quinta-feira, 19 de março de 2009

O padrão não é o mesmo, é verdade, mas...


Um dos programas mais populares dos anos 80, sem dúvida alguma foi o do grande Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha. Ele tinha um bordão incrível que dizia que “na tevê nada se cria, tudo se copia”. Nada verdade, ele parafraseava o grande cientista francês Lavoisier quando o mesmo disse que “na natureza, nada se cria, tudo se transforma”.

Há mais de 20 anos que Chacrinha morreu, mas o que vemos hoje em dia é um lote imensurável de cópias televisivas e, o pior, de um gosto duvidoso. Lembro-me que a TV Globo, durante muitos anos, tinha um slogan que propagava o Padrão Globo de Qualidade, onde o foco de sua audiência eram as classes A e B. Isso na época do José Bonifácio de Oliveira, o Boni. Mas, quando a ex-superintendente Marluce Dias assumiu, o foco passou a ser outro e os programas populares passaram a ter mais chances.

A TV Globo chegou a ter 70 pontos no Ibope na exibição de suas novelas, porém, hoje, é muito difícil ultrapassar os 50 pontos e quando isso acontece, é uma celebração. Todos disparam: A Globo está perdendo terreno e não tem mais a mesma audiência, uma vez que passou a investir em programas de auditório e reality shows.

Porém, um recente levantamento de órgãos especializados verificou que a última edição do reality show mais famoso da empresa, BBB9, mesmo amargando baixos índices de audiência, é o que mais vendeu. Conseguiu ultrapassar o recorde de venda de pay-per-views e de contrato publicitários. O Domingão do Faustão, que há mais de 20 anos empobrece as nossas tardes dominicais, só perde em patrocínio para as novelas, Jornal Nacional e para o futebol.

Diante de todas essas colocações, cabe uma pergunta: Será que a alta cúpula da Globo está preocupada com a perda nos índices de audiência? Obviamente sim, uma vez que os contratos publicitários são negociados de acordo com esses índices, mas o faturamento não diminui, ele, pelo contrário, vive um constante crescimento.

Por outro lado, eu vejo uma crescente corrente que ataca os programas globais, dizendo que não detém as marcas de audiência anteriores e tal, e querem nos empurrar goela à baixo, programas que estão fazendo um “estrondoso” sucesso. E o filão da vez é o (pífio) CQC (Custe o Que Custar, de Marcelo Tas, a BAND exibe às segundas-feiras).

Um momento, por favor. Mas a Globo está em declínio e o CQC é a coqueluche do momento? Só que o CQC detém 4 ou 5 pontos no Ibope, sendo que esse índice é medido na Grande São Paulo e serve de projeção nacional, ou seja, nem mesmo no seu domicílio consegue atingir algo considerável e todos já querem induzir que o programa é sucesso. Qual o parâmetro?
Na verdade, a Globo é uma Organização muito bem trabalhada estratégica e gerencialmente. Hoje, com o aumento do poder de aquisição das operadores de TV a cabo e a miscigenação das mídias, o público para assistir televisão diminuiu consideravelmente, mas nada que chegue a assustar o poderio da Globo. Uma vez que 5 pontos de um programa pífio não seriam capazes de abalar os 25 pontos do filme repetido pela enésima vez na Tela Quente.

É lógico que a programação não é mais a mesma, além do fato do comando ser outro, tem o fato de que a Globo quer vender outros produtos seus. Para se ter uma idéia, a Globo é sócio-majoritária da NET (Operadora de TV a Cabo) e sócia da Directv na TV por Assinatura, SKy. A Globosat que possui um leque de vários canais em seu portfólio é uma gigante que cresce cada vez mais.

A idéia não é fazer defesa da Globo, até porque além de ser muita pretensão, eu tenho absoluta certeza de que eles não precisam disso, mas dar um basta em coisas difundidas por várias mídias de que programa A é sucesso, se não tem nem cota de patrocínio que o garanta até o fim do ano.

O que nós vemos hoje em dia é uma maior concorrência nas novelas, mas dizer que Dado Dolabella, Leonardo Vieira, Lavínia Vlasak são estrelas de classe maior é forçar muito a barra. Onde Marcelo Resende teria condições de assumir a bancada, não digo nem do Jornal Nacional, mas de um Bom Dia Rio? É por essas e outras que quando eu quero saber de notícias, assisto ao Jornal Nacional, ao Jornal da Globo e recorro por vezes ao Em Cima da Hora, da Globo News também. Quando eu quero assistir a algum evento esportivo, eu sei onde ter uma correta transmissão e dados relevantes na transmissão e não um ex-jogador com sotaque caipira para fazer gênero. Quando a minha vontade é entretenimento, nem se fala, prefiro ficar acordado até mais tarde para assistir ao Jô Soares e ao Altas Horas do que assistir No Coração do Brasil e Hebe.

Pra terminar, que fim levou A Casa dos Artistas e a Escolinha do Barulho?

Um comentário:

  1. Acho que poderiam melhorar as programações, mais a globo ainda é o melhor canal aberto que temos. Tem mais estrutura, melhor jornalismo e melhores novelas. É o único canal que sabemos os horários e não tiram um programa do ar do nada.As outras emissoras vem crescendo, mais ninguém consegue competir com a globo!!!
    Catia

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