
Há alguns anos atrás, começou a tramitar no Congresso Nacional Brasileiro, um projeto de lei, que regulamentaria em 150cc, a potencia mínima das motocicletas para transitarem em rodovias. Ou seja, as montadoras teriam que agir rapidamente, pois muitas disponibilizavam somente o modelo de 125cc e a montadora Honda detinha 100% desse mercado. Vale lembrar que as motos CG 125cc sempre foram a preferência do público.
Com base nessas informações de bastidores da política, executivos da montadora decidiram anteciparem-se à lei e passaram a não mais produzir os modelos de 125cc e só produzirem os modelos 150cc.
A Yamaha, principal concorrente da Honda, fez diferente. Decidiu comercializar modelos de 125cc, uma vez que só dispunha de potencia superior a 200cc. A discussão no congresso arrastou-se por alguns meses e os deputados decidiram vetar o projeto de lei que visava aumentar a potencia mínima das motocicletas.
A Honda percebeu o tamanho do passo em falso que havia dado e enquanto isso, a Yamaha, que não possuía nenhuma participação nesse mercado, abocanhou 25% de share (para usar um termo técnico do marketing administrativo). Ou seja, a Honda numa atitude precipitada, perdeu a totalidade do mercado e viu sua maior concorrente angariar 1/4 do seu potencial mercado.
Obviamente, muitos dos executivos da Honda foram demitidos e um novo plano estratégico teve que ser desenvolvido. Fico imaginando se fosse um profissional liberal ou microempresário que tivesse tido uma atitude precipitada dessas e perdesse tamanha participação para o concorrente, ao invés de um gigante das motocicletas.
Logicamente, os resultados seriam muito mais tenebrosos, talvez significassem uma falência, uma concordata ou o fim do sonho do próprio negócio. Conhecemos histórias de pessoas que até tiraram a própria vida por terem quebrado suas empresas.
E na nossa vida cotidiana? Será que muitas vezes não agimos pelo impulso, na certeza da empáfia de acreditar que tudo aquilo que desejamos ou planejamos será realizado?
Obviamente sim, quantas pessoas analisam toda uma situação, toda uma dificuldade, fazem cálculos, seguem um cronograma, antevendo algumas vertentes, mas não conseguem o seu objetivo.
Existe uma máxima filosófica que diz que o homem está limitado a tempo, espaço e circunstancia. De repente, nos vemos naquela necessidade de chegar ao Centro da Cidade para receber um pagamento às 10h da manhã, saímos de casa com bastante antecedência, mas uma das vias de acesso está completamente parada por causa de um tombamento de um veículo ou até mesmo por uma colisão entre automotores. Pronto, todo nosso planejamento foi por água abaixo; se você tem um jantar ou um cinema marcado com amigos ou com enamorado numa sexta-feira, de repente seu chefe convoca uma reunião extraordinária no fim do expediente e como você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, sofreu a limitação do espaço; você está todo contente com a aquisição do seu veículo 0km e decide dar um passeio pela cidade e para de acordo com a sinalização. Mas uma pessoa que fala ao celular está desatenta e quando percebe o seu carro é pelo barulho do encontro do pára-choque dianteiro do carro dela com o seu pára-choque traseiro. Limitados à circunstancia.
Lógico, que isso é uma regra geral e nenhum de nós está imune a essas situações, mas o melhor a fazer é ter muita prudência e cautela no momento de tomar decisões. Todo critério e todo tempo a ser utilizado para tomar essa decisão deve ser seguido. A ansiedade é das maiores vilãs dos bons projetos, as vezes as pessoas planejam muito bem, mas não tem a paciência de esperar o projeto maturar para que ele fortifique-se. E com isso, tudo acaba dissipado e uma nova conquista tem que ser planejada.
Isso não está relacionado somente à área profissional de nossas vidas, mas a todas as áreas que nos cercam e para ilustrar isso, gostaria de relatar o fato ocorrido entre um casal de amigos meus (obviamente, não posso citar nomes, primeiro porque não me autorizaram e segundo porque com coisas boas, devemos falar, mas com coisas ruins não devemos ser muito explícitos).
Eles eram bem jovens, ela um pouco mais velha que ele, ele era um rapaz super recatado, bem pacato, mas que gozava de uma boa condição financeira, ela era uma moça totalmente serelepe e muito intensa. Após poucos meses de namoro entre os dois, ela começou a fazer pressão para que eles noivassem, porque segundo ela, ela não era mulher para ficar solteira por muito tempo e que gostaria de casar-se logo. Ele gostava dela e tal, mas como ainda não tinha terminado a faculdade, achava que não seria o momento mais oportuno e ela viu-se rejeitada por aquela atitude. Num ato de completa insanidade, ela teve outro cara durante o declínio do relacionamento deles e arrependeu-se por demais. Ele não soube da história, mas decidiu encerrar o relacionamento. Passaram-se alguns meses, ele começou a namorar outra pessoa e nesse próximo semestre completará três anos de casado. E ela? Bem, ela continua tendo um amor eterno e pra vida toda a cada mês e vê que a idade já está num limite constrangedor e não consegue alcançar o que tanto almeja. Tudo isso por causa de uma atitude precipitada.
Quantos pais não se arrependem de terem batido em seus filhos em locais focados pela raiva? Quantos cônjuges terminam relacionamentos por causa de palavras ditas de maneira inoportuna? Quantas pessoas decidem se aventurar em uma nova oportunidade profissional e nem se dão conta que no próximo mês poderiam ser promovidas?
Por essas e outras razões é que concluo que as nossas decisões devem estar relacionadas ao histórico do nosso foco. Será que vale a pena trocar o certo pelo duvidoso? Será que é fazendo alguém sofrer que conseguiremos ser felizes? O bem não pode ter raiz no mal, nunca!
Pense nisso!!!

Concordo que muitas vezes planejamos muito uma coisa, mais não temos paciência para esperar e acabamos tomando decisões precipitadas. o mais sensato é termos muita calma antes de tomarmos qualquer tipo de decisão e não agir por impulso pra não nos arrependermos depois e ficarmos mais distantes de nossos objetivos!!!
ResponderExcluirCatia.