segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"Eu venci o maior de todos os tempos"


Como freqüentemente faço aos domingos, e assim não foi diferente nesse primeiro dia de fevereiro, preparei-me logo cedo para jogar futebol, que para mim é sagrado, afinal de contas acordar às 6h30min da manhã para jogar às 7h em um domingo é só pra quem gosta e muito. Foi um jogo bem animado e disputado, onde pude mostrar que estou recuperando a melhor forma técnica. Sempre após os nossos jogos, há uma confraternização entre os amigos de grupo, onde jogamos um pouco de conversa fora, comemos e bebemos algo, e aproveitamos também para festejar os momentos célebres do nosso futebol (aquele drible, aquele passe, aquele gol) ou aquele momento torpe (aquele gol perdido, aquele drible recebido), enfim, quase que um ritual de domingo. Porém, confesso que nesse domingo foi diferente, fiquei menos tempo que o habitual, pois não queria de forma alguma perder a final masculina do Australian Open de Tênis, entre Roger Federer e Rafael Nadal, mas sabia que provavelmente, ao chegar em casa, a partida já teria terminado, pois o jogo tinha começado umas 6h30min, no horário de Brasília. Ledo engano. Cheguei em casa, umas 10h e a partida estava no fim do quarto set. Federer igualava a partida e forçava o tie-break.

Apesar de o futebol ser uma paixão quase que intrínseca, confesso, que para mim, o tênis tem algo de fascinante e aprendi a curtir as partidas, apesar de que essa paixão é um pouco antiga, desde os tempos da extinta TV Manchete, em que transmitia as partidas de lendas desse esporte como Ivan Lendl, Boris Becker, Pete Sampras, Andre Agassi, Martina Navratilova, Martina Hingis, Steff Graff, entre outros. Mas, confesso que o jogo de Federer é o que mais me chamou a atenção ultimamente, digo isso porque nem com o nosso Guga Kuerten me motivei tanto. O suíço detém 13 títulos de Grand Slam (que são os principais torneios profissionais como Australian Open, disputado na Austrália, Roland Garros, na França, Wimbledon, na Inglaterra e o US Open, nos Estados Unidos), sendo que desses, só Roland Garros ainda não foi conquistado por Roger. E ainda, tem a chance de superar o recordista que é Pete Sampras, com 14 títulos de Grand Slam, uma vez que Federer tem 27 anos de idade e completar a Career (que é o termo utilizado para sagrar o campeão de todos os torneios de Grand Slam), feito que só o célebre André Agassi detém na categoria masculina, desde a era Open do Tênis Profissional e detém o recorde de mais semanas como número 1 do Tênis Profissional (237 semanas no topo da ATP).

Cheguei em casa e logo sintonizei a ESPN para acompanhar a transmissão da partida e o que vi foi um espetáculo à parte, as devoluções e as subidas na rede de Federer eram fenomenais, mas do outro lado, havia um verdadeiro campeão: Rafael Nadal, da Espanha. Federer conseguiu empatar a partida, mas no tie-break (set decisivo), Nadal levou a melhor e conquistou o título. Uma frustração, uma vez que já há algum tempo que Federer perdeu o posto de número 1 para Nadal e vem perdendo jogos e finais para o espanhol, em locais onde nunca se imaginou, como por exemplo, Wimbledon em 2008 e o próprio Australian Open 2009, pois Federer é especialista na grama de Wimbledon e na quadra dura da Rod Laver Arena, da Austrália. Já chegava a ser incomoda a questão de sempre o Roger perder para o Rafa em finais. Acompanhei o restante da transmissão e no discurso de premiação, eu vi uma cena que não sairá da minha cabeça. Quando Federer foi discursar durante a cerimônia de premiação (um feito comum no Tênis), ele não se conteve e chorou durante o seu pronunciamento. Todos na Arena olharam aquela cena, estupefatamente, e o que mais se emocionou com aquilo fora Rafael Nadal. A ponto de ele dizer, durante o seu pronunciamento de campeão, que sentia muito por Roger, por tudo que ele estava passando e que se sentia mais feliz por ter conseguido vencer onde Roger era praticamente um deus. Um feito inimaginável, mas que foi possível por causa de seu talento e dedicação com esse esporte. Nadal, com suas palavras demonstrou duas importantes lições que devemos carregar em nossas vidas.

A primeira é que temos que ter uma real idéia do nosso feito, da nossa vitória e para, aí sim, darmos valor às nossas conquistas. Nadal não venceu um simples tenista ou um tenista novato, mas venceu aquele que é apontado por muitos, como o maior tenista de todos os tempos. Isso quer dizer, que quando estabelecermos uma meta ou um plano em nossa vida devemos ter consciência de que não devemos confundir processo com realização. Ou seja, se o nosso objetivo é obter um emprego rentável, não podemos achar que o fato de estar numa colocação que promova a possibilidade de arcar com os custos de uma formação ou a mera capacidade de sobrevivência, seja o fim da linha. É preciso entender aonde se quer chegar. Num país, onde a educação não é reconhecida, onde cada dia mais vemos exemplos de pessoas que vencem pela perspicácia e/ou pela astúcia, devemos celebrar o fato de termos concluído o Ensino Médio, concluir o Ensino Superior é uma razão para uma festa, uma pós-graduação ou um Mestrado é um feito maior ainda, assim como concluir um curso de idiomas. Devemos saber o quanto lutamos e o quanto sofremos para chegarmos ao nosso objetivo. Um atleta, para alcançar um grande feito precisa de muito talento, treinamento e dedicação, assim como nós para nossas metas pessoais. Diversas vezes teremos que abrir mão de um luxo ou de um lazer, para que um futuro melhor seja percebido mais à frente.

E a segunda e maior lição, é de que temos que sempre lembrar que assim como nenhum fracasso é eterno, nenhum sucesso também o será. Tudo o que Nadal está vivendo em sua carreira profissional, muitos outros tenistas, como Federer, já viveram. O que dizer da sucessão de John Mc Enroe por Bjorn Borg? De Borg por Ivan Lendl? De Lendl por Sampras? E de Sampras por Federer? Agora o mundo vive a transição de Federer para Nadal, mas o espanhol não se engana e sabidamente, percebe que tudo isso terá um fim e que por isso ele precisa estar mais preparado e buscar novas motivações a cada dia, de forma que ele não caia na armadilha do comodismo do sucesso. Quantas vezes já não ouvimos a célebre frase: Chegar ao topo é fácil, difícil é manter-se lá? E esse tem sido um grande erro de muitas pessoas ultimamente. As pessoas acham que simplesmente adentrar numa grande empresa é o fim da linha, quando não percebem que precisam melhorar a cada dia e que o mercado exige um desenvolvimento voraz e que se ela não alcançar a maturidade necessária do cargo, ela nunca será insubstituível. As pessoas acham que o fato de conseguir abrir o próprio negócio num bom local é o suficiente, mas se esquecem que tem que haver muita dedicação e que ela terá que se dispor de maneira incondicional até que o ponto se estabeleça. As pessoas pensam que possuir um diploma é um ingresso para o mercado de trabalho, mas se esquecem que cada vez mais as empresas têm buscado pessoas com bom relacionamento interpessoal, com comprometimento com os objetivos estratégicos da organização, com capacidade de persuasão, entre outras características.

Ou seja, chegar ao sucesso não é um processo e nem um estado efêmero, mas uma busca contínua que deve ser recondicionada a cada dia e que o maior combustível para tudo isso é a nossa dedicação. Assim como um atleta não consegue vencer se não se preparar de maneira adequada, assim também, não conseguiremos obter os resultados almejados se não fizermos da maneira que tem que ser feito.

Por isso, compreenda de uma vez por todas que o único lugar que o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário e que sem dedicação, nenhum feito será possível e que devemos nos acostumar a sonhar com coisas grandes, deixem as pequenas coisas para aqueles de desaprenderam a gostar de viver!

Errei mais de 9000 cestas e perdi quase 300 jogos, em 26 diferentes finais de partidas fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso.” (Michael Jordan)

P.S: A partir de amanhã, iniciarei uma experiência aqui no blog. Postarei uma história que será contada em capítulos diários. Conto com o apoio de vocês, mas ressalto que nunca busquei prestígio e que o meu maior incentivo é fazer com que as pessoas possam ver a vida de uma forma diferente, que choquem o seu estilo de vida e persigam seus sonhos.

Um comentário:

  1. concordo com vc quando diz que sem dedicação nd será possível!!!!
    Temos que ter muita dedicação para conseguirmos alcançar nossos objetivos, desta dedicação que a realização dos nossos sonhos depende. O sucesso conseguido em nossa vida e no nosso trabalho é o espelho e resultado dessa nossa dedicação. Por isso devemos nos dedicar ao máximo em tudo aquilo que fazemos, e com certeza desfrutaremos de recompensas que tanto desejamos!!!!
    Catia

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