
“Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti e de tristezas vou viver e aquele adeus não pude dar. Você marcou na minha vida, viveu, morreu, na minha história, chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate. E eu gostava tanto de você. Eu corro, fujo desta sombra, em sonho vejo este passado, e na parede do meu quarto ainda está o seu retrato, não quero ver prá não lembrar, pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o pensamento em você”.
Ao lermos a letra desse grande sucesso do inesquecível Tim Maia (Gostava Tanto de Você) temos a impressão de estarmos nos deparando com a história de mais um relacionamento frustrado entre casais. E não são poucas as situações em que essa música é introduzida nesse contexto. Até hoje em dia, afinal de contas estamos falando de uma música dos anos 80, ela faz muito sucesso, porém, erradamente inserida no contexto de um relacionamento frustrado.
O autor dessa letra, Édson Trindade, fez essa composição para homenagear sua filha que havia falecido em decorrência de um acidente. Se bem que se analisarmos friamente a composição, percebemos que a parte em que ele cita “e na parede do meu quarto ainda está o teu retrato” tira qualquer sentido dúbio, uma vez que ninguém em sã consciência guardaria uma lembrança tão intrínseca de um antigo relacionamento.
Essa letra serve para exemplificar um erro muito comum que as pessoas cometem: generalizarem uma situação por um simples fato, sem a análise completa do contexto.
Freqüentemente no meu perfil no Orkut, eu ponho algumas letras de músicas e constantemente as pessoas me questionam a razão daquelas letras específicas. Eu tenho que “esclarecer” que se eu gosto de Roupa Nova, Flavio Venturini, Legião Urbana, entre outros, eu tenho que colocar uma dessas canções e simplesmente porque gosto das músicas e não teria razão para fazer referencia a nenhuma acontecimento ocorrido na minha vida, até porque eu não seria tão insano de expor o âmago do meu coração de maneira tão esdrúxula.
Logicamente, esse post não é uma defesa desses questionamentos, mas a intenção é provocar um sentimento de reflexão de atitudes que geralmente temos movidas por uma, tal, primeira impressão.
Será que se eu colocasse uma música funk, dessas que citam a atividade sexual bem explicitamente, eu seria um promíscuo? Muitas pessoas achariam que sim, mas na verdade, a essência do nosso ser está determinada desde os tempos adolescentes. Isso é científico!
Talvez porque hoje em dia, as pessoas sejam tão superficiais e maquiem tanto seus sentimentos, estamos sempre na espreita de encontrar alguma nuance que seja a revelação do real motivo de uma atitude.
O problema em tudo isso é que nunca nos importamos como a pessoa que está sendo julgada se sentirá e nem nos importamos que talvez estivéssemos praticando uma ação dolorosa contra essa pessoa, mesmo que de maneira involuntária.
Por isso, quando estiver diante de uma situação que caiba uma avaliação, olhe o retrospecto de toda essa situação; não se detenha a meros detalhes, ainda mais se você conhece a essência do julgado. Ninguém tem o direito de dizer que atitude A ou B é certa ou errada para alguém, o máximo que podemos fazer é identificar se elas são ou não apropriadas para nossas vidas e emitir opinião se ela for pedida.
Isso serve para qualquer área da nossa vida e em todos os nossos relacionamentos, sejam amorosos, fraternos ou familiares. Ou será que ninguém nunca viu ou viveu algumas situações como: a namorada diz que adora chocolate branco, mas o namorado insiste em presenteá-la com chocolate negro e ela se sente desprestigiada e às vezes nem quer mais o relacionamento por achar que o namorado não lhe dá atenção? Eu acho uma tolice, mas os dois, que estão no contexto, talvez achem comum esse tipo de discussão. Ou então, você percebe que um amigo está muito cabisbaixo por causa de uma frustração e o convida para sair, mas ele insiste em ficar em casa em pleno sábado à noite. Você está com boas intenções para animá-lo, mas ele não percebe dessa forma. Ou então, você percebe que um familiar está em situações financeiras complicadas, mas ele insiste em adquirir novas posses e não diminue seus gastos. Você percebe que ele está num caminho perigoso, mas ele quer ir adiante. O que fazer?
Acredito que todos nós somos responsáveis pelos nossos atos e por nossas escolhas e ainda mais: somos responsáveis pelo sentimento que as pessoas têm por nós e não podemos fugir desse peso. Portanto, numa outra situação, emita sua opinião se ela for pedida e no máximo, tente, de maneira bem sucinta, emitir sua opinião sobre algo que esteja ocorrendo, mas nunca se iluda em acreditar que essa pessoa é obrigada é lhe ouvir e seguir seus conselhos, afinal de contas, as nossas decisões somos nós que fazemos.
Abaixo, finalizo com a citação de três músicas que eu gosto, talvez falem até um pouco de mim, mas estão citadas pelo motivo do meu gosto, nada mais.
EM TEMPO: Essa citação não quer dizer que são as únicas músicas que gosto ou que essas são as que mais gosto.
“Meus olhos te viram triste, olhando pro infinito tentando ouvir o som do próprio grito. E o louco que ainda me resta só quis te levar pra festa, você me amou de um jeito tão aflito que eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções, eu queria viver morrendo em sua teia, seu sangue correndo em minha veia, seu cheiro morando em meus pulmões. Cada dia que passo sem sua presença sou um presidiário cumprindo sentença, sou um velho diário perdido na areia, esperando que você me leia, sou pista vazia esperando aviões. Sou o lamento no canto da sereia, esperando o naufrágio das embarcações” (Esperando Aviões – Vander Lee)
“É incrível, nada desvia o destino. Hoje tudo faz sentido e ainda há tanto a aprender e a vida tão generosa comigo veio de amigo a amigo me apresentar a você. Paralisa com seu olhar, Monalisa, Seu quase rir ilumina tudo ao redor minha vida. Ai de mim, me conduza junto a você ou me usa pro seu prazer, me fascina, deusa com ar de menina. Não se prenda a sentimentos antigos tudo que se foi vivido
me preparou pra você. Não se ofenda com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você”. (Monalisa – Jorge Vercilo)
“Se a gente não tivesse feito tanta coisa. Se não tivesse dito tanta coisa. Se não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor grand'hotel. Se a gente não fizesse tudo tão depressa. Se não dissesse tudo tão depressa. Se não tivesse exagerado a dose, podia ter vivido um grande amor. Um dia um caminhão atropelou a paixão, sem os teus carinhos e tua atenção, o nosso amor se transformou em "bom dia!" Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só prá se viver. Qual o sentido da realidade? Será preciso ficar só prá se viver”. (Grand’ Hotel – Kid Abelha)

Querido li sua crônica e achei que vc nos deu uma grande lição...rsrs
ResponderExcluiras vezes interpretamos as coisas de forma errada, por isso temos que ter cuidado antes de julgar as pessoas!!!!
Lindo agradeço sempre por ter lhe conhecido, pois através de vc estou tendo oportunidade de aprender sempre mais, vc é uma pessoa incrível sempre agindo de forma correta...um grande beijo.
Te adoro!!!!!!!!
Catia