quarta-feira, 11 de março de 2009

Imagem não é nada!


O título da cronica faz uma clara referencia a uma campanha comercial do produto Sprite, da Coca Cola Company, onde questionava o valor da imagem.


Desde o fim do primeiro e início do segundo governo de George W. Bush, nos Estados Unidos, a tensão foi um componente quase que diário na vida dos americanos e na vida de toda população mundial, sem sombra de dúvidas. Afinal de contas, ninguém consegue se esquecer dos ataques terroristas ao World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001, que acabaram culminando com os ataques ao Afeganistão e posteriormente ao Iraque.

Era uma suspeita mundial de que eles possuíam armas químicas e biológicas, o que nunca foi provado. Mesmo assim, vimos pela mídia desde torturas de presos a enforcamento de líder de um povo, mesmo que ditador (até porque Saddam Hussein poderia ser tudo, menos inocente).

Como a política é algo completamente volúvel e volátil, George W. Bush que havia recebido total apoio da população no combate ao terror, pelos episódios de 11 de setembro de 2001, passa a ser o carrasco do mundo com a invasão e barbáries no Iraque, em Março de 2003. O mundo passou a questionar a necessidade de um combate tão veemente e qual seria a razão de tudo aquilo. Enquanto a guerra se arrastava no Oriente Médio, a economia americana sofreu vários abalos e o que vimos no fim do último ano foi uma verdadeira onda de crises que afetaram muitas empresas gigantes, antes vistas como inatingíveis. O mercado de imóveis despencou, o desemprego aumentou, empresas faliram e também demitiram em massa. Para termos uma idéia, a previdência americana nunca pagou tantas verbas como no último ano e o governo estudou um projeto de sobretaxar as empresas por causa das demissões.

Mas, o mundo se atentou a disputa entre o possível primeiro presidente negro da história americana e aquele que carregava o fardo da continuidade do governo da luta contra o terror. E como Barack Obama, com todo seu carisma e persuasão, conseguiu uma expressiva vitória para a corrida presidencial americana, o mundo viveu uma onda de esperança. Afinal de contas, o lema de campanha de Obama era: “Change. We can believe in” (que em português significa: “Mudança. Nós podemos acreditar”.

A esmagadora maioria dos chefes de Estado saudou o novo líder mundial e via-se que podia ser um grande redentor em toda a crise mundial, que a essa altura não afetava somente aos países ricos, mas a todo o mundo.

Porém, sem querer ser o dono da verdade ou rotular o presidente americano, até porque não tenho pretensão de fazê-lo, o que toda a população mundial tinha expectativa era de que ele arregaçasse as mangas e trabalhasse em favor de seu povo e conseqüentemente para o bem dos demais países. Mas, pelo menos a uma primeira impressão nesse primeiro trimestre, é que na verdade não estamos diante de um líder, mas diante de um pop star.

Eu sei que tem todo o lado sentimental da coisa. O primeiro negro eleito presidente de uma superpotência, um senador de sucesso e coisas do tipo, mas eu pergunto: Quais as medidas adotadas por Obama afim de, ao menos, amenizar a crise mundial?

Numa esfera bem menor, mas para ilustrar o raciocínio, eu fico imaginando um pai de família que tem contas para pagar durante o mês, só que está com um filho muito doente e ele vai ter que dispor de dinheiro para medicação e tratamento médico. Ou seja, ele terá que trabalhar de maneira a conseguir ganho extra para suprir suas necessidades familiares, ou ele irá se ver à beira de um colapso. O que ele faz? Ele busca trabalhar após o expediente, busca um empréstimo bancário, enfim, ele busca soluções para a dificuldade de sua família. Era como se esse pai de família, ao invés de comprar o medicamento, fosse assistir um jogo de futebol numa quarta-feira à noite, todas as semanas.

Era o mínimo que esperávamos do presidente americano, mas ele intentou em aprovar no senado americano um valor para financiamento da guerra, não tomou muitas atitudes com a crise do sistema bancário e imobiliário americano, mas posa diante das câmeras como um ator Hollywoodiano.

A foto, que estampa essa crônica, foi tirada no dia 28 de fevereiro de 2009, em Washington, durante um jogo de basquete entre o time da cidade, Washington Wizards e o time de Obama, Chicago Bulls. Não quero parecer pessimista, mas o que ele demonstra até o presente momento, é que ele não será o presidente que esperávamos e que provavelmente essa crise se arrastará por mais tempo que o suportável.

Talvez muitas pessoas achem que esse papo nada tem a ver conosco, que esse negócio de cenário político e econômico mundial é uma chatice, mas esquecem que nosso futuro e de nossas gerações podem estar atrelados a decisões de agora; não podemos fazer como o nosso ilustríssimo presidente que disse que no exterior a crise muito maior que no Brasil.

Empresas brasileiras estão colocando funcionários de férias coletivas, sem previsão de volta. Sejam montadoras de automóveis do ABC paulista, seja laboratório da indústria farmacêutica. Com isso, a inadimplência começa a crescer, o crédito fica mais caro e escasso, e, com isso, as médias e pequenas empresas ficam sufocadas e sem condições de se solidificarem.

Confesso que eu queria ver um presidente anunciando, não um pacote de medidas vãs, mas mostrando o seu plano de sustentação de uma super economia e não ficar com a imagem de que se o mundo lá fora se acaba em desgraça, nós podemos ser felizes.

O que me parece (e eu torço que esteja completamente errado) é que o Obama é um personagem que serve para alterar o foco do cenário mundial, uma vez que os problemas continuam os mesmos, mas é até empolgante ver o presidente americano num ginásio de basquete assistindo um jogo e tomando cerveja.

Isso, para mim (mais uma vez repito que não quero ser o dono da verdade), parece que é uma clara tentativa de manipular o nosso sentimento com tudo que está acontecendo. Demonstrar uma falsa tranqüilidade e um carisma para solucionar problemas não é suficiente. Precisamos de atitudes sérias e rápidas, porque o mundo vive a beira de um verdadeiro colapso. Ou será que a frase da (argh!) Marta Suplicy durante o transtorno nos aeroportos brasileiros também seria aplicada agora?

Pois é, gente, política é realmente algo chato, mas de vez em quando temos que pensar um pouco nisso tudo. Só para encerrar, a previsão otimista dos economistas, conforme divulgado pelas principais mídias, é de que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro fique em 0%. Sabem o que isso significa? Que o nosso país não crescerá nada nesse ano, que esse ano será um ano de estagnação.

Um laboratório farmacêutico gigante, Medley, deu férias coletivas a todo seu pessoal aqui no Rio de Janeiro e eles estão sem previsão de retorno e, pior, sem receber qualquer remuneração. O Bom Dia Brasil, da TV Globo, mostrou um terminal de cargas na Grande São Paulo, com cerca de 800 caminhões parados. Isso por que eles não tinham viagens que compensassem seus custos e muitos já sofriam problemas de crédito.

E por aqui seria uma marolinha...

Um comentário:

  1. Luiz Vieira,
    Sempre admirei suas cronicas e sua maneira de escrever,de se expressar.
    Qualquer ´´semente´´lançada, mesmo que pequena ao coração ou mente de alguém será válida, pois grandes possibilidades de germinar em um tempo de que houver campo fértil. Parabéns por seu talento, e não desanime. Pressiga !
    Um grande Beijo

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