quinta-feira, 19 de março de 2009

O padrão não é o mesmo, é verdade, mas...


Um dos programas mais populares dos anos 80, sem dúvida alguma foi o do grande Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha. Ele tinha um bordão incrível que dizia que “na tevê nada se cria, tudo se copia”. Nada verdade, ele parafraseava o grande cientista francês Lavoisier quando o mesmo disse que “na natureza, nada se cria, tudo se transforma”.

Há mais de 20 anos que Chacrinha morreu, mas o que vemos hoje em dia é um lote imensurável de cópias televisivas e, o pior, de um gosto duvidoso. Lembro-me que a TV Globo, durante muitos anos, tinha um slogan que propagava o Padrão Globo de Qualidade, onde o foco de sua audiência eram as classes A e B. Isso na época do José Bonifácio de Oliveira, o Boni. Mas, quando a ex-superintendente Marluce Dias assumiu, o foco passou a ser outro e os programas populares passaram a ter mais chances.

A TV Globo chegou a ter 70 pontos no Ibope na exibição de suas novelas, porém, hoje, é muito difícil ultrapassar os 50 pontos e quando isso acontece, é uma celebração. Todos disparam: A Globo está perdendo terreno e não tem mais a mesma audiência, uma vez que passou a investir em programas de auditório e reality shows.

Porém, um recente levantamento de órgãos especializados verificou que a última edição do reality show mais famoso da empresa, BBB9, mesmo amargando baixos índices de audiência, é o que mais vendeu. Conseguiu ultrapassar o recorde de venda de pay-per-views e de contrato publicitários. O Domingão do Faustão, que há mais de 20 anos empobrece as nossas tardes dominicais, só perde em patrocínio para as novelas, Jornal Nacional e para o futebol.

Diante de todas essas colocações, cabe uma pergunta: Será que a alta cúpula da Globo está preocupada com a perda nos índices de audiência? Obviamente sim, uma vez que os contratos publicitários são negociados de acordo com esses índices, mas o faturamento não diminui, ele, pelo contrário, vive um constante crescimento.

Por outro lado, eu vejo uma crescente corrente que ataca os programas globais, dizendo que não detém as marcas de audiência anteriores e tal, e querem nos empurrar goela à baixo, programas que estão fazendo um “estrondoso” sucesso. E o filão da vez é o (pífio) CQC (Custe o Que Custar, de Marcelo Tas, a BAND exibe às segundas-feiras).

Um momento, por favor. Mas a Globo está em declínio e o CQC é a coqueluche do momento? Só que o CQC detém 4 ou 5 pontos no Ibope, sendo que esse índice é medido na Grande São Paulo e serve de projeção nacional, ou seja, nem mesmo no seu domicílio consegue atingir algo considerável e todos já querem induzir que o programa é sucesso. Qual o parâmetro?
Na verdade, a Globo é uma Organização muito bem trabalhada estratégica e gerencialmente. Hoje, com o aumento do poder de aquisição das operadores de TV a cabo e a miscigenação das mídias, o público para assistir televisão diminuiu consideravelmente, mas nada que chegue a assustar o poderio da Globo. Uma vez que 5 pontos de um programa pífio não seriam capazes de abalar os 25 pontos do filme repetido pela enésima vez na Tela Quente.

É lógico que a programação não é mais a mesma, além do fato do comando ser outro, tem o fato de que a Globo quer vender outros produtos seus. Para se ter uma idéia, a Globo é sócio-majoritária da NET (Operadora de TV a Cabo) e sócia da Directv na TV por Assinatura, SKy. A Globosat que possui um leque de vários canais em seu portfólio é uma gigante que cresce cada vez mais.

A idéia não é fazer defesa da Globo, até porque além de ser muita pretensão, eu tenho absoluta certeza de que eles não precisam disso, mas dar um basta em coisas difundidas por várias mídias de que programa A é sucesso, se não tem nem cota de patrocínio que o garanta até o fim do ano.

O que nós vemos hoje em dia é uma maior concorrência nas novelas, mas dizer que Dado Dolabella, Leonardo Vieira, Lavínia Vlasak são estrelas de classe maior é forçar muito a barra. Onde Marcelo Resende teria condições de assumir a bancada, não digo nem do Jornal Nacional, mas de um Bom Dia Rio? É por essas e outras que quando eu quero saber de notícias, assisto ao Jornal Nacional, ao Jornal da Globo e recorro por vezes ao Em Cima da Hora, da Globo News também. Quando eu quero assistir a algum evento esportivo, eu sei onde ter uma correta transmissão e dados relevantes na transmissão e não um ex-jogador com sotaque caipira para fazer gênero. Quando a minha vontade é entretenimento, nem se fala, prefiro ficar acordado até mais tarde para assistir ao Jô Soares e ao Altas Horas do que assistir No Coração do Brasil e Hebe.

Pra terminar, que fim levou A Casa dos Artistas e a Escolinha do Barulho?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Imagem não é nada!


O título da cronica faz uma clara referencia a uma campanha comercial do produto Sprite, da Coca Cola Company, onde questionava o valor da imagem.


Desde o fim do primeiro e início do segundo governo de George W. Bush, nos Estados Unidos, a tensão foi um componente quase que diário na vida dos americanos e na vida de toda população mundial, sem sombra de dúvidas. Afinal de contas, ninguém consegue se esquecer dos ataques terroristas ao World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001, que acabaram culminando com os ataques ao Afeganistão e posteriormente ao Iraque.

Era uma suspeita mundial de que eles possuíam armas químicas e biológicas, o que nunca foi provado. Mesmo assim, vimos pela mídia desde torturas de presos a enforcamento de líder de um povo, mesmo que ditador (até porque Saddam Hussein poderia ser tudo, menos inocente).

Como a política é algo completamente volúvel e volátil, George W. Bush que havia recebido total apoio da população no combate ao terror, pelos episódios de 11 de setembro de 2001, passa a ser o carrasco do mundo com a invasão e barbáries no Iraque, em Março de 2003. O mundo passou a questionar a necessidade de um combate tão veemente e qual seria a razão de tudo aquilo. Enquanto a guerra se arrastava no Oriente Médio, a economia americana sofreu vários abalos e o que vimos no fim do último ano foi uma verdadeira onda de crises que afetaram muitas empresas gigantes, antes vistas como inatingíveis. O mercado de imóveis despencou, o desemprego aumentou, empresas faliram e também demitiram em massa. Para termos uma idéia, a previdência americana nunca pagou tantas verbas como no último ano e o governo estudou um projeto de sobretaxar as empresas por causa das demissões.

Mas, o mundo se atentou a disputa entre o possível primeiro presidente negro da história americana e aquele que carregava o fardo da continuidade do governo da luta contra o terror. E como Barack Obama, com todo seu carisma e persuasão, conseguiu uma expressiva vitória para a corrida presidencial americana, o mundo viveu uma onda de esperança. Afinal de contas, o lema de campanha de Obama era: “Change. We can believe in” (que em português significa: “Mudança. Nós podemos acreditar”.

A esmagadora maioria dos chefes de Estado saudou o novo líder mundial e via-se que podia ser um grande redentor em toda a crise mundial, que a essa altura não afetava somente aos países ricos, mas a todo o mundo.

Porém, sem querer ser o dono da verdade ou rotular o presidente americano, até porque não tenho pretensão de fazê-lo, o que toda a população mundial tinha expectativa era de que ele arregaçasse as mangas e trabalhasse em favor de seu povo e conseqüentemente para o bem dos demais países. Mas, pelo menos a uma primeira impressão nesse primeiro trimestre, é que na verdade não estamos diante de um líder, mas diante de um pop star.

Eu sei que tem todo o lado sentimental da coisa. O primeiro negro eleito presidente de uma superpotência, um senador de sucesso e coisas do tipo, mas eu pergunto: Quais as medidas adotadas por Obama afim de, ao menos, amenizar a crise mundial?

Numa esfera bem menor, mas para ilustrar o raciocínio, eu fico imaginando um pai de família que tem contas para pagar durante o mês, só que está com um filho muito doente e ele vai ter que dispor de dinheiro para medicação e tratamento médico. Ou seja, ele terá que trabalhar de maneira a conseguir ganho extra para suprir suas necessidades familiares, ou ele irá se ver à beira de um colapso. O que ele faz? Ele busca trabalhar após o expediente, busca um empréstimo bancário, enfim, ele busca soluções para a dificuldade de sua família. Era como se esse pai de família, ao invés de comprar o medicamento, fosse assistir um jogo de futebol numa quarta-feira à noite, todas as semanas.

Era o mínimo que esperávamos do presidente americano, mas ele intentou em aprovar no senado americano um valor para financiamento da guerra, não tomou muitas atitudes com a crise do sistema bancário e imobiliário americano, mas posa diante das câmeras como um ator Hollywoodiano.

A foto, que estampa essa crônica, foi tirada no dia 28 de fevereiro de 2009, em Washington, durante um jogo de basquete entre o time da cidade, Washington Wizards e o time de Obama, Chicago Bulls. Não quero parecer pessimista, mas o que ele demonstra até o presente momento, é que ele não será o presidente que esperávamos e que provavelmente essa crise se arrastará por mais tempo que o suportável.

Talvez muitas pessoas achem que esse papo nada tem a ver conosco, que esse negócio de cenário político e econômico mundial é uma chatice, mas esquecem que nosso futuro e de nossas gerações podem estar atrelados a decisões de agora; não podemos fazer como o nosso ilustríssimo presidente que disse que no exterior a crise muito maior que no Brasil.

Empresas brasileiras estão colocando funcionários de férias coletivas, sem previsão de volta. Sejam montadoras de automóveis do ABC paulista, seja laboratório da indústria farmacêutica. Com isso, a inadimplência começa a crescer, o crédito fica mais caro e escasso, e, com isso, as médias e pequenas empresas ficam sufocadas e sem condições de se solidificarem.

Confesso que eu queria ver um presidente anunciando, não um pacote de medidas vãs, mas mostrando o seu plano de sustentação de uma super economia e não ficar com a imagem de que se o mundo lá fora se acaba em desgraça, nós podemos ser felizes.

O que me parece (e eu torço que esteja completamente errado) é que o Obama é um personagem que serve para alterar o foco do cenário mundial, uma vez que os problemas continuam os mesmos, mas é até empolgante ver o presidente americano num ginásio de basquete assistindo um jogo e tomando cerveja.

Isso, para mim (mais uma vez repito que não quero ser o dono da verdade), parece que é uma clara tentativa de manipular o nosso sentimento com tudo que está acontecendo. Demonstrar uma falsa tranqüilidade e um carisma para solucionar problemas não é suficiente. Precisamos de atitudes sérias e rápidas, porque o mundo vive a beira de um verdadeiro colapso. Ou será que a frase da (argh!) Marta Suplicy durante o transtorno nos aeroportos brasileiros também seria aplicada agora?

Pois é, gente, política é realmente algo chato, mas de vez em quando temos que pensar um pouco nisso tudo. Só para encerrar, a previsão otimista dos economistas, conforme divulgado pelas principais mídias, é de que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro fique em 0%. Sabem o que isso significa? Que o nosso país não crescerá nada nesse ano, que esse ano será um ano de estagnação.

Um laboratório farmacêutico gigante, Medley, deu férias coletivas a todo seu pessoal aqui no Rio de Janeiro e eles estão sem previsão de retorno e, pior, sem receber qualquer remuneração. O Bom Dia Brasil, da TV Globo, mostrou um terminal de cargas na Grande São Paulo, com cerca de 800 caminhões parados. Isso por que eles não tinham viagens que compensassem seus custos e muitos já sofriam problemas de crédito.

E por aqui seria uma marolinha...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quem roubou nossa coragem?


“Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis. Desde pequenos nós comemos lixo comercial e industrial, mas agora chegou nossa vez, vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação, Geração Coca-Cola. Depois de 20 anos na escola não é difícil aprender todas as manhas do seu jogo sujo, não é assim que tem que ser. Vamos fazer nosso dever de casa e aí então vocês vão ver suas crianças derrubando reis, fazer comédia no cinema com as suas leis”.

O célebre Renato Russo no início dos anos 80 fez essa composição que era uma crítica a certa americanização da nossa sociedade e da propagação esmagadora de cultura, usos e costumes do povo da terra do Tio Sam. Logicamente que não há como garantir, mas a impressão que eu tenho é que ele escolhe o título da canção por verificar que a Coca-Cola é um dos maiores símbolos dessa americanização sofrida, com grande alarde no início dos anos 80.

Eu concordo com o conceito de Renato Russo quando ele difunde que uma geração de jovens não pode ser passiva de maneira a só receber o que o mundo oferece e não buscar novos horizontes e parametros para sua vida, afinal de contas, juventude é uma época da vida em que os projetos e planos pro futuro têm que ser embasados no gosto do desafio e na força que essa época da vida proporciona. Essa composição é uma força para que um despertar da juventude ocorra.

Os anos 80, em minha modesta opinião, foram a década mais representativa da nossa sociedade. Afinal de contas, grandes sucessos do cinema, da literatura, do teatro, da música e das artes em geral foram forjados nesse período. Porém, quando nós observamos o panorama atual da nossa juventude, fica difícil imaginar que um dia o grande sonho era que o Brasil seria o país do futuro.

Acho que esse “fracasso” (escrevo fracasso entre aspas porque não acredito que tenha sido algo inerente a um comando apenas) não tem muito a ver com as conotações e diretrizes políticas que o nosso país passou nos últimos 30 anos. Acho que na verdade, fomos sufocados por uma demagogia excessiva da sociedade, onde muito era falado e pouco era dito.

Isso mesmo, eu acredito que a razão dessa não-obtenção desse objetivo está diretamente ligada a forma como nos socializamos. Pois numa sociedade onde não se vive de acordo com regras capitais e o que é relativo passa a ser absoluto e vice-versa, o resultado é o caos. Com isso nós identificamos que o número de adolescentes grávidas, de separações, de barbáries têm crescido no meio da população jovem. Qual a razão de tudo isso? Simples. Estimulou-se o jovem a ter prazer a qualquer custo, mas não o ensinou a se proteger e todo jovem sabe que é um tabu, muitas vezes individual, proteger-se. Afinal de contas, nenhum rapaz de 15 ou 16 anos, se sente tão à vontade para comprar preservativos numa farmácia, ou uma menina consegue fazer uso de pílulas anticoncepcionais sem incomodar-se com as suspeitas da família e ainda tem o fato do preconceito de que se os dois se protegem entre si é por que “não confiam” um no outro, afinal de contas, se eles se relacionam somente entre eles, por que toda essa proteção?

Outro fator preponderante nisso tudo é o que as pessoas usam uma paixão momentanea para se afastarem de problemas familiares que estejam vivendo. Quantas moças por que não tem o carinho especial que gostariam do pai, não se interessam por homens mais velhos? Até numa expectativa de suprir essa carencia, como vislumbrar a possibilidade de aniquilar aquele sofrimento imposto dentro de casa, mas se esquecem que para se ter uma vida a dois é necessário muito mais que paixão, porque paixão tem um tempo curto de duração, no máximo dois anos, e logo o caos é o destino.

Ou a imbecilidade juvenil, que os faz agir como se estivessem na selva e buscam agir de acordo com a sua força. Antigamente, amigos se desentendiam no futebol pela tarde, mas a noite estavam de bem, fazendo como que nada de mais tivesse acontecido. Hoje em dia tudo é prenúncio para uma tragédia e os relacionamentos humanos estão cada vez mais escassos; ou então os jovens que em grupo cometem barbáries sem qualquer razão para tal, talvez seja o glamour que os feitos realizados tenham é que grande parte da juventude embarque nessa canoa furada. A consequencia? A população de presidiários entre pessoas de 18 a 30 anos nunca cresceu tanto como agora.

Cadê o romantismo e o idealismo dessa juventude atual? Será que basta somente um gole e um trago numa noite agitada de balada com um fechamento sexual para ser feliz? Logicamente, não é do meu feitio ser puritano, que são coisas que complementam a vida de muitos jovens, mas não podem ser o norte delas. É preciso querer mais e preparar-se para atingir esse objetivo. O problema todo é que falta objetivo.

Hoje nós vivemos a “Era das Oportunidades”. Não é necessário atualizar-se constantemente, formar-se, ter uma boa base familiar, basta aparecer uma boa oportunidade para que as pessoas embarquem nessa brecha. É a oportunidade de uma jovem bonita, que ao invés de buscar um curso de turismo ou ensino de línguas, busca frequentar lugares badalados e de gente influente para conseguir alguma colocação no “mercado”. Hoje se o homem ou a mulher possuem boa forma física e boa aparencia é suficiente para alcançar algo pretendido. O problema nisso tudo é que essas bases estão postas em terreno arenoso, pois o tempo passa para todos e talvez num futuro próximo, não seja possível manter essa ostentação.

Eu continuo acreditando que é possível ter um futuro melhor, que é possível recuperar a identidade dessa juventude e que o está sendo vivido ainda é pouco diante do que se pode viver.

Para finalizar, eu quero destacar alguns trechos de uma das maiores canções de Renato Russo e fazer alguns comentários para que nós sejamos encorajados a acreditar num futuro melhor para nossas vidas, que as circunstancias adversas não serão capazes de nos impedir de alcançá-las, que mesmo que as pessoas estejam se degradando, nunca é tarde para mudar o curso de uma vida e que a expectativa pelo amanhã tem que ser maior que a expectativa do hoje. Portanto: Viva, sinta e seja feliz – você pode! Ser jovem não é uma questão de idade é uma questão de atitude.

Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só
(O sol bate todos os dias em nossas janelas, portanto a oportunidade de rever a vida é diária)
Por que esperar? Se podemos começar tudo de novo, agora mesmo
(O momento é já e o mínimo necessário é o primeiro passo)
A humanidade é desumana, mas ainda temos chance
(A sociedade não vive aquilo que apregoa, mas podemos fazer diferente)
O sol nasce para todos só não sabe quem não quer
(A oportunidade é dada para todos, sem distinção)
Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?
(Em um passado recente, achávamos que seríamos super e hoje nos conformamos em ser mini)
Tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor
(As pessoas relegam seus sonhos porque não se dispõe a dureza da batalha que pode ser necessária para alcançá-los)

(Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto – Legião Urbana)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Chorão, Pelado & Champignon


Há algum tempo atrás, eu estava indo para o meu antigo trabalho de condução e para aliviar o estresse da viagem, parecia até ironia porque viajar num ônibus que transportava muito mais pessoas que podia e tudo isso sem condicionador de ar, a empresa disponibilizava um “serviço” de som para que os passageiros pudessem ouvir as notícias do dia e algumas músicas também. E a rádio escolhida pelo condutor do coletivo era a JB FM, pra quem conhece uma rádio carioca bem elitista, onde o som mais popular que você escuta é Ana Carolina. Depois de uns vinte minutos de viagem, já um pouco próximo do meu ponto de descida, eis que estranho uma música que tocava na rádio:

“Ela achou o meu cabelo engraçado, proibida pra mim, no way... se não eu quem vai fazer você feliz, se não eu quem vai fazer você feliz, guerra!”

Eu fiquei espantado com aquilo e logo percebi que não era o Charlie Brown Jr que estava cantando aquela música, era o “ilustre” Zeca Baleiro. O pior de tudo não foi o Zeca Baleiro ter regravado essa música, mas a rádio elitista tocá-la e por condições contratuais, citar os autores da composição. Foi hilário ouvir o locutor dar os créditos ao fim da música: “Proibida pra Mim, com Zeca Baleiro, de Chorão, Pelado e Champignon. (risos)

Será que a música passou a ser outra na voz do Zeca Baleiro? Logicamente que não. E, esse é só um caso utilizado para ilustrar a percepção que as pessoas têm para rotular aquilo que elas acham que é de bom senso e o que acham que é popular.

Isso me resigna profundamente porque é como se as pessoas fizessem um padrão para entender o que é cultura. Quando na verdade, a cultura é uma constante variação de módulos e gêneros, e acima de tudo, expressão. Seja pagode, samba, hip-hop, blues, rock, funk, não importa, tudo é cultura.

Agora o que algumas pessoas querem é impor os seus gostos e estilos e dizer que o que for fora daquilo não deve ser considerado. Engraçado que quando a Gal Costa e o Zeca Baleiro fizeram uma gravação de Vapor Barato (eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus) ela foi entendida como uma música de bom gosto. Agora por que quando O Rappa cantava nunca foi? Por que virou um frisson nacional a versão que a Adriana Calcanhoto fez de Fico assim sem você (futebol sem bola, piu-piu sem frajola, sou eu assim sem você) se na verdade essa música foi um hit da dupla Claudinho & Buchecha?

Outra contradição nesse tema é que muitas pessoas acham que o Roupa Nova regravou uma música de Sandy & Júnior, quando na verdade, a composição da música A lenda (se a lenda dessa paixão faz sorrir ou faz chorar o coração é quem sabe) é dos componentes do Roupa Nova. Ou seja, acham, por pura ignorância, que o Roupa Nova, grupo que faz sucesso há mais de 20 anos, precisaria regravar um hit de uma dupla para aumentar as vendas de suas cópias.

Devemos entender as diversas correntes de cultura e não rotular tipos como de bom gosto e outros de mau gosto. O que pode nos nortear nessa questão é a nossa preferência, nada mais. Eu não preciso freqüentar roda de samba para saber que o Arlindo Cruz é um excelente compositor, ou será que a música que a Maria Rita interpretou para uma novela global, chamada Tá Perdoado (defumei o corredor, perfumei o elevador pra tirar de vez o mal olhado) não tem qualidade?

Em contrapartida, fica uma dúvida para mim. Se outra cantora qualquer tivesse gravado a música Não é Proibido (jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete...) que é hit na voz de Marisa Monte, será que seria tão bem vista? Por que a música Sinas de fogo (quando você me vê eu vejo acender outra vez aquela chama, então pra que se esconder, você deve saber o quanto me ama...) na voz de (argh!) Preta Gil é horrível e quando a Ana Carolina canta no DVD Estampado é esplendida? Ou então, quando a Negra Li canta "eu sei que você sabe que eu sei que você sabe que o meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você" é uma letra sem nexo, mas ninguém se recorda que é uma citação de uma música de Marisa Monte chamada Eu sei (Na mira) que tem o mesmo refrão.

Eu tenho as minhas preferências musicais e os artistas que me induzem a comprar um CD ou baixá-los na internet, porém não dá pra simplesmente repudiar aquilo que é contrário ao meu gosto. Hoje, eu tenho um gosto muito mais eclético do que outrora. Até por que, enquanto aqui no Brasil, jogamos garrafas no Carlinhos Brown, ele continua abrindo shows do Sepultura na Europa; enquanto continuamos celebrando músicas tolas como NX Zero, o Linkin Park vendeu milhões de cópias numa parceira com o rapper americano, Jay Z.

Falar de cultura, ainda mais de gostos musicais é muito extenso e complexo, mas vale enfatizar que eu tenho que ter o meu critério de avaliação. Se eu não afeiçôo com o ritmo, não posso menosprezar a qualidade do intérprete, assim como se eu julgo a qualidade sonora, não posso simplesmente aniquilar o peso do balanço da música.

Pra encerrar, quero expor uma música composta por um bêbado, ensandecido, mas que foi um dos grandes compositores do século passado, de modo que Cazuza o curtiu e assim a produção do filme Cazuza – O tempo não pára fez questão de citá-lo:

“Bate outra vez com esperanças o meu coração. Pois já vai terminando o verão. Enfim volto ao jardim com a certeza que devo chorar, pois bem sei que não queres voltar para mim. Queixo-me às rosas, mas que bobagem as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti. Devias vir para ver os meus olhos tristonhos e, quem sabe, sonhavas meus sonhos por fim”
(As rosas não falam - Cartola)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mudanças: Nós podemos vivê-las


Em tempo: O título da cronica é um trocadilho com o slogan de campanha então candidato Barack Obama à Presidencia dos Estados Unidos que dizia: Change: (Mundança) We Can Believe in (Nós podemos acreditar)


Às vezes eu paro, penso e reflito por que as pessoas se sentem tão desconfortáveis com mudanças? Mudanças diversas, obviamente. Existem pessoas que saíram bem jovens do Brasil, mas se adaptaram muito bem no exterior, enquanto que em contrapartida, existem pessoas que saem do país pra uma oportunidade de vida melhor e não conseguem se adaptar.

Existem alguns casos clássicos que ilustram essa aversão a mudanças. Por exemplo, a empresa está instalada há 20 anos no Centro do Rio de Janeiro, mas a diretoria decide mudar o escritório para a Barra da Tijuca. Logo virão aqueles avessos a mudanças de rotina e dirão que não vêem razões para tal mudança e que o local é bem mais longe e de difícil acesso, como se tudo isso fosse verdade. Ou então, o funcionário está a 10 anos no setor de compras e de repente ele é transferido para o setor de contratos. É a deixa para o funcionário sentir-se frustrado e desmotivado para o trabalho, afinal de contas será que ele não está mais atendendo às expectativas da empresa? Existem outros exemplos que podem ser citados, como o funcionário que está há algum tempo numa empresa e de repente, por uma questão de custos ou de preferência mesmo da gerencia, é desligado. Muitas vezes, ele acaba frustrando-se e não encontra motivação para buscar uma nova colocação no mercado de trabalho. Ou até mesmo, aquela pessoa que está toda feliz e atenciosa com o seu namoro, mas que de repente, meio que sem mais nem menos, vê a outra pessoa terminar o relacionamento e acaba ficando sem forças para buscar um novo relacionamento e passa a viver, até mesmo, como um eremita social.

Existe até um clichê social que diz que tudo que é novo assusta, mas na verdade, eu acho que a maior dificuldade não é o novo, mas o inesperado.

Por exemplo, se um funcionário consegue compreender que a competitividade entre as empresas faz com que elas busquem lugares menos custosos ou mais vistosos, ele entenderia que uma mudança regional da empresa não seria tanto empecilho para ele; se um profissional entendesse que o mundo moderno de hoje exige uma completa sinergia de ações, capacidades e desempenhos de um profissional, ele não estaria tão assustado com uma mudança de seu departamento; se um profissional compreendesse que desde uma crise cambial até uma escassez de recursos, influi no planejamento estratégico de uma organização, ele entenderia que o mercado é muito voraz e trabalhamos hoje sem a certeza de estarmos empregados amanhã. Assim como que se a pessoa compreendesse que o namoro é o momento de conhecimento mútuo e que é importante compreender as intenções do outro, talvez não se sentisse tão frustrada pelo termino de um relacionamento.

O fato de não acreditarmos que tudo isso pode acontecer conosco faz com que não nos embasemos para suportarmos as circunstancias da vida e esquecemos-nos da máxima filosófica que diz que o homem é um constante vir a ser. Ou seja, hoje a pessoa pode ser um advogado de sucesso e renome, mas por diversas circunstâncias, talvez sua sobrevivência passe a ser fundamentada no comercio. Hoje, uma pessoa pode gozar de privilégios sociais, mas que de repente, por alguma circunstancia, podem deixar de ser gozados e gere sérios transtornos psicológicos para essa pessoa.

Como diria o poeta, a vida é uma roda-gigante. Ela vive em dar voltas e eleva aqueles que estão abaixo, como declina os que estão acima. Por isso, é importante estarmos preparados para as mudanças e a primeira coisa a fazer diante de tudo isso é compreender que tudo sucede igualmente a todos, sem distinções. Hoje a pessoa pode ter um carro do ano, mas não quer dizer que ela não possa ser envolver numa colisão, hoje a pessoa pode ter um cargo e uma função hierárquica elevados, mas não quer dizer que ela não possa ser vítima do desemprego.

O importante é estarmos preparados para enfrentar as adversidades e circunstancias da vida, afinal de contas a vida é feita de mudanças. E viver é um ato de ter coragem de mudar.

Certas situações ocorrem em nossas vidas e não entendemos muito a razão delas, mas o importante é entender que existe um plano maior para tudo isso e que só entenderemos no momento certo.

Eu mesmo já passei por diversas situações aqui descritas, já perdi um emprego depois de sete anos de trabalho na mesma empresa, mas hoje eu vejo que isso me aprimorou no mercado de trabalho e hoje consigo trabalhar muito mais feliz; já sofri o término de um relacionamento, mas fez com que eu me preocupasse mais comigo e decidi investir nos meus estudos e na minha auto-estima.

Ou seja, como nenhum sucesso pode ser encarado como definitivo para nós (afinal de contas a roda-gigante também declina), assim também nenhum fracasso pode ser encarado como ponto final em nossas vidas, sempre existirá a oportunidade de recomeçar.

Portanto, não tenha mais medos de mudanças, prepare-se para elas e acima de tudo: Vença seus medos!

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro”. (John F. Kennedy)

segunda-feira, 2 de março de 2009

E eu gostava tanto de você...


“Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti e de tristezas vou viver e aquele adeus não pude dar. Você marcou na minha vida, viveu, morreu, na minha história, chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate. E eu gostava tanto de você. Eu corro, fujo desta sombra, em sonho vejo este passado, e na parede do meu quarto ainda está o seu retrato, não quero ver prá não lembrar, pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o pensamento em você”.

Ao lermos a letra desse grande sucesso do inesquecível Tim Maia (Gostava Tanto de Você) temos a impressão de estarmos nos deparando com a história de mais um relacionamento frustrado entre casais. E não são poucas as situações em que essa música é introduzida nesse contexto. Até hoje em dia, afinal de contas estamos falando de uma música dos anos 80, ela faz muito sucesso, porém, erradamente inserida no contexto de um relacionamento frustrado.

O autor dessa letra, Édson Trindade, fez essa composição para homenagear sua filha que havia falecido em decorrência de um acidente. Se bem que se analisarmos friamente a composição, percebemos que a parte em que ele cita “e na parede do meu quarto ainda está o teu retrato” tira qualquer sentido dúbio, uma vez que ninguém em sã consciência guardaria uma lembrança tão intrínseca de um antigo relacionamento.

Essa letra serve para exemplificar um erro muito comum que as pessoas cometem: generalizarem uma situação por um simples fato, sem a análise completa do contexto.

Freqüentemente no meu perfil no Orkut, eu ponho algumas letras de músicas e constantemente as pessoas me questionam a razão daquelas letras específicas. Eu tenho que “esclarecer” que se eu gosto de Roupa Nova, Flavio Venturini, Legião Urbana, entre outros, eu tenho que colocar uma dessas canções e simplesmente porque gosto das músicas e não teria razão para fazer referencia a nenhuma acontecimento ocorrido na minha vida, até porque eu não seria tão insano de expor o âmago do meu coração de maneira tão esdrúxula.

Logicamente, esse post não é uma defesa desses questionamentos, mas a intenção é provocar um sentimento de reflexão de atitudes que geralmente temos movidas por uma, tal, primeira impressão.

Será que se eu colocasse uma música funk, dessas que citam a atividade sexual bem explicitamente, eu seria um promíscuo? Muitas pessoas achariam que sim, mas na verdade, a essência do nosso ser está determinada desde os tempos adolescentes. Isso é científico!

Talvez porque hoje em dia, as pessoas sejam tão superficiais e maquiem tanto seus sentimentos, estamos sempre na espreita de encontrar alguma nuance que seja a revelação do real motivo de uma atitude.

O problema em tudo isso é que nunca nos importamos como a pessoa que está sendo julgada se sentirá e nem nos importamos que talvez estivéssemos praticando uma ação dolorosa contra essa pessoa, mesmo que de maneira involuntária.

Por isso, quando estiver diante de uma situação que caiba uma avaliação, olhe o retrospecto de toda essa situação; não se detenha a meros detalhes, ainda mais se você conhece a essência do julgado. Ninguém tem o direito de dizer que atitude A ou B é certa ou errada para alguém, o máximo que podemos fazer é identificar se elas são ou não apropriadas para nossas vidas e emitir opinião se ela for pedida.

Isso serve para qualquer área da nossa vida e em todos os nossos relacionamentos, sejam amorosos, fraternos ou familiares. Ou será que ninguém nunca viu ou viveu algumas situações como: a namorada diz que adora chocolate branco, mas o namorado insiste em presenteá-la com chocolate negro e ela se sente desprestigiada e às vezes nem quer mais o relacionamento por achar que o namorado não lhe dá atenção? Eu acho uma tolice, mas os dois, que estão no contexto, talvez achem comum esse tipo de discussão. Ou então, você percebe que um amigo está muito cabisbaixo por causa de uma frustração e o convida para sair, mas ele insiste em ficar em casa em pleno sábado à noite. Você está com boas intenções para animá-lo, mas ele não percebe dessa forma. Ou então, você percebe que um familiar está em situações financeiras complicadas, mas ele insiste em adquirir novas posses e não diminue seus gastos. Você percebe que ele está num caminho perigoso, mas ele quer ir adiante. O que fazer?

Acredito que todos nós somos responsáveis pelos nossos atos e por nossas escolhas e ainda mais: somos responsáveis pelo sentimento que as pessoas têm por nós e não podemos fugir desse peso. Portanto, numa outra situação, emita sua opinião se ela for pedida e no máximo, tente, de maneira bem sucinta, emitir sua opinião sobre algo que esteja ocorrendo, mas nunca se iluda em acreditar que essa pessoa é obrigada é lhe ouvir e seguir seus conselhos, afinal de contas, as nossas decisões somos nós que fazemos.

Abaixo, finalizo com a citação de três músicas que eu gosto, talvez falem até um pouco de mim, mas estão citadas pelo motivo do meu gosto, nada mais.

EM TEMPO: Essa citação não quer dizer que são as únicas músicas que gosto ou que essas são as que mais gosto.

“Meus olhos te viram triste, olhando pro infinito tentando ouvir o som do próprio grito. E o louco que ainda me resta só quis te levar pra festa, você me amou de um jeito tão aflito que eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções, eu queria viver morrendo em sua teia, seu sangue correndo em minha veia, seu cheiro morando em meus pulmões. Cada dia que passo sem sua presença sou um presidiário cumprindo sentença, sou um velho diário perdido na areia, esperando que você me leia, sou pista vazia esperando aviões. Sou o lamento no canto da sereia, esperando o naufrágio das embarcações” (Esperando Aviões – Vander Lee)

“É incrível, nada desvia o destino. Hoje tudo faz sentido e ainda há tanto a aprender e a vida tão generosa comigo veio de amigo a amigo me apresentar a você. Paralisa com seu olhar, Monalisa, Seu quase rir ilumina tudo ao redor minha vida. Ai de mim, me conduza junto a você ou me usa pro seu prazer, me fascina, deusa com ar de menina. Não se prenda a sentimentos antigos tudo que se foi vivido
me preparou pra você. Não se ofenda com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você”. (Monalisa – Jorge Vercilo)

“Se a gente não tivesse feito tanta coisa. Se não tivesse dito tanta coisa. Se não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor grand'hotel. Se a gente não fizesse tudo tão depressa. Se não dissesse tudo tão depressa. Se não tivesse exagerado a dose, podia ter vivido um grande amor. Um dia um caminhão atropelou a paixão, sem os teus carinhos e tua atenção, o nosso amor se transformou em "bom dia!" Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só prá se viver. Qual o sentido da realidade? Será preciso ficar só prá se viver”. (Grand’ Hotel – Kid Abelha)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pinte seu avião de vermelho!


Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen foi uma das figuras mais fantásticas que a história do último século registrou. Talvez pelo nome desse alemão não nos recordemos muito bem dele, mas seus feitos foram de incríveis lições para todos nós.

Ele foi um piloto da Primeira Guerra Mundial e tinha um hábito bastante curioso para os combatentes de uma guerra. Quando ele derrubava um avião e o piloto inimigo conseguia se ejetar, ele não atirava nesses pilotos. Ele dizia que o combate que ele deveria executar era dentro do avião contra outro piloto num avião e ele nunca derrotou ninguém dessa forma. Essa sua ética, fez crescer certa inveja contra Manfred, não só isso, mas também o desempenho de Manfred que era o melhor piloto alemão. Alguns oponentes planejaram matá-lo, mas eles não sabiam como identificá-lo, pois àquela época os aviões eram máquinas completamente diferentes das atuais e da mesma cor, e talvez por isso precisassem contar com a ajuda de uma pessoa do lado de Manfred. Quando essa notícia chegou até Manfred, ele não se fez de rogado, como os aviões eram da mesma cor, ele decidiu pintar o seu avião de vermelho, num verdadeiro ultraje aos seus inimigos, uma vez que seria bem fácil identificá-lo num avião diferente. Com essa atitude, é que temos a origem do codinome que Manfred ficou conhecido: Barão Vermelho.

O Barão Vermelho continuou com o mesmo vigor e capacidade, de forma que continuou a vencer todas as suas batalhas, seus companheiros quando viram que ele tinha pintado o seu avião, decidiram pintar os seus também, e cada um escolheu uma cor diferente, logo o grupo foi chamado de Circo Voador.

Porém, a história registra que o Barão Vermelho foi morto numa traição, com um tiro em solo.

Engraçado que quando nos dispomos a fazermos o nosso dever, as nossas obrigações de maneira ética, sempre uma ira é suscitada contra nós. Por que será que tantas pessoas não se conformam em entender que existe alguém que faz algo por amor e tem lealdade nos seus feitos?

O Barão Vermelho era um piloto de guerra, mas sempre ético num ambiente onde a hostilidade talvez fosse bem vinda, mesmo assim muitos se levantaram contra ele, até que o mataram.

Assim também acontece conosco quando não agimos de acordo com um padrão que as pessoas pré-determinam para nós ou quando buscamos novas fontes ou caminhos para nossas vidas, as pessoas tratam de nos subestimarem, mas são incapazes de compreender o real motivo que nos leva a isso.

Às vezes, a forma como encontramos para viver aquilo que todo mundo vive é diferente, mas o que importa é se está fazendo mal ou não a alguém, caso contrário não há problema algum.

O importante é que devemos ser éticos em nossas atitudes e nunca nos escondermos diante de uma afronta. Em certas situações na nossa vida, se estamos expostos às pedradas dos inimigos, devemos ter a coragem de pintar nossos aviões de vermelho e dizer que confiamos em nosso potencial e que estamos cientes do caminho que queremos percorrer.

Talvez corramos o risco da traição, mas nunca o risco de não ter tentado e a certeza de ter feito o melhor!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Decisões precipitadas geram...


Há alguns anos atrás, começou a tramitar no Congresso Nacional Brasileiro, um projeto de lei, que regulamentaria em 150cc, a potencia mínima das motocicletas para transitarem em rodovias. Ou seja, as montadoras teriam que agir rapidamente, pois muitas disponibilizavam somente o modelo de 125cc e a montadora Honda detinha 100% desse mercado. Vale lembrar que as motos CG 125cc sempre foram a preferência do público.

Com base nessas informações de bastidores da política, executivos da montadora decidiram anteciparem-se à lei e passaram a não mais produzir os modelos de 125cc e só produzirem os modelos 150cc.

A Yamaha, principal concorrente da Honda, fez diferente. Decidiu comercializar modelos de 125cc, uma vez que só dispunha de potencia superior a 200cc. A discussão no congresso arrastou-se por alguns meses e os deputados decidiram vetar o projeto de lei que visava aumentar a potencia mínima das motocicletas.

A Honda percebeu o tamanho do passo em falso que havia dado e enquanto isso, a Yamaha, que não possuía nenhuma participação nesse mercado, abocanhou 25% de share (para usar um termo técnico do marketing administrativo). Ou seja, a Honda numa atitude precipitada, perdeu a totalidade do mercado e viu sua maior concorrente angariar 1/4 do seu potencial mercado.

Obviamente, muitos dos executivos da Honda foram demitidos e um novo plano estratégico teve que ser desenvolvido. Fico imaginando se fosse um profissional liberal ou microempresário que tivesse tido uma atitude precipitada dessas e perdesse tamanha participação para o concorrente, ao invés de um gigante das motocicletas.

Logicamente, os resultados seriam muito mais tenebrosos, talvez significassem uma falência, uma concordata ou o fim do sonho do próprio negócio. Conhecemos histórias de pessoas que até tiraram a própria vida por terem quebrado suas empresas.

E na nossa vida cotidiana? Será que muitas vezes não agimos pelo impulso, na certeza da empáfia de acreditar que tudo aquilo que desejamos ou planejamos será realizado?

Obviamente sim, quantas pessoas analisam toda uma situação, toda uma dificuldade, fazem cálculos, seguem um cronograma, antevendo algumas vertentes, mas não conseguem o seu objetivo.

Existe uma máxima filosófica que diz que o homem está limitado a tempo, espaço e circunstancia. De repente, nos vemos naquela necessidade de chegar ao Centro da Cidade para receber um pagamento às 10h da manhã, saímos de casa com bastante antecedência, mas uma das vias de acesso está completamente parada por causa de um tombamento de um veículo ou até mesmo por uma colisão entre automotores. Pronto, todo nosso planejamento foi por água abaixo; se você tem um jantar ou um cinema marcado com amigos ou com enamorado numa sexta-feira, de repente seu chefe convoca uma reunião extraordinária no fim do expediente e como você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, sofreu a limitação do espaço; você está todo contente com a aquisição do seu veículo 0km e decide dar um passeio pela cidade e para de acordo com a sinalização. Mas uma pessoa que fala ao celular está desatenta e quando percebe o seu carro é pelo barulho do encontro do pára-choque dianteiro do carro dela com o seu pára-choque traseiro. Limitados à circunstancia.

Lógico, que isso é uma regra geral e nenhum de nós está imune a essas situações, mas o melhor a fazer é ter muita prudência e cautela no momento de tomar decisões. Todo critério e todo tempo a ser utilizado para tomar essa decisão deve ser seguido. A ansiedade é das maiores vilãs dos bons projetos, as vezes as pessoas planejam muito bem, mas não tem a paciência de esperar o projeto maturar para que ele fortifique-se. E com isso, tudo acaba dissipado e uma nova conquista tem que ser planejada.

Isso não está relacionado somente à área profissional de nossas vidas, mas a todas as áreas que nos cercam e para ilustrar isso, gostaria de relatar o fato ocorrido entre um casal de amigos meus (obviamente, não posso citar nomes, primeiro porque não me autorizaram e segundo porque com coisas boas, devemos falar, mas com coisas ruins não devemos ser muito explícitos).

Eles eram bem jovens, ela um pouco mais velha que ele, ele era um rapaz super recatado, bem pacato, mas que gozava de uma boa condição financeira, ela era uma moça totalmente serelepe e muito intensa. Após poucos meses de namoro entre os dois, ela começou a fazer pressão para que eles noivassem, porque segundo ela, ela não era mulher para ficar solteira por muito tempo e que gostaria de casar-se logo. Ele gostava dela e tal, mas como ainda não tinha terminado a faculdade, achava que não seria o momento mais oportuno e ela viu-se rejeitada por aquela atitude. Num ato de completa insanidade, ela teve outro cara durante o declínio do relacionamento deles e arrependeu-se por demais. Ele não soube da história, mas decidiu encerrar o relacionamento. Passaram-se alguns meses, ele começou a namorar outra pessoa e nesse próximo semestre completará três anos de casado. E ela? Bem, ela continua tendo um amor eterno e pra vida toda a cada mês e vê que a idade já está num limite constrangedor e não consegue alcançar o que tanto almeja. Tudo isso por causa de uma atitude precipitada.

Quantos pais não se arrependem de terem batido em seus filhos em locais focados pela raiva? Quantos cônjuges terminam relacionamentos por causa de palavras ditas de maneira inoportuna? Quantas pessoas decidem se aventurar em uma nova oportunidade profissional e nem se dão conta que no próximo mês poderiam ser promovidas?

Por essas e outras razões é que concluo que as nossas decisões devem estar relacionadas ao histórico do nosso foco. Será que vale a pena trocar o certo pelo duvidoso? Será que é fazendo alguém sofrer que conseguiremos ser felizes? O bem não pode ter raiz no mal, nunca!

Pense nisso!!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Por um mundo melhor (?)


Lembro-me como se fosse hoje, era o vigésimo primeiro dia do ano de 2001 e fazia um calor estrondoso no Rio de Janeiro. Mas isso não era problema algum, pois seria o último dia do festival Rock in Rio 3 e eu estava com o ingresso comprado com bastante antecedência e ao meio-dia eu já estava num ônibus especial rumo a Avenida Salvador Allende, no Recreio dos Bandeirantes, onde até hoje fica a Cidade do Rock. Devido ao grande engarrafamento, chegamos ao local quase às 14h e tivemos que andar mais uns quinze minutos devido à grande quantidade de pessoas e a impossibilidade dos veículos de chegarem à citada Avenida. Eles só puderam chegar até a Avenida Embaixador Abelardo Bueno, onde hoje existe o Autódromo de Jacarepaguá e algumas instalações do Pan 2007, como o Parque Aquático Maria Lenk e a Arena Multiuso.

Era uma multidão jamais vista por mim, todos estavam ansiosos pelos shows de bandas como Silverchair, Capital Inicial e, obviamente, Red Hot Chilli Peppers. Passei pelas catracas reguladoras de acesso e logo pude contemplar o Palco Mundo, onde aconteceriam os principais shows, a Tenda Raízes, que era um espaço de música alternativa e a Tenda Brasil, onde várias bandas brasileiras se apresentariam. Demos uma volta pra conhecer o ambiente da Tenda Raízes, mas não achamos nada muito interessante e como os shows do Palco Mundo só começariam por volta de 18h, fomos curtir um som na Tenda Brasil.

Era muita gente bonita e oriunda de diversos lugares do Brasil. Conhecemos paulistas, gaúchos, catarinenses, mineiros, etc. Parecia um desfile da Ford Models, tamanha a beleza das moças que circulavam naquela área. Logo a Plebe Rude, banda famosa no cenário nacional do rock Brasil nos anos 80, começou um animado show e lá permanecemos por várias horas.

Nessa época, eu tinha 18 anos de idade, era a primeira vez que eu curtia um grande evento, ainda mais sozinho. Comecei a ficar maravilhado com aquela multidão e vi que tinham três meninas, lindas de fecharem qualquer cruzamento. Elas estavam bem animadas e de repente durante o movimento brusco de uma delas, vi que elas compartilhavam um cigarro de maconha. Era um cigarro enorme e elas fumavam sem se importarem com ninguém. Foi um choque de realidade para mim, pois eu tinha percebido naquele momento que não eram só essas meninas que faziam uso dessa droga, mas diversas pessoas também o faziam. Eu vi o cúmulo de um casal de namorados compartilhar um cigarro de maconha, na minha concepção um horror. Passaram-se mais algumas horas e logo começou o primeiro show no Palco Mundo. Uma banda chamada Diesel, que havia ganhado um concurso da produção do evento, foi a primeira a tocar. Um desastre! Músicas chatas e monótonas. Logo depois, subiu a “brilhante” banda cover O Surto. Pra vocês terem uma idéia, os caras cantaram três vezes o hit deles “um rosto lindo e um sorriso encantador e um jeitinho de falar que me pirou que me pirou o cabeção...”. Depois que eles cantaram uma versão ridícula de Californication, do Red Hot Chilli Peppers, a galera quase fez uma chuva de latas de cerveja neles e eles logo abandonaram o palco e já não era sem tempo. Depois veio uma banda americana, que até hoje eu não sei de onde surgiu chamada Deftones. Muito barulho e pouca coisa pra acrescentar. Naquele momento eu sentia que poderia ter sido a maior furada ter lutado tanto pra ir naquele evento. Mas, de repente, como o Palco Mundo estava vazio, ouvia-se o show do Biquíni Cavadão na Tenda Brasil. Um show de primeira linha que empolgou toda a platéia. Memorável. Mas, de repente, o Palco Mundo se acende novamente e o Capital Inicial faz um dos shows mais extraordinários que eu já vi em toda minha vida. Ouvir Dinho Ouro Preto cantando era como que um resgate de minhas memórias, quando eu compartilhava do gosto que meus irmãos sempre tiveram de rock brasileiro. Todas as letras estavam na ponta da língua. E eu fiquei extasiado quando o vocalista do Capital Inicial proseou antes de cantar uma das músicas mais formidáveis do Renato Russo, que fora gravada na época do extinto Aborto Elétrico: Fátima.

“Vocês esperam uma intervenção divina, mas não sabem que o tempo agora está contra vocês; vocês se perdem no meio de tanto medo de não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender e vocês armam seus esquemas ilusórios e continuam só fingindo que o mundo ninguém fez, mas acontece que tudo tem começo e o que começa um dia acaba e eu tenho pena de vocês”.

A galera delirava e pedia bis insistentemente. Logo depois, a banda australiana Silverchair tomou o Palco e fez um bom show. Já era quase meia-noite quando a Cidade do Rock estava em silencio e eu olhei para trás e pude contemplar a grande multidão ali presente, eram cerca de 250 mil pessoas. E logo, o Red Hot Chilli Peppers iniciou mais um grande show e eu pude ver aqueles que foram os responsáveis por eu ter comprado o ingresso para aquele dia. Durante o intervalo em que o vocalista do RHCP, Anthony Kiedis, falava com o público, eis que um clarão surge na multidão. A equipe de pára-médicos retirava dois jovens, de no máximo 22 anos de idade, praticamente em coma devido à grande quantidade de drogas utilizada. A escala de drogas naquele evento foi industrial. Mais um choque para a minha realidade. Como imaginar que jovens deixariam de curtir um bom show, beijar na boca, para se drogarem?

Logicamente que todo grande evento expõe essa possibilidade e ainda mais um evento de rock. Mas, eu tento compreender como uma pessoa se deixa dominar por uma coisa tão maldita como as drogas. Não adianta me dizerem que é por causa de estrutura familiar, porque eu sou filho caçula de uma família grande, não tive o prazer de conhecer o meu pai, porque ele faleceu dois meses antes do meu nascimento, minha mãe e nem ninguém nunca parou do meu lado para me aconselhar a ficar longe das drogas ou coisas do tipo, fui criado na rua, jogando bola descalço, resolvendo no braço muitas vezes as pendengas da molecada, mas nunca sequer experimentei qualquer droga ilícita. Acho que é muita fraqueza mesmo do ser humano, ou será que alguém acha melhor se drogar por estar passando por problemas familiares, por exemplo? Problemas, todos nós vivemos e vamos viver durante toda a vida, mas cabe a nós decidir o que é o melhor a se fazer. Se eu quiser me entregar a isso, com certeza a droga será meu consumidor voraz, mas eu posso encontrar outras soluções.

Por outro lado, existem pessoas que se deslumbram com o fato de muitos acreditarem que ela provoca alegria e que faz parte da rebeldia da juventude. Balela! A partir do momento que eu preciso me entorpecer para me satisfazer, eu perco totalmente o sentido de prazer e passo a canalizar somente nela.

E por último existe o aspecto das influencias. Mas, essas influências não são só as que temos às vezes de colegas e amigos vizinhos, mas até mesmo da própria mídia. Será que alguém se lembra que a banda Planet Hemp foi presa em Brasília há alguns anos atrás antes de iniciarem um show por apologia ao uso de drogas? Pois é, quando eles foram libertados da cadeia, todos os programas de televisão fizeram questão que eles fossem participantes, mas como o Ministério Público fez muita pressão, eis que lançaram a carreira solo do vocalista da banda: Marcelo D2. O teor das letras e o sentido delas são o mesmo da época da banda, mas hoje ele é atração principal do Festival Planeta Atlântida, do Premio Multishow de Música. O que falar dos grandes traficantes do Rio de Janeiro, que viram verdadeiras celebridades por suas exposições na mídia? E até mesmo, a mensagem subliminar de muitas músicas, como Meu Mundo é o Barro, do O Rappa, onde conta a estória de um homem que chega num local se apresentando como uma pessoa humilde, sem posses e conhecimentos e que tem um sonho. Que um dia alguém vai ouvir falar de um cara que era só um Zé. Pode parecer apelativo, admito, mas seria difícil acreditar que uma pessoa sem instrução ficaria famosa no Brasil inteiro pelo fato de assumir o comando ou ter grande participação numa organização criminosa? Obviamente não.

Não quero dizer com isso, que sou contra as bandas citadas acima, na verdade, são artistas, mas o que eu ressalto é que temos que ter discernimento para saber diferenciar as questões, de modo que não sejamos influenciados e não caíamos no erro da primeira prova.

Eu termino esse texto citando uma frase que li na camisa que um dos meus sobrinhos usava: “Use drogas e fique feliz. Não use drogas e viva feliz!”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Não sou escravo de ninguém, ninguém é senhor do meu domínio...


Primeiramente, gostaria de me desculpar pelo tempo que não posto nenhum novo texto, na verdade, a inspiração não faltou, a questão foi que aconteceu algo imprevisto no último fim-de-semana que me deixou muito chateado, mas bola pra frente porque como diria o adágio popular: atrás vem gente!


“Pane no sistema, alguém me desconfigurou. Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido. Eu sempre achei que era vivo. Parafuso e fluído em lugar de articulação, até achava que aqui batia um coração. Nada é orgânico, é tudo programado e eu achando que tinha me libertado, mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: Reinstalar o sistema! Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça: Use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e viva!”
Trecho da música Admirável Chip Novo - Pitty



Às vezes eu me pego pensando nas coisas e no mundo e reflito sobre a maneira como as pessoas lidam com os estereótipos. Primeiramente, devemos entender o que é estereotipo. De uma maneira simplória é conceber a idéia sobre alguém ou um grupo a partir de conceitos pré-estabelecidos. Valem alguns exemplos para melhor entendimento: Toda pessoa que curte heavy metal, não deve escutar outro estilo de música; todo negro e pobre é funkeiro e por aí vai. Pois bem, existe uma coisa muito particular aos estereótipos. É que todos esses modelos estão embasados em preconceitos. Ou seja, pelo fato de ser difícil de ceder ao gosto ou costume do outro, eu simplesmente o ignoro.

Quem nunca presenciou aquela situação onde um grupo de mulheres está conversando e de repente vem aquela moça mais tímida e pacata, aquela que não usa as mesmas grifes das demais do grupo e ela é simplesmente ignorada? Ou então, quando um grupo de homens está reunido, bebendo drinques e cervejas e de repente, chega um rapaz que não bebe e todos tratam de subestimá-lo.

A correlação do estereotipo com o preconceito é muito extensa, e não é a idéia do texto esmiuçar todos esses parâmetros, mas entender porque é tão difícil as pessoas conviverem com diferenças.

Porque na verdade, as pessoas seguem pelo senso comum e como questionar a razão das coisas é muito sacrificante, elas simplesmente se auto-modelam a esses parâmetros e “passam” a ser felizes. Quando na verdade, a razão de tudo isso é que elas não conseguem questionar e ter personalidade para determinar o que querem, o que gostam e como agirão.

Todos os dias somos bombardeados por pessoas que querem determinar o nosso estilo de vida, as nossas escolhas e muitas vezes, nos preocupamos demais com a opinião dos outros sobre nós. Logicamente, que não há nenhuma apologia para que se desagrade a todos, em virtude de agradar a si, mas a pessoa tem que ter o poder de saber o que é melhor para ela.

Eu sei que a colocação que farei agora é muito polemica, mas é uma percepção que tenho. Recentemente, estudos científicos têm demonstrado o aumento do grau de separação de casais e, pasmem, até nas igrejas evangélicas no Brasil inteiro. Sem querer ser o dono da verdade, eu tenho uma opinião formada sobre tal coisa. Muitos líderes, não só no sentido eclesiástico, ensinam que o homem quando tem responsabilidade tem que se preocupar logo em casar-se, afinal de contas, porque aguardar tanto tempo se o desejo de “ficar” juntos é iminente? Esse é o erro fatal. As pessoas não se permitem se conhecerem e atropelam etapas do relacionamento e fatidicamente logo depois de pouco tempo, descobrem que seu castelo era de areia e ele não suportou o primeiro vento.

O que eu fico mais indignado com o comportamento da sociedade atual é que ensinam o homem a ser conquistador, a possuir várias mulheres e não perderem oportunidades para terem em suas camas, mas quando a mulher se sente conquistada e cede a essa conquista, logo é taxada de fácil.

De outra forma, existem mulheres que dizem querer ter homens honestos, românticos e carinhosos ao seu lado, mas tem um critério de escolha completamente dissonante de sua teoria. Muitas mulheres falam isso, mas se curvam a homens que tem fama de garanhão e de não querer compromisso com ninguém.

Por que isso? Por que existe o estereótipo de que pra casar tem que ser o bonzinho, mas ninguém manda no coração. Ninguém manda no coração? Essa é uma das maiores mentiras que a sociedade acredita como verdade, o amor é uma razão. Eu sou responsável por escolher quem amar. Agora quando eu compreendo que a minha escolha não é tão confiável, eu trato de me justificar em estereótipos. Pura balela!

O que as pessoas precisam é entender que elas são passíveis de erros e acertos e que tem que ter coragem de mudar o curso de suas vidas após o sinal do erro, porque não adianta insistir em passar por uma ponte quebrada, correrá o risco de cair no rio.

Eu posso muito bem curtir Iron Maiden, mas não deixar de ouvir Roupa Nova; eu posso muito bem ser universitário, bilíngüe e adorar um baile funk; eu posso muito bem experimentar as conquistas da juventude e não deixar de acreditar que um dia terei uma família feliz.

O pior em tudo isso é que as pessoas adoram rótulos para si e costumam arranjar para os outros, mas se esquecem que nesses rótulos está escrito em letras garrafais: PRAZO DE VALIDADE VENCIDO!

Procure sempre observar a questão por mais de um ponto-de-vista, ninguém é capaz de dizer o que é melhor para você, porém saiba de suas responsabilidades em suas escolhas e que você é responsável pelo sentimento que as pessoas têm por você, sejam eles bons ou maus.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A ditadura da beleza


Há alguns dias atrás, vi uma notícia veiculada no jornal carioca O Dia, em que dizia que a atriz Claudia Raia, havia perdido cinco quilos para a composição de uma personagem numa peça teatral. Comecei a lembrar um pouco a vida dessa atriz, que apesar de não ter muito talento, sempre teve muita presença. Lembrei-me das primeiras aparições no extinto TV Pirata, das inúmeras personagens em novelas, principalmente de Silvio de Abreu, mas uma coisa me chamou a atenção demais. Cláudia Raia exibia um corpo sequinho e uma barriguinha de dar inveja a qualquer pessoa, completamente definida, e ela ainda teve a audácia de dizer que comia de tudo e que podia fazer aquilo por causa da alta carga diária de malhação. Pois bem, o que será que mudou com Cláudia Raia nesses vinte anos de carreira? Muita coisa é verdade. Porém, não foi só essa atriz que teve tamanha transformação, na verdade ela exemplifica o que hoje nós entendemos como ditadura da beleza. A mulher, hoje em dia, vive a mercê de qualquer vento de moda de comportamento ou de aparência. Logicamente, não quero dizer que são todas as mulheres, mas mesmo aquelas que não cedem aos encantos da moda, ficam tendenciosas a fazê-lo.

Como o biótipo ideal da mulher mudou desde as últimas décadas! Há algum tempo atrás, as mulheres que tinham seios volumosos, sentiam-se envergonhadas e pensavam até em operá-los para reduzir o volume, mas no fim da década de 90 e início dos anos 2000, o que vimos foi uma corrida aos cirurgiões plásticos a fim de “turbinarem” as suas mamas. Será que alguém se esqueceu da modelo Joana Prado, com seus 400 ml? Ou de tantas outras atrizes e modelos que se submeteram a essa cirurgia? Obviamente, as mudanças não foram só essas.

Antes, o biótipo ideal da mulher, era aquele estilo “boazuda“, que valorizava o volume dos quadris e das pernas. Mas o que vemos hoje em dia? Mulheres magérrimas sendo celebradas como expoentes de um corpo perfeito.

Por que a percepção das pessoas muda tanto de acordo com o passar dos anos? Eu nem vou entrar no mérito dos cabelos, por que sei que serei enxovalhado, mas não dá pra deixar passar as escovas de chocolate, morango, pêssego, entre outras, tudo pra esconder o cheiro de formol, afinal de contas o cheiro de frutas é bem melhor que o de um produto químico, que muitas vezes é utilizado por funerárias no processo de cuidado com o corpo defunto.

Não quero dizer com isso, que acho errado a mulher buscar ficar bonita, muito pelo contrário, acho que todas as mulheres têm que ser independentes (mas, não auto-suficientes), com boa auto-estima, procurar se valorizar cada vez mais (afinal de contas, é científico dizer que o homem é atraído pelo que vê), tem que investir na sua própria beleza, mas questiono o parâmetro para essa beleza.

Eu tenho um profundo receio que chegue o dia em que os influenciadores da beleza, digam que a mulher bonita deverá ser aquela de cabelo encaracolado, de seios pequeníssimos, de pele branca e que tenha pelos espalhados por todo o corpo. Seria o fim das esteticistas e de outros profissionais da beleza? Com certeza existiriam mulheres que não se depilariam mais, que não esticariam mais o cabelo, que não passariam horas em sessões de bronzeamento. Tudo para atender os ventos da moda. Será que isso vale a pena?

Obviamente não, pois o melhor estar bem consigo mesmo. Independente da forma física, da cor, tom e textura dos cabelos, do volumes das partes.

O que na verdade deve ficar de lição para todos nós é que a mulher por si só é bonita. Ela tratar de se enquadrar num estereotipo predisposto, por sabe-se lá quem, demonstra que na verdade a falta é com sua auto-imagem (ressalto mais uma vez, que não tenho opinião contrária a mulher buscar se tratar e se cuidar), pois talvez aquilo seja um refúgio para algo que lhe incomoda.

Por outro lado, não há como poder entender como normal, uma mulher que não possua vaidade. Na verdade, eu não deveria chamar vaidade, mas sim amor-próprio. Pois a mulher que não faz as unhas (a beleza e cuidado da mulher estão expostos nas unhas, principalmente nos pés), nunca se preocupou com uma boa aparência dos cabelos, da pela e nem se preocupou em se apresentar cheirosa, com certeza não pode ser vista como normal. E isso, não tem nada a ver com modismo, mas com essência feminina.

Não poderia encerrar esse texto sobre ditadura da beleza sem dizer que batom masculino, depilação de peitoral, cremes faciais diários, retirada de costelas, entre outros horrores mais, não tem nada a ver com a essência masculina, mas infelizmente tem seduzido muitas pessoas da classe e sem querer ser machista ou preconceituoso: Morte ao metrossexualismo! Chega a ser patético esse tipo de comportamento. Da mesma forma que para a mulher, para o homem existem alguns cuidados que nada tem a ver com modismos. O homem não precisa cheirar mal, estar despenteado e totalmente roliço para parecer másculo, nunca foi mau nenhum andar com cabelos e barba feitos, de banho tomado e com cuidado com o seu corpo, não por pura questão estética, mas até mesmo por saúde.

Portanto, o mais importante é estar bem consigo mesmo e não ser levado por qualquer modismo. Devemos ter consciência que uma aparência atlética e saudável não se alcança em dois meses de dietas e exercícios físicos, exige mais sacrifício. Porém, o importante é não estar preparado para um determinado momento, mas fazer disso uma mola propulsora para uma melhor qualidade de vida.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Final


Todos saíram do quarto e Wallace não se conteve em lágrimas. Lucas olhava fixamente para Wallace e antes que Wallace pudesse falar alguma coisa, Lucas foi até o primo e disse que a atitude que ele tivera, fora impulsionada por sua índole e que ele jamais deixaria alguém sofrer, podendo ajudar essa pessoa. Wallace começou a explicar que o fato de ele ter procurado Raquel era porque ele não se continha de inveja de Lucas e que ele desejava ter a vida que Lucas levava. Mesmo Wallace sendo o filho de um dono de uma rede de postos de gasolina, ele nunca teve a confiança do pai para administrar os negócios da família e viu seu pai investir dinheiro na formação acadêmica de Lucas. Wallace sabia que nunca seria tão inteligente quanto Lucas, que nunca seria tão desenvolto como Lucas e percebeu que a única forma que ele tinha de atacá-lo, era seduzindo Raquel. Lucas ouviu atentamente e não se fez de rogado. Começou a dizer para Wallace que ele fora o seu ídolo na adolescência. Lucas sempre admirou a beleza de Wallace, o poder de sedução do rapaz e acabou herdando a mesma paixão por automóveis. Lucas fez questão de dizer ao primo que sempre o admirou, mas que naquele momento ele sentia pena, porque via que o primo não tinha construído nada para sua vida e que sabia que ele nunca seria capaz de arcar com nenhuma responsabilidade. Wallace achou as palavras de Lucas muito duras, mas não o confrontou, pois em seu íntimo, ele sabia que Lucas estava com a razão. Lucas se despediu do primo, dizendo que ele não faria nada de diferente, mas que a partir daquele momento, a admiração cessara-se e que ele buscaria um novo caminho para sua vida.

Todos estavam aflitos do lado de fora do quarto e foram logo interrogar Lucas se tudo estava bem entre os dois. Lucas foi evasivo em dizer que as coisas estavam resolvidas e que ele não se lamentaria pelos erros e faltas cometidas, ele estava disposto a buscar um caminho diferente para sua vida. Os familiares adentraram o quarto de Wallace e viram que ele estava com um ar de alívio, mas sabiam que sofria por ter feito tanto mal para uma pessoa que sempre lhe fez o bem.

Lucas não ficou no hospital e regressou para sua casa. Ao chegar em casa, ele verificou na secretária eletrônica que Raquel havia deixado vários recados e tentado falar insistentemente com ele também. Lucas decidiu não retornar a ligação, mas quando estava indo tomar um banho, o telefone tocou novamente. Era Raquel. Lucas atendeu, até de maneira bem educada, e ouvia uma Raquel chorosa e arrependida. Raquel dizia para Lucas que estava arrependida por tudo que tinha acontecido e que o amava na mesma intensidade de antes. Nesse momento, fora como se Lucas tivesse um punhal em suas mãos e transpassasse Raquel. Lucas disse que não acreditava que uma pessoa que lhe amasse pudesse agir de maneira tão covarde, que pudesse se entregar a primeira pessoa que se pusesse a sua frente e não lhe desse a confiança necessária. Raquel admitiu todos os seus erros e tentava de alguma maneira fazer com que Lucas a perdoasse e que os dois pudessem reviver aquele amor.

Lucas, numa atitude, até certo ponto, sublime, disse para Raquel que o amor que ele sentia por ela, ainda estava da mesma forma. Ele não conseguia se desligar desse amor, mas ele não confiava que ela pudesse ser a pessoa certa para ele e que a história deles havia terminado. Raquel pranteou no telefone, implorando uma nova chance de Lucas, mas Lucas estava bem seguro de sua opinião e disse que ela havia jogado fora a chance para a felicidade, que ele havia sonhado diversas coisas, que o seu intuito era que logo que ele conseguisse a sua promoção, ele gostaria de levá-la ao altar. Raquel refutava do outro lado que aquilo ainda seria possível, mas Lucas estava irredutível. E ele acabou encerrando a conversa, dizendo que o amor que ele sentia, ainda estava latente no seu interior, mas a forma como Raquel agiu, não permitia que ele desse uma nova oportunidade para ela. Raquel não suportou e desligou o telefone, totalmente sem voz e sem forças, de tanto chorar.

Lucas chorou muito, após o fim da conversa, afinal de contas, ele sentia um amor muito grande por Raquel, mas a sua razão dizia que talvez ela agisse da mesma forma numa nova crise entre os dois, e isso o consolou.

Lucas deitou em sua cama, após o banho e conseguiu pegar no sono, somente uns quarenta minutos depois, mas logo cedo, por volta de 8h da manhã, já estava de pé novamente. Seus pais, Seu Altair e Dona Sonia, estavam muito cansados, afinal de contas, estiveram durante toda a madrugada no hospital para apoiar Elisa. Seu Altair contou para Lucas que Wallace receberia alta em, no máximo, três dias. Lucas ficou feliz com a notícia e decidiu dar uma volta pelo bairro, de forma a não se sentir tão sedentário e para espairecer os pensamentos de todos os problemas que estava enfrentando naqueles últimos dias.

Enquanto ele cruzava o segundo quarteirão após a saída da sua casa, eis que Renata o encontra e o chama para uma conversa, numa lanchonete do bairro e Lucas aceita. Ela pergunta como estava o seu primo e fica feliz com as boas-novas, mas não deixa de dizer a Lucas que talvez Wallace estivesse sofrendo o que merecesse. Lucas disse que não achava correto alimentar mágoas de ninguém e que ele havia perdoado o primo. Renata aproveitou para dizer que só homens bons teriam um coração tão puro. Lucas sorriu da situação, deu um beijo no rosto de Renata e levantou-se para continuar a sua caminhada. Renata se ofereceu para acompanhá-lo, mas Lucas disse que preferia caminhar sozinho e que Renata era uma pessoa adorável, linda, mas que eles não ficariam juntos. Renata sentiu a força da dispensada, mas permaneceu admirando Lucas de longe, enquanto ele ia virando a rua e fugindo do seu raio de percepção.

Lucas completou a sua caminhada e voltou para casa, louco por um banho e por um bom almoço. Mas, para sua surpresa, quando ele entrou na sala, Raquel o aguardava no sofá. Lucas disse que os dois não teriam mais nada o que conversar, mas ela insistiu para que ele, ao menos, a ouvisse. Lucas aceitou o pedido de Raquel. Raquel mais uma vez insistiu que eles pudessem passar por cima de todos os erros e pudessem reconstruir o relacionamento, mas Lucas, enfaticamente, disse que era algo impossível, pois ele não conseguia mais confiar em Raquel. Ela relutou e ficou de pé, próximo a ele e tentou beijá-lo. Lucas se desvencilhou de Raquel, a segurou levemente pelos braços e disse que o amor que ele sentia por Raquel era incomum, mas que ele não seria capaz de confiar nela novamente. Raquel ficou arrasada e decidiu ir embora. Os pais de Lucas vieram até ele e o consolaram, pois Lucas sofria muito por causa de Raquel. Ele subiu para o seu quarto e foi tomar uma ducha, enquanto sua mãe terminava o preparo do almoço.

Logo após o banho de Lucas, a família assentou-se à mesa e eles começaram a desfrutar de uma deliciosa lasanha, receita tradicional de Dona Sonia, aos domingos. Lucas gostou tanto do prato que até repetiu, mas quando estava quase terminando a refeição, o seu telefone tocou. Ele achou que fosse Raquel, relutou em atender, mas decidiu levantar-se da mesa para atender o telefone. Ele se admirou, pois viu que era uma chamada do seu gerente e decidiu retornar a ligação. Quando o gerente de Lucas atendeu a ligação, Lucas tratou logo de perguntar o motivo da ligação e o gerente explicou que precisava que Lucas estivesse uma hora mais cedo na empresa, pois eles receberiam uma equipe de uma empresa francesa que estava interessada num dos produtos que o departamento de Lucas geria e que os diretores da tal empresa, só teriam aquele horário disponível. Lucas, empolgado com a chefia, disse que estaria na empresa no horário solicitado e o seu gerente ressaltou que ele não poderia atrasar-se. Lucas confirmou mais uma vez o compromisso com o chefe, desligou o telefone e retornou para a mesa, a fim de terminar sua refeição.

Eles terminaram o almoço de domingo, Lucas ainda assistiu a um filme na tevê antes do futebol, que era quase que uma religião para ele, mas nem terminou de ver o debate esportivo da rodada, pois de maneira alguma, queria perder o horário para o trabalho no dia seguinte.

A noite se foi e o dia logo clareou. Lucas nem teve tempo para tomar o café-da-manhã e foi logo tirar o carro da garagem para ir ao trabalho. Seu pai, Seu Altair, tinha saído de casa mais cedo que o filho, pois tinha consulta marcada com o seu cardiologista, logo no primeiro horário da manhã, do outro lado da cidade, e para que não ficasse retido no transito, tratou logo de antecipar-se. Lucas conferiu os pertences para levar ao trabalho, mas estranhamente, o seu carro não deu partida. Ele conferiu a marcação de combustível e viu que estava num nível adequado, conferiu a bateria do carro e nada. O carro não funcionava de jeito algum. O tempo foi passando e com isso o nervosismo com o possível atraso. Já eram vinte minutos depois do horário de saída pretendido por Lucas. Lucas, num ato de desespero, engrenou a segunda marcha e empurrou o carro, mas mesmo depois de um embalo considerável, o carro não pegou. Ele já estava nervosíssimo, pois não poderia se atrasar a esse compromisso. Ele tentou dar partida no carro mais umas duas vezes, mas não obteve sucesso. Foi quando ele se lembrou de um vizinho taxista e foi logo chamá-lo, ele não poderia pensar em ir de ônibus, pois naquele horário, o transito no sentido Centro estava horrível e sua intenção era ir de taxi até a estação do metrô mais próxima e assim evitar o engarrafamento. O vizinho atendeu um pouco sonolento, pois tinha regressado da última viagem às 3h da madrugada, mas falou que levaria Lucas até a estação, uma vez que não seria uma viagem longa, no máximo quinze minutos. Lucas entrou no carro e foi logo ligando para sua secretária para verificar se os diretores já estavam por lá e ele ficou mais nervoso quando ela respondeu que sim. Ele pediu que o taxista acelerasse, pois ele estava com o horário apertado e o taxista, prontamente, o atendeu. O taxista estava a menos de três quilômetros do destino pretendido por Lucas e decidiu acelerar um pouco mais e não percebeu que o sinal estava amarelo a menos de duzentos metros do sinal e quando eles estavam passando pelo cruzamento, um ônibus vindo do lado direito colidiu com o taxi e Lucas não resistiu e faleceu.

Uma morte estúpida e cruel, uma vez se considerarmos que o taxista não chegou ao óbito, só Lucas. A família de Lucas entrou em desespero e trataram logo de avisar os demais familiares. Todos estavam desacreditados do que tinha acontecido e não queriam acreditar que aquele moço, de 23 anos de idade, inteligente, jovem, bonito, bem empregado, estava morto. Dona Sonia não teve forças para ver o filho sendo retirado pelo corpo de bombeiros, mas foi acudida por Raquel, que já tinha se encaminhado para o local, assim que soube do acidente de Lucas. Raquel estava inconsolável. Ela não aceitava a morte de Lucas, mas infelizmente tinha acontecido.

Os procedimentos legais e necessários foram realizados e uma grande multidão acompanhou o velório e o sepultamento de Lucas. O choque de toda a multidão era enorme. Amigos de faculdade, amigos do trabalho, a vizinhança, familiares que moravam no interior do Estado, todos vieram prestar sua última homenagem a Lucas.

Após o sepultamento, Dona Sonia e Seu Altair seguiram para casa e Raquel tratou de acompanhá-los. Eles se despediram de Raquel, assim que chegaram a sua residência e choraram muito. Afinal de contas, Lucas era seu único filho.

Na manhã seguinte, Dona Sonia muito atordoada com o fato recente, obteve forças , sabe-se lá de onde, para arrumar algumas coisas do filho. Após arrumar todas as roupas no armário, como se ele fosse voltar do trabalho, ela se incomodou com uma caixa que estava no fundo de uma das gavetas do armário do filho. Ela apanhou a caixa e viu que lá estavam muitas lembranças da infância. Uma foto tirada no Maracanã com o Zico, um grande ídolo do seu pai, umas figurinha repetidas do seu álbum da Copa do Mundo de 1994, porém dois objetos lhe chamaram mais a atenção. Uma foto dele com seu primo, Wallace, durante uma partida de futebol, onde os dois estavam abraçados após Lucas ter marcado um belo gol e que no verso estava escrito: “O irmão que eu nunca tive. O ídolo que eu sempre terei”. E um envelope, como um extrato bancário e um cartão que dizia que esse era o maior presente que ele poderia proporcionar à sua amada, era um fundo que Lucas estava mantendo há seis meses para uma viagem à Veneza, que era o local mais admirado por Raquel, para eles passarem a lua-de-mel quando se casassem.

FIM

Espero que todos tenham gostado dessa ESTÓRIA e aproveito para esclarecer que qualquer semelhança terá sido mera coincidência. E que não utilizei nenhum acontecimento para inspiração desse conto. Aguardo comentários!!!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dispersando Sonhos - Parte III


Raquel ficou deitada em sua cama refletindo sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida e sobre os galanteios de Wallace. Ela bem o conhecia e sabia que ele possuía uma fama de conquistador, mas o achava muito atraente também. As horas se passam e de repente o celular de Raquel toca, era Júlia. A moça estava extasiada pela aventura com Rogério e tratou de contar os mínimos detalhes de tudo que passara na noite anterior. Raquel vibrava com as confissões da amiga e a incentivava a curtir o momento. Júlia contou que Rogério a tinha convidado para uma semana em sua casa de campo em Itaipava, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Raquel a partir desse momento começou a zombar da amiga, de que ela agora estava presa a alguém e pelo que via, parecia que eles estavam se acertando mesmo e que torcia pelo sucesso de Júlia. Júlia confessou para Raquel que não ficaria muito à vontade de ir com Rogério para a casa de campo e convidou a amiga para lhe acompanhar. Raquel negou imediatamente, mas, Júlia disse que precisava da amiga para se sentir mais à vontade e que Rogério tinha pensado em chamar Wallace para estar com eles nessa semana. Raquel achou melhor não viajar, pois ela não estava tendo nada com Wallace e viajar com ele, talvez fosse o pretexto necessário para que ele achasse que os dois tinham algum compromisso. Foi quando Júlia confidenciou à Raquel que Wallace havia comentado com Rogério sobre ela e que ele se julgava completamente apaixonado, a ponto de superar qualquer barreira para os dois continuarem juntos, dessa forma, Raquel contou da mensagem e das flores recebidas e que concordava que Wallace era muito atraente, apesar de toda fama de mulherengo.

As amigas se despediram, já que Júlia disse que estava acabando de aprontar as malas, pois eles viajariam na manhã seguinte e insistiu mais uma vez para Raquel ir com eles, mesmo que ela fosse só como amiga de Wallace. Raquel ficou de pensar, mas estava completamente inclinada a não viajar. Júlia ficou de retornar a ligação após o jantar para confirmar o horário da viagem com Raquel. Raquel concordou, após tanta insistência da amiga e desligou o telefone para tomar banho.

Após o expediente, o gerente de Lucas o convocou até sua sala, a fim de lhe dar as coordenadas para a organização e metas do setor, Lucas se preocupou, pois queria passar na casa de Raquel para um jantar de comemoração com a namorada, mas não podia negar um pedido do chefe. O gerente de Lucas utilizou mais de uma hora para configurar as ações do dia seguinte e disse que tinha convocado uma reunião com todos os cooperadores do departamento de Lucas, para a posse do novo chefe. Lucas ficou feliz, mas tratou logo de se despedir, afinal de contas já era por volta de oito da noite e sair do Centro da Cidade do Rio de Janeiro, numa segunda-feira útil, é uma tarefa árdua, até para quem teria o Aterro do Flamengo como paisagem do seu regresso para casa.
No caminho ele apanhou o celular e telefonou para Raquel, ela identificou a chamada de Lucas e não quis atender. O rapaz insistiu mais três vezes, até que se convenceu que Raquel não estivesse próxima ao celular e ligou para sua residência. A mãe de Raquel, Dona Norma, atendeu o telefone, mas a filha fez sinal para que ela dissesse que ela não estava em casa e que não tinha avisado onde fora e que horas retornaria. Lucas ficou desolado e começou a refletir que talvez Raquel estivesse falando sério quando comentou do fim do relacionamento. Ele pensou consigo que o melhor seria ele aguardar na sua porta pelo regresso dela.

Ele chegou até a casa de Raquel e parou o carro próximo ao portão da amada, já eram praticamente nove horas da noite e nenhum sinal de Raquel, pudera, Raquel estava em casa e não quisera atender Lucas. Como ele não tinha feito nenhuma refeição, ele foi até uma lanchonete na esquina próxima, a fim de aliviar a fome, mas o seu intuito era jantar com a namorada.

As horas se passaram, até que Lucas decidiu ligar novamente. Mais três ligações para o celular de Raquel e ela não atendeu. Ele novamente ligou para a casa dela, sua mãe atendeu novamente, mas dessa vez, ela não teve coragem de enganar o rapaz e passou o telefone para a filha. Lucas ficou irado com a atitude de Raquel e tratou logo de cobrar uma explicação. Ele não entendia porque estava sendo tratado daquela forma. Raquel foi completamente indiferente à Lucas e disse que os dois não teriam mais nada para conversar e pediu que o rapaz não a procurasse mais.

Lucas ficou num misto de raiva e mágoa, e começou a falar asperamente com Raquel. Ele acusou Raquel de não ter sido companheira e de não ter vibrado com as conquistas dele e que ela estava transformando o dia da sua promoção no dia mais infeliz de sua vida. Raquel ignorou Lucas totalmente e disse ter que desligar, pois iria dormir. Mais um choque para Lucas. Afinal de contas, por que Raquel estava tão diferente com ele? Como inverter todo esse quadro? Mas, ele teve uma dose de amor-próprio e retornou para casa. Raquel olhou pela janela do quarto quando Lucas estava indo embora e imediatamente telefonou para Júlia confirmando a viagem na manhã seguinte. Júlia vibrou e confirmou o horário de saída com a amiga.
Lucas regressava para casa completamente atônito com tudo que estava vivendo naquele momento e quando estava próximo de chegar em casa, o seu amigo, Danilo, o avistou e insistiu para que ele parasse. Lucas disse que estava cansado e que teria uma reunião importante no trabalho logo pela manhã, mas Danilo tratou de agradecer a consideração do amigo, de ter ido a sua casa naquela fatídica, pelo menos na visão de Raquel, madrugada. Lucas dispensou os agradecimentos e disse ao amigo que entendia o estado de alegria dele, e que por isso foi na festa que ele fizera para comemorar a aquisição de mais três lojas e aí sim duplicar sua rede de supermercados, mesmo que Lucas tenha encontrado Danilo no caminho de regresso, meio que por acaso. Os dois se despediram e Lucas foi para casa. Lucas chegou completamente atordoado e nem quis jantar, foi logo tomar um banho, talvez numa fuga alucinante para refrescar a cabeça diante de tantas situações controversas. Seu Altair e Dona Sonia se preocuparam com o filho e assim que ele saiu, os dois o procuraram para conversar. Lucas contou a novidade da promoção, seus pais vibraram muito, mas perceberam que o ar triste do filho contrastava com a euforia da chefia alcançada. O filho de debulhou em lágrimas e contou o que estava se passando em seu relacionamento com Raquel, seus pais trataram de consolá-lo e dizer que talvez fosse uma fase e que o filho conseguiria inverter esse quadro ruim. Lucas se recompôs, mas mesmo assim, não quis se alimentar e tratou logo de dormir.
O dia amanheceu e enquanto Lucas corria para o trabalho para não se atrasar para a reunião com a gerencia e seus comandados, Raquel atendia a porta de sua casa. Era Wallace que tinha passado lá para apanhá-la. Ela conferiu se todas as coisas que seriam necessárias estavam na mala, se despediu da mãe e os dois rumaram ao ponto de encontro com Júlia e Rogério. Wallace puxou uma conversa com Raquel e ela pareceu estar bem à vontade com o rapaz. Mas os dois não se beijaram. Logo depois, eles encontraram o casal de amigos e rumaram ao interior serrano.

Lá chegando, ficaram maravilhados com o local - Itaipava é uma cidade muito bonita e dotada de belezas naturais esplendidas. Eles se acomodaram e foram logo recebidos por um delicioso almoço, devidamente preparado pelos serviçais de Rogério. Eles aproveitaram bem as trutas com alcaparras e foram relaxar na piscina da casa. Júlia e Rogério pareciam estar curtindo uma verdadeira lua-de-mel, por sua vez, Raquel estava um pouco dispersa. Wallace se aproximou e começou a galantear a moça e a perguntar a impressão que ela estava tendo de tudo que estava se passando entre eles. Ela foi bem sincera em dizer que o achava atraente, mas que talvez não estivesse pronta para um novo relacionamento, foi quando Wallace, de maneira bem astuta e sucinta, disse que ela deveria aproveitar o momento e que eles não teriam nada a perder. Raquel meio que concordou e os dois terminaram a tarde conversando. O sol já estava se pondo, quando eles decidiram tomar uma ducha e se aprontarem para um passeio noturno.

No Rio de Janeiro, Lucas se saiu muito bem em sua primeira reunião com seu departamento e o gerente estava cada vez mais animado com os prodígios do rapaz. Quando o seu expediente encerrou, ele decidiu ir até a casa de Raquel, pois ele ainda estava muito confuso com o que estava acontecendo e julgava ser necessário conversar pessoalmente com Raquel. O rapaz foi até a casa de Raquel, mas ficou perplexo quando Dona Norma contou que Raquel havia viajado e só retornaria no final da semana. Lucas chorou sozinho em seu carro e foi embora para casa.

Enquanto isso, no Centro de Itaipava, os quatro amigos curtiam um animado passeio e aproveitavam para conhecer e aprender mais da cidade. Eles se encantaram com uma adega fabulosa que tinha uns quitutes maravilhosos também. Afinal de contas, num ar de montanha, um bom vinho e uma fondue fazem muita diferença. Eles aproveitaram bastante, mas retornaram para casa um pouco mais cedo do que os horários habituais da noite carioca. Rogério e Júlia foram dormir juntos e Wallace, com o pretexto de estar sem sono, convidou Raquel para conversarem mais um pouco. Raquel também não estava com sono algum e ficou fazendo companhia a Wallace.

Wallace buscou uma caneca de chocolate quente, àquela hora em Itaipava fazia muito frio, para cada um dos dois e começou a prosear com Raquel. O assunto começou sobre a impressão que tiveram da cidade, das histórias, do aconchego da casa, mas logo ele deixou clara a sua intenção com Raquel. Ela mais uma vez disse estar um pouco receosa de começar um relacionamento, ainda mais que Wallace era primo de Lucas e ela sempre soube que Wallace era quase que o um ídolo de Lucas durante a sua adolescência. Lucas admirava Wallace demais. Mas, Wallace disse que os dois eram pessoas diferentes e que Lucas entenderia se Raquel estivesse feliz, afinal de contas, Lucas já não demonstrava tanto amor por Raquel, segundo Wallace. Raquel concordou com Wallace e os dois acabaram se beijando. Os dois ficaram juntos durante aquela noite.

O dia amanheceu e Raquel, Júlia, Wallace e Rogério se encontraram na mesa para tomar o café-da-manhã. Júlia quis logo fazer uma brincadeira com o novo casal, mas Raquel disse que eles estavam se curtindo e que era muito cedo para pensar em algo mais sério. Wallace abraçou Raquel e lhe entregou uma linda rosa vermelha, devidamente colhida no jardim da casa. Raquel suspirou com o romantismo do rapaz e começou a pensar que ele estava sentindo algo de muito especial, pois ela sabia que Wallace não era de ter esse tipo de comportamento e tendeu a confiar mais nesse relacionamento. Eles aproveitaram os outros três dias, mas decidiram retornar ao Rio de Janeiro na sexta-feira mesmo, pois Rogério tinha que liberar uns pagamentos de sua loja e Wallace tinha um jantar de comemoração do aniversário de sua mãe. Por volta das 13h, eles já estavam no Rio de Janeiro. Júlia seguiu com Rogério e Wallace foi levar Raquel para a casa dela. Lá chegando, eles se despediram no portão e ele pediu que a moça o acompanhasse no jantar de sua família. A moça ficou receosa, mas acabou concordando. Apesar de ela ter um resquício de amor por Lucas, ela tinha muita raiva também, porque ela julgava estar sendo traída.
Dona Sonia, a mãe de Lucas, telefonou para o rapaz para lembrá-lo de trazer uma garrafa de vinho português, que era a bebida predileta de sua cunhada, mãe de Wallace e que ela a presentearia no jantar de comemoração de seu aniversário. Lucas chegou em casa com a encomenda da mãe e foi logo tomar banho para não se atrasar para o jantar. Os três, Lucas, Seu Altair e Dona Sonia foram para a casa de Dona Elisa, mãe de Wallace. Lá chegando, já estavam alguns familiares e, Lucas e Wallace se encontraram e se cumprimentaram normalmente, Lucas não sabia o que estava acontecendo. Wallace disfarçou diante dos familiares que iria até um local próximo para poder ir à casa de Raquel. Quando chegou à casa de Raquel, a moça já estava pronta e os dois logo retornaram para a casa de Wallace. No portão de entrada, Raquel refugou, mas foi encorajada por Wallace porque ele enganou Raquel que Lucas e seus pais não estariam lá e contou com a ajuda do próprio Lucas, que estacionou o seu carro na parte de trás da casa, onde não tinha uma boa iluminação e fora da visão de quem chegava na residência. Wallace apanhou a mão de Raquel e os dois adentraram. Lucas estava de costas conversando com a prima Rebeca, a irmã mais nova de Wallace e nem se deu conta que Wallace chegava com Raquel. Quando Rebeca percebeu, ela ficou tão diferente que o instigou a olhar para trás. Lucas não acreditou no que estava vendo: Wallace e Raquel juntos. Raquel não se sentiu confortável com a situação, mas Wallace tentou agir como se nada de diferente estivesse acontecendo. Lucas era um rapaz muito dócil, pacato, porém explosivo. Ele não resistiu e foi ao encontro de Wallace, antes que ele terminasse de cruzar todo o corredor de acesso e esmurrou Wallace. Os outros familiares vieram até eles para apartarem a briga, mas não foi suficiente, Wallace era muito forte e conseguiu se desvencilhar de dois primos e acabou agredindo Lucas com dois socos no rosto. Quando Lucas caiu os demais familiares conseguiram apartar a briga e Lucas começou a xingar os dois e a ofender Raquel. Ela chorava compulsivamente, por que ela não esperava que aquilo estivesse acontecendo. Lucas perguntou aos dois porque eles tinham feito aquilo com ele, mas Wallace não deu nenhuma resposta e Raquel, decidiu ir embora imediatamente. Wallace tentou impedi-la, mas não conseguiu contê-la e ela apanhou um taxi de volta pra casa. Lucas queria acabar com Wallace, mas foi contido mais uma vez e seu pai o levou de volta pra casa.

Lucas estava arrasado, como o primo querido, que tanto admirava na adolescência e sua namorada, poderiam estar juntos? Como isso aconteceu? Ele não tinha explicações para nenhuma de suas dúvidas e acabou ligando para Raquel. Raquel atendeu o telefone, soluçando de tanto chorar e acusou Lucas de ter sido responsável por aquilo tudo ter acontecido. Ele não entendeu ser responsabilizado por aquilo e ela contou que o viu saindo da casa de Renata (Danilo) às 5h da manhã e que ele havia mentido que estava em casa. Ele disse a verdade para ela, que tinha ido numa confraternização pela aquisição de novas lojas pelo seu amigo, Danilo e que não quis comentar porque ele sabia dos ciúmes que ela tinha de Renata. Ela não acreditou nele e ele não aceitou isso como justificativa para uma traição assim dessa forma. Raquel desligou o telefone e intensificou o seu choro, afinal de contas, Lucas era o seu amado e do outro lado, Lucas não conseguia nem chorar, diante de tanto imbróglio. Seus pais foram até o seu quarto para ver se estava tudo bem e Lucas disse que na manhã seguinte acordaria bem cedo para ir à praia.

E ele fez assim mesmo, acordou bem cedo e foi sozinho à praia de Grumari. Colocou uma música no CD Player do carro, mas trocou logo, pois CD que estava no ponto para tocar era o do Roupa Nova e logo na música Meu Universo é Você (... mais que a luz das estrelas, meu universo é você...) que Raquel sempre fazia questão de ouvir no carro do amado. Ele trocou o CD e pôs para tocar o da Legião Urbana e escolheu sua faixa predileta: Tempo Perdido (... veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...). Mas ele estava muito triste e não conseguia relaxar. A todo o momento, era como se ele visse a cena de Wallace e Raquel juntos, ainda mais quando viu o embrulho do presente que compra para Raquel. Mesmo assim ele conseguiu chegar até a praia, mas não conseguiu ficar lá mais do que duas horas. Retornou para casa e ainda teve tempo de almoçar com seus pais.

Wallace ligou logo de manhã para Raquel, a fim de combinar alguma coisa, mas ela disse que não sairia mais com Wallace e que eles deveriam terminar o que nem sequer tinham começado. Ele se fez de queixoso e mesmo assim insistiu de passar na sua casa no início da noite para eles irem jantar.

Wallace chegou no horário que falara, tocou o interfone da casa de Raquel, mas ela não quis atendê-lo. Ele insistiu e ela o atendeu do portão mesmo. Ela disse que não queria se envolver com ele e que ele deveria buscar um novo rumo para sua vida, assim como ela estava decidida a fazer. Wallace sentiu-se ofendido e saiu furioso. Raquel entrou para casa novamente, enquanto Wallace seguiu para um barzinho, a beira-mar, muito freqüentado pela juventude carioca. Ele tomou pelos menos quatros doses de uísque e duas de vodka. Ele estava completamente fora de si. Sozinho na noite, mas na verdade o que ele sentia era a incapacidade da sua masculinidade, uma vez que Raquel não tinha concordado de dormir junto com ele durante a semana em Itaipava, e era isso que faltava para ele. Ele saiu com seu carro do bar e começou a ligar para Raquel, mas ela não o atendia. A insistência foi tanta que ela desligou o celular. Raquel estava com a versão de Lucas sobre aquela madrugada em sua mente fervilhando e decidiu ir até a casa de Danilo. Ela chamou e Danilo a atendeu. Ele estranhou o fato de Raquel ter ido à sua casa e ela logo pediu que ele confirmasse a versão de Lucas. Danilo prontamente esclareceu o que tinha acontecido e ainda complementou que Lucas queria ir embora logo, que só ficaria uma meia-hora, mas que graças à insistência de Danilo é que ele tinha ficado. Raquel chorou de remorso. Afinal de contas, ela tinha duvidado de Lucas e ainda por cima estado com outra pessoa. Ela decidiu procurar Lucas e partiu para sua casa, enquanto Wallace ligava insistentemente para o seu celular. Wallace estava a caminho da casa de Raquel e nem percebeu que dois carros se aproximaram do seu, a fim de assaltá-lo. Quando ele conseguiu recuperar o reflexo, era tarde demais. O carona de um Chevrolet Astra preto estava com uma arma apontada para ele e pedindo que ele parasse ou morreria. O susto foi tão grande que ele só pensou em fugir dos bandidos e não conseguiu controlar o seu carro. Wallace foi atingido por um disparo nas costas e capotou duas vezes na pista do Aterro do Flamengo. Os bandidos fugiram e Wallace estava todo ensangüentado, quase que morto, dentro do carro.

Próximo ao local existe uma casa noturna e por isso o socorro veio rápido. Eles levaram Wallace para a emergência mais próxima. Como quase que combinado, no exato momento que Raquel entrou na casa de Lucas, o telefone tocava para dar a notícia do acidente de Wallace. Dona Sonia chorava compulsivamente, pois achava que o sobrinho estava morto. Seu Altair tentou acudi-la e Lucas, mesmo que entristecido com o primo, solidarizou-se com a situação do familiar. Raquel não sabia o que dizer e se colocou à disposição para qualquer coisa que eles precisassem. Lucas, elegantemente, pediu que ela deixasse a família sozinha e que ele levaria seus pais até o hospital onde Wallace estava internado. Raquel, antes de ir embora, disse para Lucas que tinha descoberto a verdade e que ele não estivera com Renata, como ela tinha pensado. Porém, dessa vez o sarcasmo foi de Lucas. Ele se limitou a dizer: tarde demais!

Raquel foi embora e Lucas foi para o hospital com seus pais para encontrar seus tios e outros familiares que estavam apreensivos por mais notícias. Dona Elisa, mãe de Wallace, chorava demais por que o médico havia informado que Wallace estava com uma bala alojada próxima ao pulmão e que ele precisaria de uma transfusão de sangue, isso como recurso para salvá-lo. Haviam poucos familiares em condições para doar, uma vez que Dona Elisa não possuía boa saúde para a doação e ele precisaria de uma grande quantidade e o seu grupo sanguíneo O e fator RH negativo, faziam com que essa busca foi mais difícil. Todos choravam, pois seria muito difícil salvar Wallace. Talvez Lucas pensasse que ele estivesse recebendo o que merecia e só lamentava. Lucas caminhou até seus pais e disse que iria até o posto de gasolina mais próximo para abastecer o carro e que mais tarde voltaria.

Dois minutos depois que ele tinha saído, parece que ele foi tomado por um sentimento de arrependimento, ele chorou como criança, pois ele tinha o mesmo tipo sanguíneo de Wallace e fez uma manobra brusca de volta ao hospital. Todos se assustaram com a face chorosa de Lucas e ele avisou que seria o doador do primo. Dona Elisa chorou intensamente, pois não esperava atitude tão sublime do sobrinho e eles foram logo procurar os responsáveis pela doação. Os profissionais orientaram Lucas e ele fez a doação de sangue para o primo. Os médicos realizaram a cirurgia, mas não puderam retirar o projétil alojado no seu corpo. Agora a espera era pela reação de Wallace, será que ele conseguiria recuperar-se dessa cirurgia? Dona Elisa e Seu José Antonio, os pais de Wallace, abraçaram Lucas mais uma vez, agradecendo ao sobrinho pelo gesto nobre. Lucas recolheu-se e ficou numa reflexão introspectiva. As horas necessárias se passaram e os médicos autorizaram a visitação da família. Os pais de Wallace foram os primeiros a entrar no quarto e logo foram acompanhados dos pais de Lucas. Wallace estava respondendo bem, queixava de algumas dores, mas parecia que o pior tinha passado. Seu José Antonio contou para Wallace quem havia sido o doador e Wallace ficou perplexo quando soube que tinha sido Lucas. Wallace quis saber onde Lucas estava e Dona Elisa tratou de buscar Lucas, que só observava pelo vidro da sala de recuperação, para falar com Wallace. Lucas resistiu, mas foi convencido pela tia e adentrou o quarto onde Wallace estava. Wallace olhou para todos no quarto e pediu que todos se retirassem, pois ele queria ficar a sós com Lucas.
Termina amanhã...