitou a dizer: tarde demais!

Raquel foi embora e Lucas foi para o hospital com seus pais para encontrar seus tios e outros familiares que estavam apreensivos por mais notícias. Dona Elisa, mãe de Wallace, chorava demais por que o médico havia informado que Wallace estava com uma bala alojada próxima ao pulmão e que ele precisaria de uma transfusão de sangue, isso como recurso para salvá-lo. Haviam poucos familiares em condições para doar, uma vez que Dona Elisa não possuía boa saúde para a doação e ele precisaria de uma grande quantidade e o seu grupo sanguíneo O e fator RH negativo, faziam com que essa busca foi mais difícil. Todos choravam, pois seria muito difícil salvar Wallace. Talvez Lucas pensasse que ele estivesse recebendo o que merecia e só lamentava. Lucas caminhou até seus pais e disse que iria até o posto de gasolina mais próximo para abastecer o carro e que mais tarde voltaria.

Dois minutos depois que ele tinha saído, parece que ele foi tomado por um sentimento de arrependimento, ele chorou como criança, pois ele tinha o mesmo tipo sanguíneo de Wallace e fez uma manobra brusca de volta ao hospital. Todos se assustaram com a face chorosa de Lucas e ele avisou que seria o doador do primo. Dona Elisa chorou intensamente, pois não esperava atitude tão sublime do sobrinho e eles foram logo procurar os responsáveis pela doação. Os profissionais orientaram Lucas e ele fez a doação de sangue para o primo. Os médicos realizaram a cirurgia, mas não puderam retirar o projétil alojado no seu corpo. Agora a espera era pela reação de Wallace, será que ele conseguiria recuperar-se dessa cirurgia? Dona Elisa e Seu José Antonio, os pais de Wallace, abraçaram Lucas mais uma vez, agradecendo ao sobrinho pelo gesto nobre. Lucas recolheu-se e ficou numa reflexão introspectiva. As horas necessárias se passaram e os médicos autorizaram a visitação da família. Os pais de Wallace foram os primeiros a entrar no quarto e logo foram acompanhados dos pais de Lucas. Wallace estava respondendo bem, queixava de algumas dores, mas parecia que o pior tinha passado. Seu José Antonio contou para Wallace quem havia sido o doador e Wallace ficou perplexo quando soube que tinha sido Lucas. Wallace quis saber onde Lucas estava e Dona Elisa tratou de buscar Lucas, que só observava pelo vidro da sala de recuperação, para falar com Wallace. Lucas resistiu, mas foi convencido pela tia e adentrou o quarto onde Wallace estava. Wallace olhou para todos no quarto e pediu que todos se retirassem, pois ele queria ficar a sós com Lucas.
Termina amanhã...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Parte II


Raquel mal se despediu de Dona Sonia e de Seu Altair, os pais de Lucas, de forma que os dois nem perceberam o seu choro, mas acharam estranha a atitude da moça. Raquel atravessou até onde estava estacionado seu carro e decidiu ir até à casa de Júlia, a sua amiga que estava com problemas familiares, de maneira a oferecer um ombro amigo e também desabafar. Após uns vinte minutos, aproximadamente, Raquel chegou à casa de Júlia e viu que o clima estava até ameno, para quem havia dito que tinha tido um problema na noite anterior. Júlia explicou à Raquel que sua mãe teve um mal-estar e que teve que ser medicada, porém estava tudo sob controle. Raquel, mal ouviu as explicações de Júlia e começou a se debruçar em lágrimas para a amiga. Ela contou tudo o que supostamente havia descoberto de Lucas. Contou do telefonema, do recado de Renata e da omissão dele em lhe contar a verdade. Júlia disse que entendia o que a amiga estava sentindo e que não permitiria que ela continuasse daquela forma. As duas teriam que sair pra balada, de maneira a se descontraírem. Raquel estava relutante, mas acabou cedendo à pressão de Júlia. Júlia emprestou roupas e sapatos para Raquel, pois ela temia que se a amiga fosse até sua casa para se trocar, talvez não retornasse.

As duas saíram para um restaurante, bem animado na Zona Sul do Rio de Janeiro, pois Júlia queria que a amiga extravasasse na pista de dança. Depois de mais ou menos, quarenta minutos que as duas estavam no restaurante, eis que Júlia percebe que Wallace também estava no local. Raquel estranhou o fato, pois Wallace era o tipo de cara que curtia night e não um “programinha light”, como o que elas estavam fazendo. Como Júlia estava interessada em Wallace, ela fez Raquel convidar Wallace para se juntar a elas. Wallace disse que não haveria problema algum, mas perguntou se elas não se incomodariam de que seu amigo Rogério, estivesse junto à mesa com eles. Rogério era um empresário do setor moveleiro, que apesar de possuir uma única loja, possuía grandes dividendos, uma vez que administrava de maneira eficiente o negócio que seu pai havia lhe deixado. Era um negócio voltado para antiguidades e que vinha de uma tradição em sua família.

Os quatro estavam na mesa e com isso a quantidade de uísques aumentou e Júlia já estava completamente solta. Em um determinado momento, Wallace foi até Raquel e disse que seu amigo Rogério estava interessado em Júlia. Raquel estranhou já que na noite anterior, ela havia combinado de Wallace ficar com sua amiga, mas como que pelo que ela estava passando, não dava pra ter muita razão, decidiu conversar com sua amiga sobre o rapaz. Júlia disse que achava Wallace mais bonito, com um jeito mais másculo, mas que Rogério não era de se jogar fora. Quando Raquel distanciou-se de Júlia, Rogério logo se aproximou e em alguns momentos os dois já estavam se beijando. Wallace se fez de surpreso e sorriu sarcasticamente para Raquel. Raquel achou a situação engraçada, até certo ponto, mas foi logo induzida à ir para a pista de dança com Wallace. Ao som de Keep on Rising, de Ian Carrey, os dois se esbaldavam na pista de dança, mas Raquel estava querendo extravasar sua tristeza. Até que num determinado momento, Rogério e Júlia, disseram que iriam embora e deixaram os outros amigos por lá. Raquel falou que já que a amiga iria embora, ela também se retiraria do local. Wallace disse que eles poderiam ficar mais um pouco e que ele ficaria muito sem graça de sair logo atrás dos outros amigos, uma vez que ele sabia que Rogério iria para seu apartamento com Júlia. E Wallace aproveitou para usar o fato de ter vindo de carona com Rogério para que Raquel o levasse embora. Raquel aceitou ficar mais um pouco e com isso mais uma dose para animar a noite.

Os dois permaneceram no restaurante mais uma hora aproximadamente e decidiram ir embora. Raquel estava um pouco alterada pelo efeito do álcool e Wallace se ofereceu para conduzir o veículo, mas ela não aceitou e jurou ter condições de dirigir. Raquel dirigia o veículo e Wallace puxou uma conversa sobre o relacionamento dela com o primo. Raquel julgou poder acreditar em Wallace e contou tudo o que estava acontecendo e que ela julgava estar sendo traída. Wallace disse que levou a amiga até o local onde ele sabia que Lucas estava porque ele sabia que Lucas estava se envolvendo com Renata, havia algum tempo. Raquel interessou-se e começou a perguntar detalhes sobre o que supostamente Wallace sabia. Wallace contou que em algumas noites, o primo dormiu na casa de Renata. Raquel ficou perplexa, mas quis saber como Wallace sabia de tudo isso. Ele disse que diversas vezes, Lucas ligava para sua casa, para que os dois saíssem e que Lucas freqüentemente ficava com outras mulheres na noite. Raquel estava completamente arrasada e perplexa, pois nunca acreditaria que Lucas seria capaz de tal feito. Até que Wallace perguntou o que a amiga iria fazer diante de tudo isso, quando Raquel disse que ela iria lutar para esquecer Lucas e que não mais o procuraria. Wallace disse que a amiga estava fazendo o correto e que ele daria todo o apoio e ainda galanteou que uma mulher tão bonita e jovem, deveria arrastar uma multidão de pretendentes.

Raquel sorriu com o elogio, mas logo se assustou com um barulho vindo do carro. Wallace pediu que Raquel parasse o veículo e os dois desceram para conferir o que tinha acontecido. O pneu dianteiro direito do carro de Raquel estava furado e precisaria ser trocado. Wallace não se fez de rogado e foi logo tirando a camisa para fazer a troca do pneu, como se precisasse se despir para uma simples troca de pneu, mas o que ele na verdade queria, era exibir o peitoral devidamente esculpido em exercícios supinados com carga de cento e vinte quilos aproximadamente, desses que fazem qualquer mortal ficar com uma aparência de galã de Hollywood. Raquel fez uma brincadeira com o peitoral de Wallace e ele, de maneira bem astuta, fez com que a moça tocasse o seu peito, com o pretexto de Raquel procurar algum excesso adiposo. Raquel alisou o peitoral de Wallace e disse que ele nem parecia ter a idade que possuía e que ele estava muito bem fisicamente. Wallace sorriu e olhou fixamente nos olhos de Raquel, de modo que ela ficou completamente imóvel.

Ele segurou a cintura de Raquel e a puxou contra o seu corpo, ela não relutou e os dois começaram a se beijar. Os dois se beijaram com muita sofreguidão e de maneira louca, mas Raquel logo interrompeu, dizendo que ela não estava em condições de ficar com outra pessoa e que não achava correto fazer aquilo. Wallace fez-se de vencido e terminou a troca do pneu. Os dois retornaram ao carro, de maneira a continuar o regresso pra casa e Wallace percebeu que Raquel estava muito constrangida com ele, porém balançada. Ele aproveitou para fazer mais galanteios e de maneira bem sutil, tocou a perna da moça. Raquel demorou a perceber a mão do rapaz, mas logo pediu que ele retirasse. Wallace se aproximou do pescoço de Raquel e a beijou novamente, ela pediu mais uma vez que ele parasse, mas ele continuou importunando a moça. Ela acelerou o veículo e logo chegou ao ponto de descida de Wallace. Ela desejou uma boa noite, bem sutil, mas ele fez questão de beijá-la no rosto para se despedir e foi quando ele conseguiu roubar mais um beijo de Raquel. Ela relutou em beijá-lo, mas logo foi vencida e os dois se beijaram por aproximadamente dois minutos. Quando terminaram, Wallace se despediu dizendo que tinha sido o beijo mais ardente que ele tinha recebido. Raquel deixou Wallace em sua casa e regressou para a sua.

Ao chegar à sua casa, sua mãe lhe avisou que Lucas havia ligado umas três vezes e que não tinha conseguido falar com ela, o rapaz queria avisar que tinha recebido um e-mail corporativo informando que a diretoria estaria presente na próxima manhã na empresa para que o projeto fosse apresentado. Era a oportunidade que Lucas pretendia e ele gostaria de contar com um incentivo da amada. Raquel ignorou o recado da mãe e tratou logo de tomar um banho. Ficou com pensamentos bem confusos em sua mente, uma hora pensava na decepção que tivera com Lucas e num outro momento, na loucura que tinha acontecido com Wallace. Após o término do banho, ela ligou o seu computador e foi ler alguns e-mails e para sua surpresa, Wallace havia enviado um lindo cartão de amor, com dizeres lindíssimos, ela achou bonito, mas não deu muita importância, pois ela pensara que o que tinha acontecido, tinha sido só um momento. Ela não resistiu à curiosidade e foi verificar a página de recados de Lucas no site de relacionamentos. Raquel espantou-se mais uma vez, Renata havia deixado mais um recado para Lucas e ela mais curiosa ainda, verificou a página de Renata e viu um recado de Lucas, em que ele dizia de maneira bem evasiva que Renata era uma pessoa muito especial e que ele a carregava em seu coração. Raquel explodiu de raiva e decidiu romper de vez com Lucas.

O dia amanheceu e Raquel foi acordada pela mãe avisando que tinha uma entrega para ela. Raquel mal se arrumou para descer até a porta, mas sua mãe já havia recebido a entrega. Raquel viu meio que de longe um lindo buquê de rosas vermelhas, praticamente cintilantes, envoltas numa linda embalagem. Ela correu para apanhar e conferir o remetente, e foi quando se surpreendeu ao constatar que fora Wallace quem havia enviado aquele buquê. Sua mãe acreditava que teria sido Lucas, mas Raquel foi logo avisando à mãe que o relacionamento com Lucas havia sido rompido. Sua mãe estranhou, pois sabia das intenções do rapaz, mas decidiu deixar a filha livre para fazer a sua escolha. Raquel correu para o seu quarto com o buquê em mãos e foi continuar a leitura do cartão. Wallace fazia vários galanteios e pedia que ela ao menos ligasse para dizer a sua impressão com o “romantismo” do rapaz. Raquel ligou imediatamente para Wallace e agradeceu pelas rosas. Wallace disse que ele tinha muito mais para oferecer à Raquel e que aquele era só o começo. Ela foi logo tratando de esclarecer para Wallace que sua intenção não era se relacionar com outra pessoa logo, mas Wallace foi logo falando que sua paixão por Raquel era antiga, mas que ele relutava porque ela estava envolvida com seu primo e que ele não achava correta a atitude do primo com Raquel, pois ele sabia das traições do primo e não achava que Raquel merecesse isso. Raquel agradeceu o carinho de Wallace e deixou no ar que os dois poderiam se encontrar novamente.

Os dois se despediram e logo alguns minutos depois, o telefone da casa de Raquel tocou novamente. Era Lucas. Lucas estava felicíssimo, pois havia sido promovido na empresa e estava muito feliz porque o seu projeto havia recebido destaque na diretoria. Raquel pouco ouviu o rapaz e foi logo falando que isso não seria mais do interesse dela. Lucas não compreendeu a indiferença da moça e cobrou uma satisfação para essa mudança brusca. Ela disse que estava cansada da forma como Lucas estava levando o relacionamento e que havia decidido ficar sozinha para refletir melhor. Lucas ficou num misto de felicidade, pela promoção na empresa, e de tristeza, pelo aparente fim do relacionamento. Lucas, de maneira bem triste, encerrou a ligação e disse que a procuraria mais tarde, Raquel pediu que ele não fizesse isso e que dava o assunto entre os dois como encerrado.

Lucas ficou perplexo, mas achava que o fato da namorada ter agido daquela forma era porque ele praticamente abdicou do relacionamento naquele último mês por essa promoção e que a namorada estivesse carente. Ele aproveitou o seu horário de almoço e foi até uma loja bem sofisticada de relógios, a fim de comprar um presente para Raquel. Ele escolheu um lindo relógio Swatch, que custava em torno de quinhentos reais. Agora o rapaz era o chefe do departamento de projetos da empresa e podia gastar tal quantia para um agrado à amada. Ele pediu que a lojista fizesse um lindo arranjo para presente e planejou convidar Raquel para jantar, a fim de comemorar a promoção e a restauração do namoro.

Continua amanhã...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Parte I


“Veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...”, ao som de Tempo Perdido, hit da Legião Urbana, era que Lucas seguia o seu caminho à praia de Grumari, no Rio de Janeiro. Era uma manhã de sábado, ensolarada e de quase nenhuma nuvem no céu, e ele seguia sozinho, para esse paraíso carioca, mas o seu motivo não era tão motivador. Lucas, na verdade, estava com vontade de sumir de tudo e todos e queria utilizar aquele tempo para se recompor das mágoas. Enquanto ele prosseguia pela Avenida Lúcio Costa, ele abriu o porta-luvas do carro e viu o presente que comprara há uma semana para Raquel e isso muito lhe incomodava. Lucas tinha comprado um lindo relógio para presentear a sua amada, mas havia se magoado demais com ela.

Raquel havia aplicado um duro golpe em Lucas, ela tinha ficado com seu primo, Wallace. Wallace era um trintão, desses que acham que a vida nunca terá fim e que o importante é aproveitá-la. Lucas estava num momento de total atenção no seu trabalho, pois estava batalhando por uma ascensão profissional em sua empresa e por essa razão ficara um mês sem praticamente sair de casa, se dedicando para entregar o melhor projeto e conseguir a chefia tão desejada. Raquel, não compreendeu a atitude dele e o culpava e dizia que ele não dava mais importância para ela. Lucas se justificava, dizendo que fazia aquilo pelo futuro que ele pretendia para eles. Raquel se fazia de compreensiva, mas em seu íntimo, chegava ao cúmulo de acreditar que Lucas a estava traindo. Afinal de contas, como um jovem de 23 anos, com toda beleza da juventude, um bom emprego e uma situação familiar bem confortável, não iria se preocupar com a namorada? E Raquel era uma mulher que merecia toda a atenção do mundo, pois era uma morena, no alto de seus 25 anos (ela era mais velha que Lucas, sim), com um corpo escultural e que provocava muitos ciúmes em Lucas. Nesse tempo em que Lucas estava se dedicando ao trabalho, Raquel foi fazer-se de cupido para uma amiga que estava interessada em Wallace. Como ela conhecia Wallace, por freqüentarem os mesmos lugares, tratou logo de conversar com o rapaz sobre a amiga. Wallace disse que poderia acontecer numa noite de sábado e que ele estaria na boate, em que eles costumavam ir. Raquel combinou com Júlia, a amiga que se interessara em Wallace, de se encontrarem no local, uma vez que a boate era próxima da casa de Júlia e Raquel viria com o seu carro.

Chegado o horário de abertura da casa, Raquel já estava lá e aguardava por Júlia, mas a amiga não chegava. Após quarenta minutos de espera, Júlia liga para o celular de Raquel e avisa que tivera um problema familiar e que não seria possível ir à boate, conforme combinado. Raquel chateou-se, mas compreendeu a situação e foi logo entrando em contato com Wallace para dar satisfação da falta de Júlia. Wallace, como todo conquistador, não se preocupou com isso e convidou Raquel para tomar um drinque, uma vez que ela já estava por lá. Raquel aceitou, pois já era cerca de 1h da manhã e era melhor dirigir com o dia amanhecendo do que com o breu da madrugada. Wallace e Raquel conversaram sobre muita coisa, lembraram de casos engraçados e outros afins. Raquel nem percebeu, mas já estava na quarta taça de sex on the beach (uma típica bebida servida nas boates cariocas, que apesar do gosto adocicado, detém um alto teor alcoólico).

Até que num determinado momento, Wallace questionou a Raquel se o relacionamento dela com seu primo, Lucas, estava bom. Raquel disse que sim, que Lucas estava dedicado a promoção no trabalho e que por isso não estava muito de “night”. Wallace, bem astuto, disse que seria impossível um homem, em sã consciência, deixar uma mulher linda como Raquel, solta pela rua. Raquel resignou-se e disse, de maneira até grosseira, que não estava solta e que estava somente acompanhando a amiga até a boate para o encontro com Wallace. Wallace, disse não acreditar que Lucas estava em casa e instigou Raquel a ligar para seu celular, de modo a saber se o primo atenderia. Raquel disse que não tinha razões para desconfiar de Lucas e que não faria aquilo. Wallace fez-se de vencido, mas depois de mais uma dose para os dois, insistiu no assunto com Raquel. Raquel, após tanta insistência, decidiu ligar para Lucas e o celular dele estava desligado. Eram por volta de 4h e ela não titubeou e ligou para a casa dele. Após três tentativas frustradas, a mãe de Lucas, Sonia, atende o telefone, bem sonolenta e avisa que o filho não estava em casa. Raquel ficou pálida e nervosa ao mesmo tempo, pois não sabia onde Lucas estava. Wallace disse que diria para Raquel, por que afinal de contas ele tinha um carinho muito grande por ela e que ela era como uma “irmã” para ele, onde Lucas estava. Wallace envenenou Raquel de que Lucas estava na casa de Renata (Renata era uma vizinha bem novinha de Lucas, mas que não se incomodava em transparecer que era louca pelo rapaz e Raquel ficava muito incomodada, uma vez que Lucas tinha grande amizade com o irmão de Renata, Danilo). Raquel decidiu ir embora e procurar por Lucas. Wallace disse que ela não teria condições de dirigir e sugeriu que ela deixasse seu carro no posto de gasolina e os dois fossem no carro dele atrás do seu primo, Lucas. Raquel concordou e os dois foram até onde Wallace havia dito que estava Lucas. Chegando lá, Raquel viu Lucas saindo da casa de seu amigo, Danilo. Raquel ficou perplexa e começou a chorar, imaginando que o namorado a estava enganando. Wallace disse que era melhor não descer para falar com ele e decidiu levar Raquel para casa. Raquel estava arrasada, afinal de contas, o namorado que ela sempre amou, mentiu que estaria em casa, mas saía da casa do amigo que tinha uma irmã, inteiramente apaixonada por ele, altas horas da madrugada. Wallace deixou Raquel em casa e combinou de passar lá mais tarde, para que Raquel apanhasse seu carro.

O dia amanheceu e para Raquel, era como se a noite não tivesse passado. Ela não tinha cochilado nem um minuto e ficou durante todo o tempo pensando no que tivera feito Lucas. Por volta de 13h, Wallace tocou o interfone da casa de Raquel e os dois rumaram para onde estava estacionado o carro de Raquel. Chegando lá, Wallace cumprimentou o gerente do posto, que foi seu companheiro de universidade, e apanhou o carro de Raquel. Wallace, percebendo que Raquel estava muito triste, decidiu chamar Raquel para comerem alguma coisa, uma vez que ele não tinha almoçado ainda e acreditava que ela também não. Raquel aceitou e os dois foram a um restaurante italiano que comercializa pratos expressos. Os dois sentaram e Wallace começou a aconselhar Raquel de que ela deveria tocar a vida dela e que ela não merecia sofrer por Lucas, já que ele tinha escolhido um caminho diferente. Mas, Raquel queria tirar essa história à limpo, pois sempre acreditou no caráter de Lucas. Os dois terminaram o almoço e Raquel disse que iria até a casa de Lucas, para saber a verdade da boca dele.

Wallace insistia para que Raquel não fizesse aquilo, pois ela estaria se humilhando demais para ele, mas ela não lhe ouviu por muito tempo e decidiu ir à casa de Lucas. Wallace foi acompanhando o carro de Raquel, pois ele morava há uns três quarteirões da casa do primo. Raquel chegou à casa de Lucas e viu que ele estava fazendo algumas pesquisas na Internet. Ela cumprimentou Lucas, como se nada tivesse acontecido e quando o rapaz foi até o banheiro, ela aproveitou para acessar o site de relacionamentos. Ela acessou com sua senha e foi logo buscando o perfil do namorado, quando ela se deparou com um recado em sua página de recados. Era um recado de Renata, em que ela dizia ter adorado ele ter ido em sua casa na noite anterior. Quando ela ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo, ela fechou imediatamente a página e disfarçou com Lucas. Ele entrou e como nada percebeu, começou a contar para a namorada as aplicações que estava fazendo em seu projeto. Raquel ouvia, de maneira bem dispersa, só tentando encontrar brechas para ouvir a suposta confissão de Lucas. Foi quando ela não resistiu e perguntou o que ele tinha feito desde a noite de ontem, já que eles não tinham se falado. Lucas, conhecedor do ciúme possessivo de Raquel, foi bem evasivo e disse que tinha só trabalhado no seu projeto e que tinha dormido cedo. Foi um choque para Raquel, ela concluiu que Lucas estava mentindo para ela, pois Dona Sonia, talvez pela sonolência, tiinha esquecido de comentar o estranho telefonema de Raquel na madrugada. Ela disfarçou para Lucas que tinha hora no cabeleireiro e foi embora da casa dele, completamente arrasada e julgando estar sendo vítima de traição.

Continua amanhã...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"Eu venci o maior de todos os tempos"


Como freqüentemente faço aos domingos, e assim não foi diferente nesse primeiro dia de fevereiro, preparei-me logo cedo para jogar futebol, que para mim é sagrado, afinal de contas acordar às 6h30min da manhã para jogar às 7h em um domingo é só pra quem gosta e muito. Foi um jogo bem animado e disputado, onde pude mostrar que estou recuperando a melhor forma técnica. Sempre após os nossos jogos, há uma confraternização entre os amigos de grupo, onde jogamos um pouco de conversa fora, comemos e bebemos algo, e aproveitamos também para festejar os momentos célebres do nosso futebol (aquele drible, aquele passe, aquele gol) ou aquele momento torpe (aquele gol perdido, aquele drible recebido), enfim, quase que um ritual de domingo. Porém, confesso que nesse domingo foi diferente, fiquei menos tempo que o habitual, pois não queria de forma alguma perder a final masculina do Australian Open de Tênis, entre Roger Federer e Rafael Nadal, mas sabia que provavelmente, ao chegar em casa, a partida já teria terminado, pois o jogo tinha começado umas 6h30min, no horário de Brasília. Ledo engano. Cheguei em casa, umas 10h e a partida estava no fim do quarto set. Federer igualava a partida e forçava o tie-break.

Apesar de o futebol ser uma paixão quase que intrínseca, confesso, que para mim, o tênis tem algo de fascinante e aprendi a curtir as partidas, apesar de que essa paixão é um pouco antiga, desde os tempos da extinta TV Manchete, em que transmitia as partidas de lendas desse esporte como Ivan Lendl, Boris Becker, Pete Sampras, Andre Agassi, Martina Navratilova, Martina Hingis, Steff Graff, entre outros. Mas, confesso que o jogo de Federer é o que mais me chamou a atenção ultimamente, digo isso porque nem com o nosso Guga Kuerten me motivei tanto. O suíço detém 13 títulos de Grand Slam (que são os principais torneios profissionais como Australian Open, disputado na Austrália, Roland Garros, na França, Wimbledon, na Inglaterra e o US Open, nos Estados Unidos), sendo que desses, só Roland Garros ainda não foi conquistado por Roger. E ainda, tem a chance de superar o recordista que é Pete Sampras, com 14 títulos de Grand Slam, uma vez que Federer tem 27 anos de idade e completar a Career (que é o termo utilizado para sagrar o campeão de todos os torneios de Grand Slam), feito que só o célebre André Agassi detém na categoria masculina, desde a era Open do Tênis Profissional e detém o recorde de mais semanas como número 1 do Tênis Profissional (237 semanas no topo da ATP).

Cheguei em casa e logo sintonizei a ESPN para acompanhar a transmissão da partida e o que vi foi um espetáculo à parte, as devoluções e as subidas na rede de Federer eram fenomenais, mas do outro lado, havia um verdadeiro campeão: Rafael Nadal, da Espanha. Federer conseguiu empatar a partida, mas no tie-break (set decisivo), Nadal levou a melhor e conquistou o título. Uma frustração, uma vez que já há algum tempo que Federer perdeu o posto de número 1 para Nadal e vem perdendo jogos e finais para o espanhol, em locais onde nunca se imaginou, como por exemplo, Wimbledon em 2008 e o próprio Australian Open 2009, pois Federer é especialista na grama de Wimbledon e na quadra dura da Rod Laver Arena, da Austrália. Já chegava a ser incomoda a questão de sempre o Roger perder para o Rafa em finais. Acompanhei o restante da transmissão e no discurso de premiação, eu vi uma cena que não sairá da minha cabeça. Quando Federer foi discursar durante a cerimônia de premiação (um feito comum no Tênis), ele não se conteve e chorou durante o seu pronunciamento. Todos na Arena olharam aquela cena, estupefatamente, e o que mais se emocionou com aquilo fora Rafael Nadal. A ponto de ele dizer, durante o seu pronunciamento de campeão, que sentia muito por Roger, por tudo que ele estava passando e que se sentia mais feliz por ter conseguido vencer onde Roger era praticamente um deus. Um feito inimaginável, mas que foi possível por causa de seu talento e dedicação com esse esporte. Nadal, com suas palavras demonstrou duas importantes lições que devemos carregar em nossas vidas.

A primeira é que temos que ter uma real idéia do nosso feito, da nossa vitória e para, aí sim, darmos valor às nossas conquistas. Nadal não venceu um simples tenista ou um tenista novato, mas venceu aquele que é apontado por muitos, como o maior tenista de todos os tempos. Isso quer dizer, que quando estabelecermos uma meta ou um plano em nossa vida devemos ter consciência de que não devemos confundir processo com realização. Ou seja, se o nosso objetivo é obter um emprego rentável, não podemos achar que o fato de estar numa colocação que promova a possibilidade de arcar com os custos de uma formação ou a mera capacidade de sobrevivência, seja o fim da linha. É preciso entender aonde se quer chegar. Num país, onde a educação não é reconhecida, onde cada dia mais vemos exemplos de pessoas que vencem pela perspicácia e/ou pela astúcia, devemos celebrar o fato de termos concluído o Ensino Médio, concluir o Ensino Superior é uma razão para uma festa, uma pós-graduação ou um Mestrado é um feito maior ainda, assim como concluir um curso de idiomas. Devemos saber o quanto lutamos e o quanto sofremos para chegarmos ao nosso objetivo. Um atleta, para alcançar um grande feito precisa de muito talento, treinamento e dedicação, assim como nós para nossas metas pessoais. Diversas vezes teremos que abrir mão de um luxo ou de um lazer, para que um futuro melhor seja percebido mais à frente.

E a segunda e maior lição, é de que temos que sempre lembrar que assim como nenhum fracasso é eterno, nenhum sucesso também o será. Tudo o que Nadal está vivendo em sua carreira profissional, muitos outros tenistas, como Federer, já viveram. O que dizer da sucessão de John Mc Enroe por Bjorn Borg? De Borg por Ivan Lendl? De Lendl por Sampras? E de Sampras por Federer? Agora o mundo vive a transição de Federer para Nadal, mas o espanhol não se engana e sabidamente, percebe que tudo isso terá um fim e que por isso ele precisa estar mais preparado e buscar novas motivações a cada dia, de forma que ele não caia na armadilha do comodismo do sucesso. Quantas vezes já não ouvimos a célebre frase: Chegar ao topo é fácil, difícil é manter-se lá? E esse tem sido um grande erro de muitas pessoas ultimamente. As pessoas acham que simplesmente adentrar numa grande empresa é o fim da linha, quando não percebem que precisam melhorar a cada dia e que o mercado exige um desenvolvimento voraz e que se ela não alcançar a maturidade necessária do cargo, ela nunca será insubstituível. As pessoas acham que o fato de conseguir abrir o próprio negócio num bom local é o suficiente, mas se esquecem que tem que haver muita dedicação e que ela terá que se dispor de maneira incondicional até que o ponto se estabeleça. As pessoas pensam que possuir um diploma é um ingresso para o mercado de trabalho, mas se esquecem que cada vez mais as empresas têm buscado pessoas com bom relacionamento interpessoal, com comprometimento com os objetivos estratégicos da organização, com capacidade de persuasão, entre outras características.

Ou seja, chegar ao sucesso não é um processo e nem um estado efêmero, mas uma busca contínua que deve ser recondicionada a cada dia e que o maior combustível para tudo isso é a nossa dedicação. Assim como um atleta não consegue vencer se não se preparar de maneira adequada, assim também, não conseguiremos obter os resultados almejados se não fizermos da maneira que tem que ser feito.

Por isso, compreenda de uma vez por todas que o único lugar que o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário e que sem dedicação, nenhum feito será possível e que devemos nos acostumar a sonhar com coisas grandes, deixem as pequenas coisas para aqueles de desaprenderam a gostar de viver!

Errei mais de 9000 cestas e perdi quase 300 jogos, em 26 diferentes finais de partidas fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso.” (Michael Jordan)

P.S: A partir de amanhã, iniciarei uma experiência aqui no blog. Postarei uma história que será contada em capítulos diários. Conto com o apoio de vocês, mas ressalto que nunca busquei prestígio e que o meu maior incentivo é fazer com que as pessoas possam ver a vida de uma forma diferente, que choquem o seu estilo de vida e persigam seus sonhos.